Por que existe técnico de bola parada na Premier League e não no Brasil
Profissional específico para treinar apenas escanteios, faltas e laterais é presente em quase toda elite do futebol inglês
Uma cena usual nas transmissões dos jogos de Arsenal e Aston Villa na Premier League é quando a câmera foca numa figura distinta aos técnicos Mikel Arteta e Unai Emery, à beira do campo, em momentos que antecedem escanteios ou faltas.
Os dois saem de cena para que Nicolas Jover e Austin MacPhee apareçam para dar instruções. A função da dupla é a do treinador de bolas paradas, algo ainda incomum no Brasil.
Eles gritam e apontam para onde os jogadores devem estar antes da cobrança. A jogada pode variar com bloqueios de marcadores para outros colegas terem mais espaço, “aglomeração” em só um setor, movimentação sincronizada e muito mais.
O profissional que trabalha nessa área específica 100% do tempo tem sido cada vez mais difundido no futebol inglês. A dupla praticamente virou “celebridade” em seus respectivos clubes.
Jover ficou tão grande nos Gunners que seu rosto estampa um mural nos arredores do Emirates Stadium. Já MacPhee ganhou uma música cantada aos versos “ole ole ole”. A exaltação desses profissionais tem uma razão muito justa por trás.

O Arsenal passou a ser o melhor time em bolas paradas na Inglaterra e ganhou um “atacante” que decide muitos pontos. Eles passaram de seis gols vindos de faltas ou escanteios na temporada 2020/21 do Campeonato Inglês, antes da contratação de Jover, para marcarem 16, 15 e 20 entre 2021 e 2024, respectivamente.
— Set pieces again ole ole — é o que cantam os torcedores dos Gunners para comemorar gols que saiam dessa forma. Em tradução livre, “bolas paradas de novo”.
A bola parada sempre foi importante para o futebol inglês desde os primórdios do esporte, pela força física no jogo aéreo que virou marca dos ingleses. A forma atual, porém, tão aprofundada e estudada, é inédita.
A Trivela foi atrás para entender como iniciou esse movimento de “culto” à bola parada na Inglaterra e por que ainda não chegou ao Brasil como é na maior liga do mundo.
O que faz um técnico de bola parada?
O treinador de bolas paradas na Inglaterra se dedica 100% do tempo a pensar, pesquisar, montar jogadas e, efetivamente, comandar treinamentos sobre cobranças de falta, escanteios, laterais, tiros de meta e até saídas de bola do meio-campo.
Ele pode atuar sozinho ou ter um analista de bolas paradas (como no Aston Villa), dentro do setor de análise de desempenho do respectivo clube, profissional que é responsável por enviar relatórios sobre a bola parada dos próximos adversários e enxergar lacunas nos lances do próprio time.
Brentford foi pioneiro e espalhou profissionais na Premier League
A presença do treinador de bola paradas nos clubes de elite da Inglaterra existe em pelo menos oito times, segundo levantamento da Trivela nos sites oficiais. O Brentford acabou de promover o seu profissional na função para ser o técnico principal.
Brighton, Manchester United e Everton tinham os seus até o fim da temporada e Fulham está procurando um, de acordo com relatos da mídia local.
O número atual representa quase três vezes mais do que na temporada 2021/22, quando só três equipes, Arsenal, Aston Villa e Brentford, tinham profissionais para essa área de jogo, conforme matéria no site da “ESPN” inglesa.
Os Bees são um caso à parte e pioneiros nessa temática no futebol inglês, influenciando o restante dos times e com uma linha do tempo de profissionais na função que explica a situação atual do estudo desse tipo de lance no futebol.
Ainda em 2015, a equipe do oeste de Londres apostou em Gianni Vio, italiano revolucionário na temática de treinar os lances sem a bola estar rolando há mais de 20 anos e com mais de 4.800 variações dessas jogadas.
Na época, era o único time do país com um profissional no cargo. Ele só ficou no Brentford por um ano, sucedido justamente por… Nicolas Jover. O profissional que hoje faz sucesso no Arsenal, em 2016 apenas um jovem com um clube no currículo, permaneceu no cargo por três temporadas, período no qual os Bees marcaram 46 gols em faltas, escanteios e laterais.
A mural of Arsenal set piece coach Nicolas Jover #ARSEVE pic.twitter.com/2UpgYjvHdJ
— H (@HQpcrt) December 14, 2024
Jover deixou o Brentford para trabalhar no Manchester City graças a convite de Arteta e o time londrino demorou seis meses até definir o substituto, período em que marcou apenas um gol de bola parada em 16 jogos.
