Por que Edu Gaspar é questionado e corre risco com crise na Premier League
Diretor global de futebol é questionado após conflitos com treinadores, contratações contestadas e sequência de derrotas
Depois de deixar o Arsenal, a passagem de Edu Gaspar pelo Nottingham Forest vive seu momento mais delicado. Contratado para liderar o projeto esportivo do clube e dar estabilidade a uma estrutura marcada por trocas constantes, o dirigente brasileiro passou a ser alvo de questionamentos internos em meio a uma temporada caótica e ao risco concreto de rebaixamento na Premier League.
O Forest chega à reta decisiva do campeonato ocupando a 17ª posição, após quatro derrotas consecutivas, agora sob o comando de Sean Dyche, o terceiro treinador da equipe na temporada.
Segundo o jornal inglês “Telegraph”, a sequência negativa reacendeu dúvidas sobre o modelo de gestão adotado e, principalmente, sobre o peso da influência de Edu nas decisões esportivas do clube.
A situação de Edu Gaspar no Forest: brigas com treinadores e polêmicas
Contratado em julho com um salário superior a 3 milhões de libras por ano, Edu recebeu poderes amplos do proprietário Evangelos Marinakis, que anunciou que o brasileiro supervisionaria “todas as funções relacionadas ao futebol”, incluindo recrutamento, desempenho e estratégia de elenco. Poucos meses depois, esse protagonismo passou a ser visto como parte do problema.
O episódio mais sensível da curta gestão de Edu no Forest envolve sua relação com Nuno Espírito Santo. Segundo relatos internos, o rompimento entre dirigente e treinador foi total ainda no início da temporada, especialmente por divergências no mercado de transferências — tensão que acabou sendo decisiva para a saída de Nuno em setembro, após apenas três jogos no comando.

As discordâncias envolveram nomes específicos. Segundo o Telegraph, acredita-se que Edu tenha sido determinante nas chegadas de Douglas Luiz e Omari Hutchinson, enquanto Nuno e o departamento de scouting defendiam outros perfis. Um dos alvos prioritários do treinador era Adama Traoré, hoje no Fulham, mas o negócio não avançou.
A relação deteriorada foi publicamente reconhecida pelo próprio Nuno pouco antes da demissão. “Acho que todos no clube deveriam estar unidos, mas esta não é a realidade”, afirmou o português, em declaração que expôs o clima interno.
Hutchinson, contratado por 37,5 milhões de libras, teve participação mínima sob o comando de Nuno e chegou a admitir que praticamente não recebia diálogo do treinador. Douglas Luiz, por sua vez, sofreu com lesões desde a chegada e ainda não conseguiu se firmar, embora o acordo preveja uma compra definitiva superior a 20 milhões de libras caso atinja um número mínimo de partidas.
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Contratações questionadas e cenário de instabilidade
As críticas à atuação de Edu também se estendem a outras decisões de mercado. O empréstimo de Oleksandr Zinchenko, acertado no último dia da janela, foi prejudicado por problemas físicos, limitando o impacto do lateral, que iniciou apenas uma partida da liga. O acordo com o Arsenal não prevê cláusula de retorno.
Outro movimento que gerou forte reação entre torcedores foi o empréstimo de Arnaud Kalimuendo ao Eintracht Frankfurt, menos de cinco meses após o Forest pagar 26 milhões de libras ao Rennes por sua contratação. A saída do francês ocorreu enquanto o clube segue vivo na Liga Europa, alimentando críticas sobre planejamento e coerência esportiva.
Apesar da pressão crescente, Edu deve estar presente no confronto contra o West Ham, treinado justamente por Nuno Espírito Santo, em um duelo direto na luta contra o rebaixamento. O jogo pode se tornar simbólico não apenas para a tabela, mas também para os rumos da gestão do clube.
Ex-jogador do Arsenal e integrante do histórico time dos “Invencíveis”, Edu construiu carreira sólida fora de campo em Londres antes de assumir o desafio no Forest, após cumprir período de gardening leave. A aposta de Marinakis era usar sua experiência para fortalecer não só o Forest, mas também a rede de clubes que inclui Olympiacos e Rio Ave.
Com o time ameaçado pela Championship e a saída turbulenta de Nuno ainda ecoando nos bastidores, o futuro de Edu Gaspar no Nottingham Forest passou de projeto estratégico a incógnita real.



