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O Arsenal viveu uma noite em Old Trafford para relembrar os seus grandes momentos

O orgulho do torcedor do Arsenal andava um pouco ferido. Por mais que o time se encaminhe para permanecer outro ano no Top Four da Premier League, a derrota dentro de casa para o Monaco na Champions foi um enorme baque. A ponto de retomar com força o debate sobre o futuro de Arsène Wenger no clube. Nada está garantido no Emirates, é verdade. Ainda assim, os torcedores dos Gunners puderam estufar o peito pela vitória maiúscula sobre o Manchester United: 2 a 1 dentro de Old Trafford, avançando à semifinal da Copa da Inglaterra.

HISTÓRIA: A mais dramática final de Copa da Inglaterra foi entre Manchester United e Arsenal

O Arsenal vinha de boas atuações na Premier League durante as últimas semanas. Na maioria das vezes, contra equipes medianas. Mas a noite em Old Trafford mostrou que o triunfo sobre o Manchester City no Estádio Etihad, em janeiro, não foi apenas uma exceção para confirmar a regra. Os Gunners começam a crescer nos jogos contra os grandes, o que não aconteceu durante um bom tempo. Algo que o resultado desta quarta ratifica.

Obviamente, o Manchester United possui sérios problemas de organização. O time de Louis van Gaal não fluiu, e o trabalho do técnico com tantos astros na mão fica cada vez mais desacreditado. Não é pela falha dos outros, entretanto, que o Arsenal venceu. Porque muitos foram os méritos do time de Arsène Wenger, trabalhando melhor os passes e criando bem mais oportunidades de gol. Em alguns momentos, até recordando os momentos mais lúcidos do técnico em Highbury.

Um exemplo disso? O gol que abriu o placar aos 25 minutos. A movimentação do Arsenal abriu a defesa do United e contou com a genialidade de Alex Oxlade-Chamberlain. O meia fez fila entre os Red Devils e deixou Nacho Monreal, como elemento surpresa, na cara do gol. Não desperdiçou a chance de abrir o marcador. Pouco depois, contudo, o United conseguiu respirar ao buscar o empate. Di María deu um lançamento digno de seus melhores momentos no Real Madrid e Rooney desviou de cabeça.

VÍDEO: Assista a um excelente documentário sobre os Invincibles do Arsenal

As alternativas de velocidade para o ataque ajudavam bastante o Arsenal, com Alexis Sánchez e Chamberlain caindo pelas pontas, além de Welbeck centralizado pelo ataque. O ritmo do time, contudo, era mesmo ditado pelo meio-campo. Cazorla e, principalmente, Özil cadenciavam muito bem a posse de bola e as subidas ao ataque. O segundo gol veio a partir de um erro bizarro da defesa do United, que Welbeck aproveitou muito bem. Mas o terceiro poderia muito bem ter saído, não fossem duas defesas sensacionais de David De Gea.

Os minutos finais acabaram refletindo bastante os dois times na partida: o United, desorganizado, caçava o gol de empate para tentar forçar o replay. Enquanto isso, o Arsenal se defendia muito bem e conseguia ser mais perigoso, com os contragolpes bem encaixados. O resultado, por fim, premiou de maneira justa o que aconteceu em campo.

Ganhar a Copa da Inglaterra será importante para o Arsenal, mas este é o principal ponto: os torcedores não se contentam com um título secundário, querem mais. A maneira como o time atuou em Old Trafford reforça a confiança, mas também é preciso jogar assim de maneira mais frequente. E, para impulsionar de vez os Gunners, o repeteco teria que acontecer na visita a Mônaco. Se atuasse com a mesma força, talvez desse para reverter os 3 a 1 do Emirates. Aí sim, o orgulho estaria mesmo resgatado, e a confiança em Wenger, renovada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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