Inglaterra

Tottenham é favorito para tirar Robertson do Liverpool, mas tem obstáculo

Lateral escocês deve deixar o Liverpool ao fim da temporada, e Spurs aparecem como principal destino caso confirmem permanência na Premier League

O Tottenham se movimenta nos bastidores para aproveitar uma oportunidade de mercado rara: a contratação de Andy Robertson sem custos. O lateral-esquerdo deixará o Liverpool ao fim da temporada, encerrando um ciclo de nove anos em Anfield, e desponta como alvo prioritário dos Spurs.

Há, no entanto, um obstáculo, segundo o “The Athletic”: o lateral deve ir para Londres somente se o clube conseguir confirmar sua permanência na Premier League e não for rebaixado.

O interesse do Tottenham em Robertson

A diretoria londrina já havia iniciado contatos no começo do ano, mas esbarrou na resistência do Liverpool em liberar o jogador no meio da campanha. Agora, com o fim de contrato se aproximando, o cenário muda completamente. Ainda há concorrência de outros clubes europeus, mas o trabalho prévio do Tottenham e o encaixe esportivo colocam o clube em posição favorável.

A operação, no entanto, está diretamente condicionada à luta contra o rebaixamento. Atualmente na 17ª colocação, os Spurs ainda precisam garantir sua sobrevivência na elite inglesa para tornar o projeto atrativo, tanto esportiva quanto competitivamente.

Enquanto isso, Robertson vive um momento de transição. Titular absoluto por anos, ele perdeu espaço após a chegada de Milos Kerkez e iniciou apenas seis jogos de liga na temporada. Ainda assim, sua trajetória recente não apaga o peso de seu legado.

Robertson em coletiva do Liverpool
Robertson em coletiva do Liverpool (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)

Mais do que uma reposição técnica, a possível chegada de Robertson representa uma tentativa clara de corrigir falhas estruturais no elenco do Tottenham. O clube sofre com falta de liderança, especialmente em momentos de instabilidade, e carece de referências vencedoras no vestiário.

Nesse contexto, o escocês surge como um perfil raro: experiente, vocal e habituado a competir no mais alto nível. Durante anos, foi peça-chave no Liverpool multicampeão sob Jürgen Klopp, ajudando a estabelecer padrões de exigência e mentalidade.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Papel de Robertson no Tottenham e o adeus ao Liverpool

Além disso, há uma lacuna evidente na lateral esquerda. As lesões de Ben Davies e Destiny Udogie expuseram a falta de profundidade no setor, obrigando improvisações e reduzindo a consistência da equipe, que contratou o jovem brasileiro Souza na última janela. Robertson, mesmo aos 32 anos, ainda oferece confiabilidade competitiva e capacidade de contribuição imediata.

Mas talvez seu maior impacto esteja fora das quatro linhas. O Tottenham vive há temporadas um processo de reconstrução interrompido por oscilações constantes.

Nesse cenário, jogadores com histórico vencedor tendem a funcionar como catalisadores culturais, algo que Robertson representa de forma clara. Sua presença pode ajudar não apenas no desempenho, mas na formação de uma identidade mais competitiva.

A ideia, segundo o “The Athletic”, não é necessariamente transformá-lo em titular absoluto a longo prazo, mas sim utilizá-lo como peça de rotação qualificada e mentor para nomes mais jovens.

Destiny Udogie, por exemplo, ainda busca estabilidade física e consistência, enquanto jovens como Souza, recém-chegado, estão em fase inicial de adaptação. Nesse contexto, Robertson pode acelerar processos de desenvolvimento, oferecendo referência diária de profissionalismo e leitura de jogo.

Esse tipo de construção também dialoga com o perfil do novo treinador, Roberto De Zerbi, que valoriza jogadores experientes para sustentar ideias táticas exigentes.

Do outro lado, a saída de Robertson marca o fim de uma era no Liverpool. Contratado sem grande alarde em 2017, ele rapidamente se transformou em um dos laterais mais completos da Europa, combinando intensidade, qualidade técnica e liderança.

Suas arrancadas constantes, cruzamentos precisos e entrega competitiva ajudaram a moldar um dos períodos mais vitoriosos da história recente do clube. Mais do que números ou títulos, seu legado está na mentalidade que ajudou a construir, algo que agora pode ser exatamente o que falta ao Tottenham.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo