Inglaterra

‘O barco de Tudor está furado e prestes a afundar. O Tottenham parece mais tóxico que nunca’

Contratado como solução emergencial, Igor Tudor viu o ambiente do clube piorar ainda mais em apenas três jogos

O Tottenham apostou em Igor Tudor como treinador interino até o fim da temporada com uma missão clara: conter o caos. Mas, três partidas depois, o cenário parece ainda mais sombrio.

Foram três derrotas, nove gols sofridos e um cartão vermelho. A derrota no clássico contra o Arsenal até poderia ser absorvida. Já os tropeços diante de Fulham e Crystal Palace aprofundaram a crise.

Em coluna no “The Athletic”, o repórter Jay Harris indica que a confiança em Tudor evaporou rapidamente e, agora, o Tottenham parece ter criado um problema ainda maior ao tentar resolver outro.

Tudor aumentou a crise no Tottenham

Antes de receber o Crystal Palace, o contexto já era alarmante. A vitória do West Ham sobre o Fulham e o empate entre Nottingham Forest e Manchester City deixaram os Spurs apenas um ponto acima da zona de rebaixamento.

Era um momento que exigia reação imediata, mas ela não veio. Em um colapso completo, os Spurs sofreram três gols em sete minutos, transformando o estádio em um cenário de revolta. Muitos torcedores deixaram seus lugares ainda antes do intervalo, enquanto outros direcionavam a frustração para o camarote da diretoria.

Igor Tudor, técnico do Tottenham, durante derrota para o Palace
Igor Tudor, técnico do Tottenham, durante derrota para o Palace (Foto: Daniel Weir/Sports Press Photo/Imago)

O clima, que já era pesado nos últimos jogos sob Thomas Frank, conseguiu ficar ainda pior. E as estatísticas ajudam a entender o tamanho da crise:

O Tottenham não vence desde dezembro e perdeu cinco jogos seguidos na Premier League pela primeira vez desde 2004. A equipe também sofreu ao menos dois gols em nove partidas consecutivas, um retrato de sua fragilidade defensiva.

Em casa, o desempenho é igualmente preocupante: apenas 10 pontos conquistados, o segundo pior desempenho entre as quatro principais divisões inglesas.

O único clube com campanha pior é o Sheffield Wednesday, equipe da segunda divisão mergulhada em uma grave crise financeira e que se tornou o primeiro time da história da English Football League a ser rebaixado ainda em fevereiro.

Além disso, as decisões levantaram questionamentos sobre o trabalho. “Deixou Xavi Simons e Conor Gallagher no banco justamente no jogo mais importante da temporada até aqui”, lembrou o “The Athletic”. Richarlison também começou entre os reservas.

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Um Tottenham de nervosismo e erros individuais

O clima de tensão era evidente desde os primeiros minutos. O jovem Souza, de 19 anos, fez sua primeira partida como titular na Premier League após chegar do Santos em janeiro. Aos seis minutos, recebeu cartão amarelo após uma entrada em Daniel Muñoz.

A aposta em um jogador tão jovem para um jogo dessa pressão parecia arriscada e o nervosismo se espalhou pelo time“, apontou Harris.

O momento decisivo veio com Micky van de Ven. O zagueiro, que usava a braçadeira de capitão na ausência de Cristian Romero (suspenso por expulsão), derrubou Sarr na área e acabou recebendo um cartão vermelho.

Pape Sarr e Solanke abatidos durante derrota do Tottenham
Pape Sarr e Solanke abatidos durante derrota do Tottenham (Foto: Daniel Weir/Sports Press Photo/Imago)

A decisão mudou completamente o rumo da partida e ainda terá impacto no próximo jogo contra o Liverpool. Van de Ven havia sido um dos heróis do título da Europa League na temporada passada, com um corte salvador na final. Agora, vê sua imagem se deteriorar rapidamente.

As escolhas de Tudor também foram alvo de críticas. Após a expulsão, ele colocou Gallagher e Yves Bissouma nos lugares de Souza e Randal Kolo Muani. Mesmo com cinco defensores e três volantes em campo, o Tottenham sofreu dois gols em apenas cinco minutos.

Outro detalhe simbólico do momento do clube aconteceu com Mathys Tel. Um dos poucos pontos positivos da temporada, ele foi deslocado para a ala esquerda e acabou cometendo um erro de passe que resultou no gol de Strand Larsen. “Tel errou, mas também foi colocado em uma posição que não é a sua”, lembrou o jornalista.

O que resta para o Tottenham?

Agora surge a pergunta inevitável: o que o Tottenham faz a seguir? Demitir Tudor após apenas três jogos seria uma decisão devastadora para o CEO Vinai Venkatesham e para o diretor esportivo Johan Lange.

Ao mesmo tempo, a confiança da torcida no comando do clube parece tão baixa que muitos já questionam se a diretoria seria capaz de acertar na próxima escolha. No meio dessa turbulência, ainda há um jogo contra o Atlético de Madrid pela Champions League na próxima semana.

Para o Tottenham, a prioridade virou outra: evitar o rebaixamento. Quando voltar a jogar em casa, o clube pode já estar dentro da zona da degola. Talvez seja o choque de realidade que o elenco precisa para entender a gravidade da situação.

Após a partida, Tudor tentou transmitir confiança: “Eu acredito mais depois deste jogo do que acreditava antes. Vi algo. Preciso escolher os jogadores certos, porque o barco está indo na direção que eu quero.”

A contratação de Igor Tudor saiu pela culatra. O Tottenham parece mais tóxico do que nunca. O problema é que o barco de Tudor está cheio de furos e parece destinado a naufragar“, completou o jornalista do “The Athletic”.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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