Chegou, então, Andreas Georgson, hoje técnico de bolas paradas do Tottenham e ex-Manchester United e Arsenal (antes de Jover, aliás), que contribuiu para 16 gols vindos de jogadas com a bola parada nos 34 jogos seguintes da temporada 2019/20.
Ele ficou até o meio do ano e foi sucedido por Bernardo Cueva, mexicano que permaneceu no cargo por quatro anos (ajudando no acesso à primeira divisão após 74 anos). Atualmente ele exerce a função no Chelsea após ser contratado por 750 mil libras (R$ 5,5 milhões), maior transferência de um treinador de bolas paradas.
A evolução da bola parada no futebol inglês passa diretamente pelo Brentford. O clube tem tanta confiança no processo que Keith Andrews, responsável por treinar essas jogadas na última temporada, virou o técnico principal da equipe após a saída de Thomas Frank, que agora voltará a trabalhar com Georgson no Tottenham.
Parte da responsabilidade por tudo isso vem do dono do time desde 2012. Matthew Benham é criador de uma empresa de análise estatística para apostas esportivas nos anos 2000 e é adepto do bom uso de dados no futebol.
— Se não há pessoas questionando cada pequena decisão que você toma, então também fica mais fácil tomar decisões corajosas, inovadoras e arriscadas sobre como fazer as coisas. Porque, se elas derem errado […] não é o fim do mundo. Você não vai ser enforcado ou demitido por causa disso. Acho que essa é uma grande força do Brentford, e isso vem desde o dono até os jogadores. Todo mundo sabe qual é o propósito do clube — disse Georgson ao site “The Athletic”, em 2021.
Além do clube inglês, o empresário britânico foi o acionista majoritário do Midtjylland entre 2014 e 2023, clube dinamarquês que teve Austin MacPhee como treinador de bolas paradas na temporada 2020/21, antes do escocês se juntar ao Villa.

Essa linha do tempo explica a fase atual de nove times com treinadores de bolas paradas no Campeonato Inglês. Mas, se não há essa figura nos outros 12 clubes, como é feita a preparação das jogadas?
O treinamento de escanteios, faltas e laterais nos clubes sem um especialista fica dividido, normalmente, entre o técnico e algum auxiliar da comissão, com auxílio do setor de análise de desempenho. Esse cenário é próximo do que é feito no futebol brasileiro, com pequenas alterações nas funções a depender da equipe.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Como a bola parada é trabalhada no Brasileirão
A única menção a um membro de um clube brasileiro que tenha sido treinador de bolas paradas foi o inglês Alex Clapham, que passou pelo Vasco por apenas quatro meses em 2022, como uma parceria com a 777 Parters, e atualmente está no Borussia Dortmund.
Desde então, essa figura nunca mais apareceu com essa nomenclatura, apesar de Jordi Guerrero, um dos auxiliares de Domenec Torrent, atuar principalmente nisso no Flamengo durante passagem em 2020.
Há quatro anos, Rogério Ceni, então no Fortaleza, chegou a entrar em contato com Gianni Vio, o especialista nesses lances que passou pelo Brentford e agora se divide entre Watford e a seleção dos EUA, para melhorar o desempenho do time em escanteios, laterais e outras jogadas.
Não ter a figura específica para bolas paradas, porém, não quer dizer que as jogadas sejam escanteadas ou pouco treinadas no Brasil. Esse trabalho, normalmente, é feito por várias mãos: os analistas de desempenho atuam em conjunto com a comissão técnica, falando diretamente com o treinador principal ou os auxiliares.
O Vasco terá a partir de 2023, um treinador de bola parada. O anúncio foi feito por Paulo Bracks em um vídeo na VascoTV. O inglês Alex Clapham está passando por um período de intercâmbio, para troca de informações e conhecimento. Ele irá ajudar nessa reta final de Série B. pic.twitter.com/3GP5fV87Do
— Arena Cruzmaltina (@are_cruzmaltina) September 26, 2022
Caio Gondo, analista de desempenho que passou por Goiás e Vila Nova, trabalhou diretamente como o responsável por analisar as bolas paradas em seu último cargo. Em sua experiência com comissões técnicas, ele atuou com diferentes formas de treinar e repassar as informações.
— Quando havia mais do que um analista do clube, o que hoje em dia é bem comum, um deles ficava responsável pela análise do jogo com a bola rolando e o outro ficava com a parte das bolas paradas — explicou à Trivela em mensagem de texto.
