Inglaterra

‘Ruben Amorim não é bom o suficiente. Mal tem competência para ser treinador na Premier League’

Empate, discurso duro e críticas públicas marcam horas finais do português no comando dos Red Devils

O empate por 1 a 1 entre Leeds e Manchester United, pela Premier League, teve repercussões que ultrapassaram o resultado em campo. Horas antes da confirmação da demissão de Ruben Amorim, o tom adotado pelo técnico português — naquela que seria sua última entrevista pós-jogo — acendeu o debate na Inglaterra e abriu espaço para críticas contundentes de nomes históricos do futebol local, entre eles Jamie Carragher.

As declarações de Amorim, ao afirmar que havia chegado a Old Trafford para ser “manager” e não apenas treinador, soaram como um recado direto à estrutura do clube. A leitura de Carragher foi clara: naquele contexto, o português não tinha respaldo esportivo nem moral para questionar quem tomou a decisão de colocá-lo no comando do United.

Para o ex-zagueiro e ídolo do Liverpool, o discurso revelou mais frustração do que liderança. Em participação na “Sky Sports”, Carragher apontou dois possíveis caminhos para entender o desabafo.

— Só pode ser duas coisas. Pode ser sobre o mercado de transferências de janeiro e o sentimento de que não está sendo apoiado, ou as pessoas acima dele estão questionando o fato de ele saltitar entre sistemas.

Segundo Carragher, havia sinais de progresso quando Amorim tentou implementar uma linha de quatro defensores, mas a insistência em recuar para um sistema com três zagueiros voltou a expor fragilidades da equipe.

— Parecia estar a chegando a algum lado ao mudar para uma linha de quatro, depois voltou a ter cinco atrás contra o Wolves e teve, possivelmente, uma das piores exibições da temporada para uma equipe. Não importa o que é, não acho que esteja em posição alguma de questionar as pessoas que o escolheram.

Amorim no United: desempenho fraco e números piores ainda

A análise de Carragher, porém, não se limitou às escolhas táticas ou ao momento emocional do treinador. À medida que o debate avançava, o ex-jogador passou a enquadrar o trabalho de Amorim dentro de um critério mais amplo: o padrão histórico e competitivo exigido pelo Manchester United.

Na visão dele, independentemente do contexto interno ou das dificuldades herdadas, o desempenho apresentado em campo ficou muito aquém do que se espera de alguém à frente de um dos clubes mais tradicionais do futebol inglês.

— Não é bom o suficiente. Não é bom o suficiente para ser treinador do Manchester United. Mal tem competência para ser treinador na Premier League agora.

Mesmo ao endurecer o discurso, Carragher fez questão de separar a crítica profissional de qualquer ataque pessoal. O problema, na avaliação do ex-Liverpool, não está somente nos resultados pontuais, mas no tempo decorrido sem evolução clara.

— Isso não sou eu sendo desrespeitoso com Amorim. Já está lá há 12 meses e penso que a maioria dos treinadores na Premier League, de clubes de diferentes pontos da tabela, olhariam para o United e pensariam: ‘Eu conseguiria mais pontos do que aquilo’.

Ruben Amorim agachado na área técnica durante jogo do United
Ruben Amorim agachado na área técnica durante jogo do United (Foto: Imago)

Amorim assumiu o Manchester United em novembro de 2024, sucedendo Erik ten Hag, e viveu um período marcado por instabilidade ao longo de 14 meses no cargo. À frente dos Red Devils, somou 24 vitórias em 63 partidas, com um recorte ainda mais modesto na Premier League, onde venceu apenas 15 vezes.

Sua passagem se encerra com o United ocupando a sexta colocação. Na atual temporada, a equipe conquistou oito vitórias em 20 rodadas, números que ajudam a explicar o desgaste do projeto e a perda de confiança no comando técnico.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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