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Presidente do Napoli diz que não quer mais contratar africanos e Koulibaly responde: “Importante ter respeito”

Presidente do Napoli, Aurelio De Laurentiis comentou que não quer mais contratar jogadores africanos, a não ser que eles se comprometam a não jogar mais a CAN

Apresentado como novo jogador do Chelsea, Kalidou Koulibaly demonstrou não ter gostado nada das falas de Aurelio De Laurentiis, presidente de seu ex-time, o Napoli. De Laurentiis disse que não quer mais contratar jogadores africanos para o clube por perdê-los para a disputa da Copa Africana de Nações, a CAN, que acontece em um período diferente das demais datas Fifa, em janeiro. Com isso, desfalca os clubes europeus. Destaque da seleção de Senegal, Koulibaly não só jogou a CAN enquanto era jogador do Napoli como também foi campeão na edição de 2022, brilhando ao lado de Sadio Mané.

“Eu disse aos rapazes, não me falem mais sobre contratar africanos”, afirmou De Laurentiis em um evento de streaming esta semana. “Eu amo os africanos, mas ou eles assinam um compromisso confirmando que eles não irão disputar a Copa Africana de Nações, ou então entre esse torneio e Eliminatórias da Copa na América do Sul, esses jogadores nunca estão disponíveis! Nós somos os idiotas que pagam os salários apenas para mandá-los para jogar ao redor do mundo”, afirmou De Laurentiis.

Koulibaly, jogador do Napoli por oito anos e que se transferiu para o Chelsea nesta janela, criticou o presidente do seu ex-clube. “Isso é com ele. Para mim, a coisa mais importante é respeitar todo mundo. Eu sempre respeitei todo mundo. Quando joguei lá, também joguei por Senegal e ganhei a Copa Africana de Nações enquanto jogava pelo Napoli”, afirmou Koulibaly.

Kalidou Koulibaly, capitão de Senegal, com a taça da CAN (KENZO TRIBOUILLARD/AFP via Getty Images)

“É verdade que foi um momento difícil para eles quando fomos para a CAN, mas nós vencemos e estou realmente feliz hoje. Temos que respeitar as seleções também. Você não pode falar sobre seleções africanas assim, eu acho”, continuou o zagueiro, francês de nascimento e filho de senegaleses, seleção que escolheu defender.

“Você tem que ter respeito como tem por outras seleções nacionais. Como capitão do Senegal, acho que não é uma boa forma de falar sobre uma seleção africana, mas eu respeito o que ele pensa. Se ele acha que o time pode jogar sem africanos, cabe a ele”, disse ainda o jogador. “Mas eu acho que não é todo mundo no clube que pensa como ele. Conheço todo mundo por lá, conheço os torcedores e os torcedores não pensam assim. Cabe a ele, mas não é a ideia da sociedade na cidade, porque a cidade é realmente respeitosa. Isso é o que ele pensa, não o que a cidade ou a sociedade pensa”.

Quando perguntado se alguma vez foi pedido para ele não disputar a CAN enquanto esteve no Napoli, o jogador negou. “Não, nunca. Ninguém nunca me pediu para não jogar a CAN. Talvez algumas vezes tentaram pedir ao meu agente, mas comigo, como capitão de Senegal, mesmo como jogador de Senegal, quando chega o momento da CAN, quero ser o primeiro a estar lá”, declarou o jogador.

“Em dezembro, eu estava machucado, então fui para o Senegal mais cedo para começar o meu treinamento com o time. Estava realmente feliz e empolgando em começar a CAN. Ninguém pode me dizer para não defender a seleção”, afirmou Koulibaly. “Eu tenho muito amor pela minha seleção, meu país, pelas pessoas para quem eu jogo. Se alguém me disser para não ir, será a única vez que eu vou brigar com alguém”.

“Somos todos dignos de respeito. Esperamos todo mundo que veio da Premier League chegar um pouco mais tarde, mas quando todo mundo chegou, todos estavam felizes em estarem lá. Acho que na África todos pensamos assim. Temos respeito por todos, mas se alguém disser a eles para não ir, todos irão lutar para ir. É o mais importante e todo mundo ter que nos respeitar como respeitamos todos”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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