— A transmissão da informação do setor de análise para comissão varia acordo como cada um trabalha: alguns preferem que a informação das bolas paradas seja passada para um dos auxiliares e este repassava para o técnico; outros pediam para que a análise fosse passada para a comissão toda e, depois, havia uma seleção de lances para ser repassado para os atletas; e houve ainda comissão com que a análise fosse apresentada para a comissão, que repassava aos atletas da mesma forma — completou.
O Mirassol tem sido uma das histórias de sucesso no Brasil na temática da bola parada desde a última temporada. Forte nessa área, subiu à primeira divisão como vice-líder da Série B e, neste ano no Brasileirão, bateu gigantes como São Paulo, Santos, Corinthians, Grêmio e Vasco com destaque pela utilização de escanteios e faltas.
Após 19 jogos na Série A, o time do interior paulista só foi vazado duas vezes nesse tipo de lance, líder no quesito ao lado do Flamengo. Ofensivamente, soma seis gols, apenas três a menos que o Cruzeiro, o primeiro, segundo dados da plataforma “WhoScored”. Uma das razões para o sucesso está na forma que é estruturado e como prepara o estudo dessas jogadas.
A estrutura do clube tem um auxiliar técnico fixo, Ivan Baitello, muito dedicado às bolas paradas e com um repertório de jogadas extenso, como definiu alguns colegas. Ele faz como os especialistas da Premier League: quando aparecem escanteios ou faltas, toma à frente na beira do campo ao invés do técnico Rafael Guanaes.
No Leão há uma década, o auxiliar, no entanto, não trabalha nessa área sozinho. Ele tem apoio do treinador principal e dos outros auxiliares Marcelo Sampaio e Rainer Oliveira, além do setor de análise de desempenho com os analistas Bruno Garcia e Nikolas Trevizo, dupla que explicou para Trivela via videocoferência como funciona o estudo do time.
— O Nikolas fica a cargo de coletar dados de nossa equipe na bola parada, tanto nos jogos como nos treinamentos também, além de outras demandas. E eu faço a captação das informações, juntamente com o Ivan, dos estudos do adversário — explica Garcia sobre como é feito a preparação desse tipo de lance no Mirassol.

A dupla acredita que a efetividade que faz o time ser tão exitoso nessa área está no tempo dedicado ao estudo e aos treinos. A equipe interiorina dedica cerca de dois dias apenas em bolas paradas, considerando uma semana de preparação a um jogo. Segundo dados do Leão, cerca de 40% dos gols que marcou desde 2023 foram de bolas paradas.
Após captar as informações, os jogadores têm um dia só para ficar imerso nessa parte do jogo. Ainda quando eles estão em trabalhos de alongamento para os treinos, são passados videos dos treinos na academia. Depois, de forma focada, são apresentados aos lances em videos em uma palestra e depois vão ao campo para treinar as ideias.
— Tudo que vemos no vídeo, transferimos para o campo. Durante os jogos o trabalho também não para. Conforme a partida vai acontecendo, a gente já tem um protocolo de sempre enviar para o banco de reserva de forma imediata os lances de bola parada. Da mesma forma que a gente estudou os adversários, eles também estudam a gente. Temos que identificar isso o mais rápido possível para passar a informação do banco de reserva — disse Nikolas Trevizo.
O estudo do adversário, porém, nem sempre é fácil. Os analistas disseram à reportagem que times como o Palmeiras, com tanto tempo com o mesmo treinador, são mais dificeis de se analisar pelas diferentes formas de se cobrar os lances de bola parada.
Na comissão técnica de Abel Ferreira, é Vítor Castanheira quem cuida dos lances ofensivos do Alviverde, área na qual tem sido muito bem sucedido. Nos títulos brasileiros de 2022 e 2023, o time paulista marcou 40 gols de bolas paradas, segundo o “WhoScored”, cerca de 30% de todos os tentos marcados por eles.
O Palmeiras é a equipe com mais gols de escanteios (55) no Brasileirão desde a chegada de Abel Ferreira.
— R10 Score (@R10Score) July 20, 2025
A bola parada resolve! 🐷⚽ pic.twitter.com/eor6eq5KSU
No Botafogo treinado por Artur Jorge na última temporada, campeão nacional e da Libertadores, o auxiliar português João Cardoso se dedicava a bolas paradas e o time marcou 15 gols assim na campanha do Brasileirão. O técnico atual do Glorioso, Davide Ancelotti, quer Francesco Mauri, chamado de “mago das bolas paradas”, para função, segundo o canal “SporTV”.
