Inglaterra

Unidos pelo pódio

Os encarregados de defenderem a honra da maior invenção britânica já foram nomeados. O técnico Stuart Pearce anunciou na última semana os 18 jogadores que comporão a seleção do Reino Unido para a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres. Uma equipe que possui suas qualidades, mas que está um degrau abaixo dos principais concorrentes na busca pelo alto do pódio, especialmente por conta do alto número de desfalques.

A Grã-Bretanha buscará o seu terceiro ouro em Olimpíadas, conquistado as primeiras vezes nas edições de 1908 e 1912 do torneio. Antes do início da competição, porém, a maior vitória da Football Association foi reavivar uma seleção adormecida desde 1960, quando os britânicos disputaram o pré-olímpico pela última vez. O maior entrave na formação de uma nova equipe esteve justamente nos temores de escoceses e norte-irlandeses perderem autonomia. Depois de manifestações contrárias das federações, a solução encontrada da FA não foi explícita, mas facilmente notada: os dois países não tiveram jogadores chamados para o elenco, composto por 13 ingleses e cinco galeses.

Na formação da base olímpica, claramente pesou a boa relação entre as federações de Inglaterra e País de Gales, de fortes ligações históricas. Não por menos, dois jogadores acima do limite de idade são galeses e é em cima de Ryan Giggs, dono da braçadeira de capitão, que o time construirá sua reputação no torneio.

A escolha dos três veteranos, inclusive, causou mais repercussão pelo principal ausente do que pelos três presentes. Nascido em Londres, David Beckham é um dos principais representantes da cidade como sede e já tinha se disponibilizado para fazer parte da seleção.  Entre contar com um popstar do futebol e perder vitalidade no meio de campo ou reforçar outras posições carentes, no entanto, Stuart Pearce preferiu a segunda opção.

Além disso, o trabalho do treinador à frente da seleção sub-21 da Inglaterra teve bastante influência na convocação. O treinador apostou em seis jogadores da equipe, mesmo aqueles que não possuem tantos espaços em seus clubes. A maior surpresa da lista foi exatamente um destes pupilos: o atacante Marvin Sordell, que só fez três partidas pelo Bolton na última temporada.

Nas próximas três semanas, a missão de Pearce será a de entrosar seus jogadores e montar uma equipe funcional – já que o Reino Unido não teve oportunidades de atuar anteriormente. Os britânicos estão treinando e fazem um amistoso contra o Brasil antes da estreia nos Jogos Olímpicos, marcada para o dia 26 de julho.

O maior desafio na primeira fase será contra o Uruguai, de Cavani e Suárez. Tendo também Senegal e Emirados Árabes Unidos pela frente, a classificação para as quartas de final parece bastante palpável, ainda que a liderança da chave seja um objetivo mais distante. Depois disso, México e Suíça são os favoritos para cruzarem o caminho do Reino Unido. Passando por qualquer um deles, o bronze fica próximo, embora Brasil e Espanha representem um abismo bem maior na direção ao ouro.

Goleiros: Jack Butland (Birmingham) e Jason Steele (Middlesbrough)
Ficou de fora: Ben Amos (Manchester United)

Se as opções não são numerosas nem para as seleções principais, imagine então para o time olímpico. Pearce preferiu chamar dois nomes já testados na Inglaterra sub-21. Mesmo sendo o mais jovem do elenco, Jack Butland ganhou experiência na Euro 2012 e, depois de boas atuações com o Birmingham na reta final da temporada, deve ser titular.

Defensores: Micah Richards (Manchester City), Ryan Bertrand (Chelsea), Steven Caulker (Tottenham), Craig Dawson (West Bromwich), Neil Taylor (Swansea) e James Tomkins (West Ham)
Ficaram de fora: Kyle Walker (Tottenham), Phil Jones (Manchester United), Chris Smalling (Manchester United), Martin Kelly (Liverpool), Kieran Gibbs (Arsenal)

Micah Richards é um dos veteranos do elenco e, curiosamente, soluciona a carência em uma das posições com maior quantidade de opções. Walker, Smalling e Jones poderiam atuar na lateral direita, mas os dois primeiros se lesionaram e o terceiro foi poupado porque disputou a Eurocopa. No miolo de zaga, Tomkins e Caulker são os favoritos.  E a disputa por posição mais interessante fica para a lateral esquerda, para a qual Neil Taylor e Ryan Bertrand têm condições de comporem o time titular.

