Sem poder de decisão, Arsenal tem tropeço que candidatos ao título não podem ter
Alguns jogos se colocam como uma amostra do que o time consegue fazer. O Arsenal tem bons e maus exemplos na temporada. Bons como quando venceu o Bayern de Munique em casa, pela Champions League. Maus como este sábado, quando perde, de virada, para o West Bromwich. Mesmo fora de casa, era um adversário acessível que o time de Arsène Wenger deveria vencer. E, mais do que o resultado, o que se viu em campo foi uma falta de poder de decisão. O time teve chances, ainda que não profusão, mas não aproveitou.
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O gol do 1 a 0 veio com Giroud, de cabeça, em mais uma jogada pelo alto. O Arsenal tem feito muito isso nos últimos jogos, especialmente porque tem no seu centroavante uma arma realmente importante. Não é nenhum problema usá-la. O problema é quando faltam mais recursos além desse. O Arsenal é um time técnico, que normalmente trabalha bem a bola. Tem Özil, por exemplo, um mestre das assistências. Fez mais uma no gol de Giroud. Poderia ter feito outras no jogo com seus bons passes, em algumas chances desperdiçadas.
Talvez seja um problema de elenco. Coquelin deixou o campo machucado e Arteta foi chamado a campo. Errou quase tudo que tentou. Ele e Bellerín, lateral direito, viram o West Bromwich arrancar dois gols, ainda no primeiro tempo, por aquele setor. E ambos foram mal. No primeiro, James Morrison completou cruzamento, mal marcado que estava por Arteta. No segundo, jogada nas costas de Bellerín que Arteta completou para o gol, marcando contra. Eram 40 minutos do segundo tempo.
Ainda havia tempo e o time teve chances para virar. Só que começou com a saída de Arteta. Ele, que tinha entrado aos 14 minutos do primeiro tempo, saiu aos quatro do segundo. Comprometia o time. Deu lugar a Flamini, que jogou melhor. O Arsenal foi para cima, pressionou e, mesmo sem grande inspiração e nem ter um jogador que estivesse em um grande dia, quase empatou. Campbell, por exemplo, que entrou no lugar de Gibbs, recebeu lançamento e, sozinho dentro da área, pegou na orelha da bola. Chance claríssima desperdiçada pelo costarriquenho, que brilhou na Copa do Mundo de 2014 com sua seleção.
Veio, então, a chance mais clara. Aos 39 minutos, pênalti para o Arsenal, de Chris Bunt em Alexis Sánchez. Cazorla, um dos principais jogadores do Arsenal, mas que vinha em uma noite ruim, como todo o time, partiu para a cobrança. Escorregou. Chutou por cima. Viu a torcida do West Brom comemorar, assim como os adversários.
O time do técnico Tony Pulis, que causou alguns dias ruins ao Arsenal de Wenger quando comandava o Stoke, mais uma vez saiu-se bem e com a vitória. O West Brom soma 17 pontos, em 12º lugar na tabela. O Arsenal fica nos mesmos 26 do início da rodada, perde a chance de pular na liderança, e se vê agora em quarto lugar, atrás do surpreendente Leicester (28), Manchester United (27) e Manchester City (26, mas ainda com jogo a fazer).
Sem poder de decisão, será difícil ganhar os pontos necessários para levantar a taça da Premier League. É preciso saber jogar até contra as próprias dificuldades e ter jogadores que fazem isso em jogos em que alguma dificuldade inesperada aparece. Faltou isso ao Arsenal. Talvez porque Sánchez esteja cansado, talvez porque não se pode esperar que Özil faça isso, ou que Giroud decida. Mas é preciso algo melhor. Há potencial. Ainda não se vê em campo.