Calendário e cultura: os desafios para bola parada ser tratata com mais seriedade no Brasil
Apesar desses lances serem trabalhos no Brasil, ainda é com acumulo de função e sem uma pessoa dedicada 100% do tempo a isso — Thomas Frank chegou a dizer que, sem esse profissional, não dá para ter sucesso na bola parada no contexto da Premier League. Ele garantiu que nunca mais trabalhará sem um profissional desse.
Os motivos para o futebol brasileiro não contar com o ténico de bolas paradas são diversos. Pode ser por fatores econômicos, com alguns clubes não tendo condições financeiras de investir em mais profissionais além dos que já tem.
Até a cultura nacional pode ser uma razão, como apontou Eduardo Dias, CEO do “Footure”, plataforma de criação de conteúdo, cursos de futebol e consultoria para clubes e jogadores. O futebol, como a sociedade brasileira, é conservadora para inovações e ideias fora da caixa, segundo o especialista.
— Culturalmente, a bola parada é menor, tanto que numa entrevista coletiva, depois de uma derrota, o técnico diz: ‘O adversário conseguiu ganhar da gente só na bola parada’. É como se tivesse um desprezo sobre vencer jogos com bola parada. Na verdade, os três pontos são os mesmos — inicia.
— A cultura do ‘professor Pardal’, ‘aqui sempre foi assim’, ‘ganhamos em 1970 sem precisar disso’ é muito forte no Brasil. No futebol brasileiro, você só pode perder de uma maneira. Se tu tentar vencer de uma outra maneira, tu é ejetado do clube no primeiro empate porque tentou fazer algo diferente — completou.
O executivo, que trabalha diretamente com as equipes do Brasileirão, acredita que é possível os times “melhorarem a bola parada com o que tem em casa, não precisa investir mais” por conta da maior estruturação dos setores de análise de desempenho e scout. Há, no entanto, um outro problema que permeia quase todas as áreas do futebol nacional: o calendário.
Se o técnico mal consegue colocar em prática o jogo com bola rolando, como vai encaixar um treino de bola parada tendo uma partida (às vezes com viagem) a cada três dias? “Não tem tempo para treinar nada, nem físico, nem bola parada, nem linha de impedimento. É uma pré-temporada e a partir dali é jogo, conversa e vídeo”, afirmou Dias.
O Mirassol opta por mostrar apenas vídeos quando há esse curto tempo, apostando na “qualidade” da informação e exibições não tão longas para evitar a dispersão dos jogadores. A comissão técnica acredita também que reaproveitar jogadas anteriores nesses tempos com pouco espaço para treino é um caminho.
— O tempo vai dando padrão [tático] para a gente em muita coisa, então isso facilita — explica o analista Nikolas Trevizo.
— A gente gasta mais tempo no vídeo do que no campo pela questão de recuperação dos atletas. E como a gente tem um repertório considerável de jogadas, nós usamos essas referências com os jogadores. Então o Ivan [Baitello] fala: ‘Lembra, esse lance é parecido com aquele jogo que a gente fez um mês atrás’. Isso vai refrescando para os atletas algumas coisas que já fizemos bem e que pode acontecer de novo no próximo jogo — reitera o colega Bruno Garcia.
Um dia o país terá um profissional de escanteios, faltas e laterais?
O futuro do treinamento da bola parada no Brasil, para os dois analistas, é promissor. “É uma tendência que dificilmente vai regredir”, argumenta Garcia. “Eu acredito que isso é uma realidade e é inevitável os clubes daqui não darem importância para isso, principalmente porque dá resultado”, completa Trevizo.
Para Eduardo Dias, porém, a figura de um técnico específico só para essas jogadas dependerá que alguma equipe faça sucesos no país para, aí, sim, todos copiarem.
— Quando um time for campeão com bola parada, os outros todos vão passar a investir nisso. É o ciclo da validação que o Brasil precisa. Isso determina tudo que vai acontecer na próxima temporada. O país não tem muita iniciativa própria na inovação, o futebol também até pela cultura muito conservadora, mas isso vai mudar e quem sair na frente vai ganhar mais — finalizou o CEO do “Footure”.
Todos os gols de bola parada do Botafogo no Brasileirão.
— Tática Alvinegra (@TaticaAlvinegra) June 12, 2024
Chama atenção a variedade de jogadas e o uso dos bloqueios no momento antes di cabeceio.
Nos gols de escanteio, vemos sempre um movimento de saída do bolo de jogadores para atacar a bola.