Meio-campistas: Ryan Giggs (Manchester United), Tom Cleverley (Manchester United), Joe Allen (Swansea), Aaron Ramsey (Arsenal), Jack Cork (Southampton) e Danny Rose (Tottenham)
Ficaram de fora: Jack Wilshere (Arsenal), Gareth Bale (Tottenham), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Jordan Henderson (Liverpool), Jack Rodwell (Everton), Jonjo Shelvey (Liverpool), Wilfried Zaha (Crystal Palace), Dan Gosling (Newcastle), Marc Albrighton (Aston Villa)

Mesmo sem contar com o talento de Bale, Wilshere e Oxlade-Chamberlain, o meio de campo ainda é o setor mais forte da seleção olímpica. Giggs deverá ser o termômetro do time. Ramsey é o mais experimentado dentre os mais jovens e também contribuirá com o equilíbrio no setor, embora não tenha empolgado pelo Arsenal recentemente. Cleverley aparece com força no elenco, mas precisa provar que está recuperado das lesões para não ser superado por Joe Allen e Jack Cork, que vêm de temporadas consistentes.

Atacantes: Craig Bellamy (Liverpool), Daniel Sturridge (Chelsea), Scott Sinclair (Swansea) e Marvin Sordell (Bolton)
Ficaram de fora:  Andy Carroll (Liverpool), Danny Welbeck (Manchester United), Nathan Delfouneso (Aston Villa), Connor Wickham (Sunderland)

Pelas opções que tem, Pearce deverá apostar em um ataque mais veloz, com Bellamy servindo de referência. O galês não vive a boa fase dos veteranos chamados por outras seleções, mas segue com capacidade para fazer estragos. Sinclair e Sturridge – que está com suspeita de meningite e é dúvida – são duas armas poderosas pelos lados do campo. E a situação poderia ser mais animadora, considerando que Welbeck e Carroll têm idade olímpica.

Curtas

– A maior novela do mercado de transferências inglês já está desenhada: a permanência de Robin van Persie no Arsenal. Ao afirmar que não renovará seu contrato, o atacante deixa o clube em uma situação dificílima. Ou faz dinheiro com seu principal jogador ou mantém por mais uma temporada e perde a custo zero.

– Depois do clima gerado pela postura do holandês, a venda é a melhor saída. Se continuar, van Persie pode até querer carregar o time nas costas novamente, mas a relação com o elenco já estará desgastada. Embora a certeza da saída diminua um pouco o valor das ofertas, os Gunners deverão usar a concorrência entre os vários interessados para elevar seus ganhos.

– Na Inglaterra, o único interessado é o Manchester City, que já afirmou que não pretende fazer loucuras por van Persie. Se vender alguns de seus atacantes e diminuir os gastos com salários, é um forte destino.

– Ao Arsenal, resta saber como investir o dinheiro recebido – que não deverá ser pouco. Depois de Podolski, o segundo reforço confirmado foi Olivier Giroud. O artilheiro do último Campeonato Francês é mais uma aposta de Wenger, mas com boas chances de dar certo. Atacante de bom porte físico, faz bom trabalho de pivô e também ajuda com assistências.

– O Tottenham definiu André Villas-Boas como seu novo treinador. O português terá o espaço que precisa para desenvolver um projeto de longo prazo à frente dos Spurs, sem a pressão comum em Stamford Bridge. A princípio, uma boa aposta, especialmente considerando as opções disponíveis.

– E os Spurs têm feito boas movimentações no mercado de transferências. Renovaram o contrato de Gareth Bale e ganharam a corrida pela contratação de Gylfi Sigurdsson, adaptado à Premier League após seis meses empolgantes no Swansea. O último a ser confirmado foi Vertonghen, melhor jogador do último Campeonato Holandês.

– Por fim, o outro destaque da janela de transferências tem sido o Queens Park Rangers. Depois de quatro reforços, nas últimas semanas os londrinos ainda fecharam a vinda de Robert Green e o empréstimo de Fábio da Silva. Pelo elenco que está sendo montado, o QPR promete um ano distante da briga contra o rebaixamento, provavelmente no meio da tabela.

– Vale a pena conferir a série feita pelo colega Frederico Jota sobre o futebol inglês além das quatro linhas: http://fredericojota.blogspot.com.br/2012/06/futebol-na-terra-da-rainha-capitulo-22.html

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