Inglaterra

‘Eles não são porta-vozes políticos’: Jogadores ingleses buscam apoio para temas sociais

Diretor da associação de futebolistas profissionais afirmou que "o futebol precisa ficar fora da política"

Integrantes da seleção inglesa demonstraram preocupação com a possibilidade de se tornarem “porta-vozes políticos” durante a próxima Copa do Mundo.

Segundo a BBC, o tema ganhou destaque diante do aumento das tensões nos países-sede – especialmente nos Estados Unidos, por causa do conflito com o Irã e da política anti-imigração, e no México, após o assassinato do narcotraficante “El Mencho”.

Quando política e futebol se misturam

Em entrevista à “Sky News”, Maheta Molango, diretor executivo da Associação de Futebolistas Profissionais (PFA), revelou que jogadores têm buscado orientação sobre como reagir a possíveis questionamentos de ativistas e da imprensa em temas de direitos humanos. Segundo ele, alguns atletas relataram se sentir “em uma posição difícil” ao serem cobrados por posicionamentos sociais.

Molango citou como exemplo a Copa do Mundo do Catar, em 2022, quando a pauta dos direitos LGBTQIAPN+ dominou as discussões em meio às leis locais que preveem pena de morte para a homossexualidade.

— Estamos falando de pessoas inteligentes, socialmente conscientes, pessoas que entendem que não vivem numa bolha. No entanto, alguns deles me disseram que acharam um pouco injusto que, no fim das contas, por terem tanta influência, tivessem que se tornar porta-vozes de governos ou de órgãos governamentais que, na realidade, deveriam ser os responsáveis ​​por tomar a iniciativa — afirmou.

Molango afirmou ainda que, em outras situações, os jogadores foram “abandonados à própria sorte”, sem que o governo ou os órgãos competentes demonstrassem liderança sobre os assuntos.

— Acho que alguns deles sentiram isso no passado – e vimos isso, por exemplo, no Catar – alguns deles basicamente foram abandonados à própria sorte. Ao invés de o governo ou o órgão dirigente demonstrarem liderança em determinados assuntos, de repente os jogadores foram solicitados a se tornarem porta-vozes políticos, e não é essa a função deles — defendeu.

Seleção Inglesa durante Eliminatórias da Copa de 2026 (Foto: Imago)
Seleção Inglesa durante Eliminatórias da Copa de 2026 (Foto: Imago)

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‘Precisam estar em seus próprios termos’

Diante do atual cenário geopolítico, Molango defendeu que os atletas continuem engajados, mas com autonomia sobre quando e como se manifestar.

— Eles estão muito conscientes do que está acontecendo, querem fazer a diferença, mas precisa ser nos termos deles. Cabe a eles usar sua plataforma quando julgarem apropriado. Não é possível que sejam forçados a se tornarem porta-vozes políticos, porque esse não é o trabalho deles — disse.

Por fim, o executivo reiterou sua posição de que o futebol deve permanecer fora da política, servindo de espaço de integração e não de divisão.

— O futebol precisa ficar fora da política, precisa atender a todos e nunca deve ser visto como tomando partido de um lado ou de outro, independentemente do que possamos pensar moralmente. E eu tenho uma opinião muito firme sobre isso. O dinheiro do futebol nunca deve ser usado para fins políticos — finalizou.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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