Lenda do United critica: ‘Não deviam entregar o troféu da Premier League este ano’
Ex-jogador comenta mau momento do futebol inglês, com partidas menos agradáveis de assistir em momento que a bola parada virou febre
Tem sido uma crítica recorrente nesta temporada da Premier League ao nível de futebol praticado. Muitas bolas paradas, jogo muito físico e um líder, no caso o Arsenal, que não encanta. Na Inglaterra, cresce a insatisfação com o momento do futebol inglês, como reclamou o técnico do Liverpool, Arne Slot, e também uma lenda do Manchester United.
Paul Scholes, ídolo dos Red Devils com passagem vitoriosa entre 1992 e 2013, disse que, normalmente, quem sai campeão inglês é porque mereceu. Em 2025/26, porém, seria uma exceção e nem deveriam entregar a taça pelo futebol pouco vistoso.
— Quem ganhar a liga, você diz no fim que mereceu. Nenhum deles me convenceu de que deveria ser campeão da Premier League. Eu acho que nem deveriam entregar o troféu este ano. Ninguém merece. Sinceramente, não tem sido nada agradável de assistir — analisou o ex-meio-campista ao podcast “The Good, The Bad & The Football”.
— Há uma pressão enorme sobre eles [Arsenal], não há? Há, porque eles já estiveram em posições muito boas ao longo dos anos e não conseguiram ganhar o título. Então agora estão numa posição incrível. Mas, veja bem, você não vai ver um futebol vistoso, fluido. Não vai. Como venho dizendo, acho que não vimos isso a temporada inteira de nenhum time. E, especialmente neste momento, o mais importante é como eles conseguem cruzar a linha de chegada — completou.

O papel do Arsenal em um futebol mais ‘feio’
O momento atual da Premier League é parte de uma resposta ao que ocorreu nos últimos anos. As equipes, sabendo que os gols são tão valiosos e raros, foram aprimorando as bolas paradas, contratando técnicos específicos para isso, e isso virou uma enorme arma para vencer partidas.
Os arremessos laterais no campo de ataque viraram novos escanteios e os escanteios estão cada vez mais trabalhados, com movimentos sincronizados e bloqueios nos defensores e até no goleiro adversário, se aproveitando da permissividade da arbitragem inglesa com os contatos na área.
O líder Arsenal, com o técnico de bolas paradas Nicolas Jover, tem elevado isso a um patamar inédito nos últimos anos. Nesta temporada, a equipe marcou 19 gols a partir de escanteios, laterais e faltas, primeiro isolado no quesito.
A equipe londrina, além da bola parada, virou a cara desse jogo mais físico da Premier League ao usar zagueiros nas laterais, mais fortes e melhores nos duelos aéreos quando sobem ao ataque.
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Premier League tem sido menos jogada pelo chão
Os números gerais da Premier League mostram a tendência de um jogo menos construído desde a defesa, uma resposta à pressão no campo de ataque que se tornou cada vez mais intensa desde Jürgen Klopp e, para evitar riscos, o caminho é buscar lançamentos para os atacantes.
No recorte das 28 rodadas completas, os 20 times marcaram 505 gols em jogadas trabalhadas, menor número desde a temporada 2020/21, impactada pela pandemia da Covid-19. A outra vez que o número foi tão baixo foi em 2009/10. Os dados são da Opta e foram levantados pela “ESPN”.
💤💤 Semifinal sonolenta entre Arsenal e Chelsea dá razão à crítica ao futebol inglês
— Trivela (@trivela) February 3, 2026
Triunfo magro dos Gunners e vaga na final não foram o suficiente para passar boa imagem de clássico londrinohttps://t.co/Qc1Isce77t
Chutes a gol em jogadas de bola rolando estão em 1659, mais de 300 a menos que nos dois últimos anos e o número mais baixo em 17 temporadas na elite inglesa.
Os passes no último terço do campo também caíram, atualmente em 48248, o que significa quase 10 mil a menos que as duas temporadas anteriores e a marca mais baixa desde 2011/12.
Como tudo no futebol é cíclico, parece só uma fase na maior liga do mundo, que nos últimos dez anos se nobilizou pelo melhor futebol da Europa com a influência de Pep Guardiola e Klopp. A Premier League pode contribuir para uma melhora do jogo ao diminuir a permissividade dos contatos nos escanteios, mas a revolução deve vir, principalmente, dos técnicos e jogadores.