AJ isola para ter mais chance. pic.twitter.com/yCCwxNpc5e
Como é o dia a dia de um técnico de bola parada na Inglaterra?
Quando abordou como é o trabalho diário com Austin MacPhee, o técnico do Aston Villa, Unai Emery, trouxe uma rotina que parece a contada pelos profissionais do Mirassol.
— Trabalhamos no campo de treinamento por no mínimo um dia, às vezes dois dias, antes de uma partida, as bolas paradas ofensivas e defensivas. Antes de cada partida, uma reunião é reservada exclusivamente para bolas paradas. Acho isso muito importante — disse Emery em janeiro deste ano.
O conceituado portal “The Athletic” abordou de forma mais aprofundada, em duas reportagens, como é o dia a dia desses profissionais. Em 2021, então no Brentford, Andreas Georgson detalhou que a maior parte do seu trabalho era a pesquisa, com uma participação importante do analista de vídeo no clube em que estava e também na época de Arsenal.
Georgson gastava muito tempo também compilando dados do time nessas jogadas. O maior foco do profissional sueco era em trabalhos do próprio time e pouco sobre o adversário. Ofensivamente, mesmo gastando muito tempo, o foco era passar poucas jogadas porque o elenco poderia não lembrá-las.
— Não é como no futebol americano, onde o quarterback está acostumado a memorizar 200 jogadas. Se você observar alguns dos times de futebol mais fortes em jogadas ensaiadas, não é como se eles tivessem 100 jogadas. Eles podem ter surpreendentemente poucas, mas são muito eficientes. Você não precisa ter mais de duas — explicou.

Sobre a análise defensiva do adversário, como só há três estratégias defensivas na bola parada, “marcação por zona, marcação individual ou um sistema híbrido”, não havia uma necessidade muito grande de tempo.
— É mais ou menos isso. As equipes escolhem algo e geralmente são 100% consistentes durante toda a temporada. Elas continuam trabalhando nisso, a menos que as coisas vão muito mal ou troquem de técnico — disse.
— Todos os sistemas defensivos têm seus pontos fortes e fracos. Você conhece seus pontos fracos, e é provável que seu oponente também os conheça. Não há grandes segredos. Então, você precisa ser proativo com seus pontos fracos para tentar melhorá-los, ou prever como o oponente tentará capitalizar. É como um cobertor curto demais: para onde quer que você o mova, você vai sentir frio em algum lugar — completou.
Um dos desafios dos técnicos de bola parada, sem dúvidas, é prender a atenção dos jogadores. No Arsenal, Jover trabalha para que seus jogadores se mantenham “engajados e comprometidos” e, uma das formas para que isso aconteça, tem sido o resultado em campo, apontou o “The Athletic”.
— É um prazer trabalhar com Jover. Ele é muito inteligente nas bolas paradas. É um aspecto ótimo do jogo, que permite abrir o jogo. Já nos ajudou muito — elogiou Leandro Trossard, dos Gunners.
— Trabalhamos muito nas bolas paradas. O Nico, nosso técnico de bolas paradas, faz um trabalho muito bom. O que ele está fazendo está claramente funcionando, então teremos que continuar fazendo — reforçou o colega Bukayo Saka.
A figura do treinador de bolas paradas é muito espefíca, mas há ainda um mais segmentado que é o técnico de cobranças de lateral. O dinamarquês Thomas Gronnemark prestou serviços no Liverpool em 2018 e até no Flamengo que venceu o título brasileiro em 2021.
FLAMENGO
— Thomas Gronnemark (@ThomasThrowin) April 6, 2021
I'm very Proud to have helped the assistant coach from Flamengo with the throw-ins this season. Congratulations with the Brazilian Championship ⚽️🏆🏅
… and thanks for the shirt 🌞👍#Flamengo #futebol pic.twitter.com/ffuhcZarCX
O jogo se tornou tão analisado que até saída de bola do meio-campo e provocação ficaram ensaiadas. Na última temporada com Keith Andrews, o Brentford marcou três gols no primeiro toque da bola, enquanto o Aston Villa de MacPhee fez Bailey provocar o goleiro adversário Onana antes de um gol de falta em jogo com o United.
Com o início de mais uma Premier League, marcado para 15 de agosto, a tendência é de, novamente, as bolas paradas serem uma parte essencial. Agora, quando Jover, Cueva ou MacAphee aparecerem na sua televisão, você saberá o quão importante é o trabalho desse profissional.



