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Técnico do West Ham defende ingressos mais baratos: “Futebol não pode ser um privilégio”

Slaven Bilic teve uma ótima relação com a torcida do Besiktas enquanto treinou os turcos, por seu jeito passional e de bastante envolvimento com a equipe. Aparentemente, no West Ham, cujo comando assumiu nesta temporada, a história não será diferente, sobretudo por causa de seu posicionamento em relação à briga dos torcedores por ingressos mais baratos. O apoio à causa foi dado nesta quinta-feira, dois dias antes dos protestos marcados por torcidas dos 20 times da Premier League e de outros clubes das divisões inferiores inglesas por uma diminuição no preço das entradas.

VEJA TAMBÉM: Torcedores dos 20 times da Premier League farão protesto por preços altos dos ingressos

Bilic, que tem tido um início bom de trabalho, levando o West Ham à terceira colocação da Premier League tendo vencido Liverpool, Manchester City e Arsenal fora de casa, defendeu que o futebol é um esporte das massas e que o torcedor comum não deveria ser alienado do espetáculo ao vivo. “Futebol não é golfe ou polo para VIPs, para a elite. Futebol é um esporte do povo, é um esporte para as massas. Não deveria ser um privilégio ir sozinho, com seus amigos, sua namorada, sua esposa ou seus filhos a um jogo de futebol. Isso deveria estar disponível para todos”, opinou.

O treinador reconhece que, com a construção de novas arenas, os clubes precisam de dinheiro para recuperar o investimento, mas acredita que isso não deveria acontecer a custo da exclusão de torcedores de certas camadas sociais, que dão alma ao esporte. “Por outro lado, você tem clubes e times que estão construindo novos estádios. Eles investem bastante dinheiro nesses ótimos estádios e querem o dinheiro de volta, então colocam o preço dos ingressos lá em cima. Para mim, eles deveriam encontrar um equilíbrio, porque os torcedores são muito importantes para este esporte. Você vê torcedores em todos os esportes, mas os jogos de futebol não são apenas sobre a qualidade do jogo, são sobre a atmosfera no estádio, e isso é criado pelos torcedores”, afirmou.

“Então você precisa dos torcedores. Sem os torcedores, é inútil. Levar seus filhos (aos jogos) não deveria ser um privilégio apenas para algumas pessoas. Todos deveriam conseguir fazer isso”, completou.

O principal foco dos protestos são os preços dos ingressos para visitantes, que tem preço médio de £ 53,76 (na cotação atual, R$ 334,86), o que faz da Premier League a liga com ingressos para visitantes mais caros do mundo. Os torcedores se reunirão sob a bandeira da Football’s Supporters Federation (FSF, “Federação dos Torcedores de Futebol”, em tradução livre). A campanha deste fim de semana se chama “Twenty’s Plenty For Away Tickets”. Isso porque o objetivo é estabelecer um teto de £ 20 (R$ 124) para ingressos em jogos fora de casa. Alguns clubes têm implementado campanha de subsídio a essas viagens, bancando, por exemplo, o custo de deslocamento, mas isso ainda é pouco diante das demandas das pessoas.

É bom lembrar que o novo acordo por direitos de transmissão da Premier League dentro do Reino Unido renderá € 6,9 bilhões ao longo de três anos aos clubes da primeira divisão, um aumento de 70% em relação ao acordo anterior, e esse é justamente uma das teclas em que os torcedores batem mais forte para justificar sua demanda por ingressos mais baratos. Os protestos têm sido cada vez mais frequentes e de maior repercussão. Não parece um tipo de insatisfação que cessará com o tempo. Eventualmente, os clubes e a liga precisarão encontrar alguma forma de diálogo com essas pessoas. Ficarem calados e ignorarem a opinião dos torcedores não é uma delas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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