Premier League

Tática ‘estranha’ de Vítor Pereira no Wolverhampton dá certo (também) graças a brasileiro

Técnico português assumiu equipe na vice-lanterna da Premier League -- agora, Wolves estão a 12 pontos da zona de rebaixamento

Contratado em dezembro de 2024, Vítor Pereira assumiu o Wolverhampton na vice-lanterna da Premier League após 16 rodadas. Agora, na 31ª rodada, os Wolves estão fora da zona de rebaixamento para a Championship, com 12 pontos de vantagem para o Z-3.

Muito disso passa por Matheus Cunha, que tem 13 gols e quatro assistências em 26 partidas disputadas no campeonato. Entretanto, quando o meia-atacante brasileiro não está em campo, o técnico português sabe que pode contar com seu modelo tático.

O camisa 10 do Wolverhampton foi desfalque nos últimos quatro jogos por má conduta. A sequência era crucial para os Wolves na briga pela permanência. E quem pensava que o time de Vítor Pereira não daria conta do recado sem Cunha, viu o seguinte retrospecto:

  • Wolverhampton 1 a 1 Everton — 08/03
  • Southampton 1 a 2 Wolverhampton — 15/03
  • Wolverhampton 1 a 0 West Ham — 01/04
  • Ipswich Town 1 a 2 Wolverhampton — 05/04

Afinal de contas, como o treinador conseguiu mudar o Wolverhampton em tão pouco tempo? Com direito a zagueiros avançando nos contra-ataques, entenda as ideias do português — que potencializa as qualidades de André.

A tática ‘estranha’ de Vítor Pereira no Wolverhampton

O esquema adotado por Vítor Pereira nos Wolves é o 3-4-2-1 com a posse de bola. Quando o adversário tenta atacar, os alas voltam para a primeira linha, deixando a defesa do Wolverhampton com cinco marcadores — um verdadeiro ferrolho.

Formação tática do Wolverhampton de Vítor Pereira na ausência de Matheus Cunha Foto: (Trivela/Lineup 11)
Formação tática do Wolverhampton de Vítor Pereira na ausência de Matheus Cunha Foto: (Trivela/Lineup 11)

Como os Wolves não são tão badalados quantos os ingleses mais tradicionais da Premier League, o técnico português não faz questão de ter mais posse de bola do que seus adversários, apostando nas rápidas transições ofensivas.

Para que a estratégia funcione, o Wolverhampton não deixa o rival respirar, fazendo pressão no homem da bola no último terço até reconquistar a posse. Quando isso acontece, a ordem é pegar a defesa desarrumada em contra-ataque.

Para isso, Vítor Pereira libera até mesmo um de seus zagueiros para ter superioridade numérica no setor ofensivo. A ideia em liberar um dos três pilares defensivos é surpreender o adversário e dar mais opções de passe aos Wolves em situação de ataque.

Já em construção mais lenta, o trio de zagueiros se divide no centro e nas duas laterais do campo, liberando os alas para avançarem como verdadeiros pontas. Ao alargar seus jogadores em campo, o Wolverhampton cria espaços para avançar.

Saída de bola do Wolverhampton começa com o trio de zagueiros bem abertos e alas avançados Foto: (Trivela/ShareMtTactics)
Saída de bola do Wolverhampton começa com o trio de zagueiros bem abertos e alas avançados Foto: (Trivela/ShareMtTactics)

Estatísticas importantes dos Wolves nesta edição da Premier League segundo o “SofaScore”

  • Média de posse de bola por jogo: 47,9% — 13º do campeonato
  • Média de acionamento de bolas longas por jogo: 16,8 — 7º melhor do campeonato
  • Média de desarmes por jogo: 20,9 — 3º melhor do campeonato

André, o regente

André está em alta no Wolverhampton Foto: (Imago)
André está em alta no Wolverhampton Foto: (Imago)

Quem às vezes passa despercebido, mas exerce papel fundamental para o sucesso do Wolverhampton é o brasileiro André. Mais do que as capacidades defensivas, o volante brasileiro funciona como um verdadeiro maestro de Vítor Pereira para fazer a conexão ao ataque.

Primeiro homem do meio-campo, André costuma se aproximar dos zagueiros quando o rival sobe a marcação para ser opção de passe. Em poucos toques, o volante consegue fazer os Wolves avançar um setor graças a sua visão de jogo privilegiada.

Mais adiante, o camisa 7 mapeia o jogo antes mesmo de ter a posse. Enquanto os companheiros de Wolves trocam passes, o brasileiro gira a cabeça de um lado para o outro para entregar a bola para alguém desmarcado e mais perto do gol.

Portanto, quando a bola chega no pé de André, ele já sabe exatamente o que fazer. A capacidade de virar o jogo com lançamentos precisos — geralmente para os alas — deixa o Wolverhampton em ótimas condições de fazer a infiltração pelos lados ou tentar o cruzamento.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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