Inglaterra

Tottenham precisa responder duas questões para justificar demissão de Ange Postecoglou

Levantar taça não foi o suficiente para manter australiano após campanha tenebrosa na Premier League

Mesmo após levar o Tottenham ao seu primeiro título em 17 anos, conquistando a Liga Europa sobre o Manchester United, Ange Postecoglou foi demitido pela equipe londrina nesta sexta-feira (6).

No comunicado da demissão, o clube agradece ao australiano pelo título, sendo apenas o terceiro técnico a conquistar um título europeu, mas aponta que conquistar só 78 pontos nos últimos 66 jogos de Premier League e terminar com a pior campanha do clube na história — 17º lugar — foi determinante para a decisão.

Existia uma grande discussão entre os torcedores do clube se valia a pena ter basicamente abdicado da Premier League para poder vencer a Liga Europa. Vários defendiam, assim como o clube fez em sua nota, que o clube poderia ter ido melhor nacionalmente, mesmo tendo colocado o foco na competição continental.

Em fóruns de torcedores, muitos compararam a situação ao momento em que o Manchester United decidiu manter Erik ten Hag por vencer a Copa da Inglaterra em 2023/24 mesmo com resultados e atuações ruins na Premier League. O holandês ficou e durou apenas até outubro da temporada seguinte, quando foi demitido e depois sucedido por Rúben Amorim.

Pelo que o Tottenham coloca em sua carta para justificar a demissão, é necessário que o clube responda a duas questões fundamentais para que realmente tome o passo à frente para fazer campanhas melhores na Premier League e uma aparição digna na Champions League.

Tottenham precisa acertar em cheio no próximo técnico

Quando um time grande tem um técnico para cair, a principal questão a ser feita é: existe um nome engatilhado que atenda ao que o clube espera do futebol em campo e no perfil de transferências?

Segundo a imprensa inglesa, o principal candidato a assumir o comando é Thomas Frank, do Brentford. O dinamarquês tem uma boa relação com o compatriota e diretor técnico dos Spurs, Johan Lange.

Frank é um nome ideal para o momento do Tottenham. Ele faz um excelente trabalho no comando do Brentford desde 2018, incluindo a promoção para a Premier League em 2021. Na primeira divisão, são quatro anos sem muitos problemas para se manter e duas campanhas na parte de cima da tabela.

O dinamarquês seria uma boa solução porque oferece algo completamente distinto de Ange. Enquanto o australiano se mostrou inflexível com seu estilo de jogo, tirando no fim da campanha do título da Liga Europa, Frank não tem problema em deixar suas preferências de lado para se adaptar dependendo do adversário.

Thomas Frank é tido como o favorito para assumir o Tottenham (Foto: Imago)
Thomas Frank é tido como o favorito para assumir o Tottenham (Foto: Imago)

Além de Frank, também surgem como candidatos Oliver Glasner (Crystal Palace), Andoni Iraola (Bournemouth) e Marco Silva (Fulham). Até um revival com Mauricio Pochettino, hoje na seleção americana, não parece descartado dentro do clube.

Iraola e Glasner são excelentes nomes, um pouco abaixo de Frank em uma possível ordem de melhores casamentos, mas o Palace fez jogo muito duro quando o Bayern tentou Glasner na última temporada e Iraola está bastante valorizado após uma das melhores campanhas do Bournemouth na liga.

Silva parece mais uma tentativa de seguir um caminho mais parecido com o atual e oferece a experiência de já ter treinado em Champions League, enquanto Pochettino nem deveria ter entrado na lista de possíveis candidatos. 

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O Tottenham precisa estar disposto a gastar para se reforçar

Na carta explicando a demissão de Ange, o Tottenham diz que entende que as circunstâncias da última temporada foram complicadas — o time sofreu com um caminhão de lesões durante toda a campanha e em todos os setores —, mas que existe um elenco jovem com bastante talento e que poderia fazer mais.

O problema dessa fala é que, por mais que o elenco tenha bons jovens, ele não é profundo o suficiente para poder se manter competitivo em grandes competições ao mesmo tempo.

A defesa sofreu com tantas lesões durante a temporada que Archie Gray, contratado após se destacar como meia central e lateral direito pelo Leeds, foi obrigado a jogar como zagueiro 17 vezes em uma sequência de 21 partidas nesta temporada. Com outras duas sendo na lateral esquerda.

Isso porque os três principais zagueiros do clube – Cristian Romero, Micky van de Ven e Radu Dragusin – passaram tempo na enfermaria. O holandês teve seu retorno forçado em três ocasiões, apenas para se machucar novamente na primeira vez que entrou em campo em todos os casos.

Micky van de Ven teve mais uma temporada assombrada por lesões (Foto: Imago)
Micky van de Ven teve mais uma temporada assombrada por lesões (Foto: Imago)

No gol, nenhuma das três opções testadas durante a lesão de Guglielmo Vicario convenceu. Foram três meses sem que o time tivesse uma opção confiável para defender a meta. Um reserva para o italiano deveria ser uma das prioridades do clube no atual mercado.

E quando o Tottenham finalmente teve a sua linha de defesa inteira na parte final da temporada, o clube sofreu com problemas de lesões com os jogadores mais criativos do time.

Na final da Liga Europa, o Tottenham esteve sem três de seus quatro principais jogadores criativos – James Maddison, Dejan Kulusevski e Lucas Bergvall –, todos fora por lesões, e Son Heung-min não estava nas melhores condições físicas para começar o jogo. Isso ajuda a explicar o “futebol feio” praticado pela equipe na decisão.

O clube precisa de pelo menos mais um meio-campista que saiba passar a bola. Rodrigo Bentancur, Pape Sarr e Yves Bissouma são excelentes quando o assunto é físico, mas falta pelo menos um nome que possa contribuir com a progressão das jogadas.

Além disso, um ponta para poder dividir tempo com Son e um zagueiro, principalmente se o clube decidir vender Cuti Romero, também deveriam estar na lista de prioridades. 

Foto de Matheus Rocha

Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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