Premier League

Escolhemos o melhor jogador da Premier League 2025/26

Arsenal campeão, United renascido e protagonistas espalhados pela tabela alimentam debate da temporada

A corrida pelo prêmio de melhor jogador da Premier League 2025/26 ajuda a contar a história da própria temporada inglesa. O Arsenal encerrou um jejum de 22 anos sem conquistar o campeonato, o Manchester United voltou à Champions League depois de meses turbulentos, e nomes de equipes fora do eixo tradicional também ganharam espaço entre os protagonistas do ano.

A lista de finalistas divulgada pela liga reflete esse cenário: Gabriel Magalhães, David Raya e Declan Rice representam o campeão Arsenal; Bruno Fernandes aparece como símbolo da recuperação do United; Erling Haaland e Antoine Semenyo entram pelo vice-campeão Manchester City; enquanto Morgan Gibbs-White personifica a ascensão do Nottingham Forest na briga contra o rebaixamento; e Igor Thiago se consolidou como referência ofensiva e homem-gol do surpreendente Brentford.

A votação popular foi encerrada na última segunda-feira (18), e o resultado oficial será definido pela combinação entre a escolha dos torcedores e a avaliação de um painel de especialistas da Premier League. Ainda assim, independentemente do anúncio da liga, alguns nomes parecem ter deixado marcas mais profundas na temporada do que outros.

Bruno Fernandes, o cérebro da reação do Manchester United

Bruno Fernandes celebra gol pelo United
Bruno Fernandes celebra gol pelo United (Foto: Allstar Picture Library / Imago)

A temporada do Manchester United esteve longe de ser linear. Houve troca de comando, ajustes táticos, atuações decepcionantes e momentos em que o time parecia incapaz de competir em alto nível. Em meio a esse cenário, Bruno Fernandes foi o ponto de estabilidade. O capitão assumiu responsabilidades técnicas e emocionais, sustentando a equipe nos momentos mais delicados e conduzindo a arrancada que terminou com a terceira colocação na Premier League.

Os números ajudam a explicar sua dimensão. Foram 20 assistências, marca histórica que o colocou ao lado de Thierry Henry e Kevin De Bruyne como os únicos jogadores a alcançar tal feito em uma única edição da liga inglesa. Soma-se a isso oito gols, participação constante nas jogadas decisivas e um volume criativo que poucos meias no futebol europeu conseguiram oferecer na temporada.

Mas limitar Bruno Fernandes às estatísticas seria insuficiente. Seu impacto no United passa pela forma como dita o ritmo das partidas. É o jogador que acelera quando o time precisa agredir, desacelera quando o jogo pede controle e encontra soluções técnicas em espaços apertados. Sua visão de jogo segue em elite absoluta.

A liderança também pesa na discussão. O português é um capitão respeitado dentro do clube, independentemente das mudanças de treinador e comissão técnica. Exigente consigo mesmo e com os companheiros, transmite competitividade em cada partida. Não é coincidência que a equipe tenha crescido justamente quando seu principal jogador atingiu o auge técnico da temporada.

Mesmo nos momentos em que o United produzia pouco coletivamente, ele encontrava maneiras de decidir. Seja em bolas paradas, inversões de jogo, passes verticais ou infiltrações na área, Bruno permaneceu relevante semana após semana.

Em uma Premier League marcada pelo equilíbrio, o melhor jogador da temporada precisa representar mais do que brilho individual. Precisa ser sinônimo de influência real sobre o destino de sua equipe. E nenhum atleta foi tão determinante para alterar o patamar competitivo do próprio time quanto Bruno Fernandes.

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Declan Rice, o motor do Arsenal campeão

Declan Rice em ação pelo Arsenal
Declan Rice em ação pelo Arsenal (Foto: David Klein / Sportimage / Imago)

O Arsenal encerrou um jejum de 22 anos sem conquistar a Premier League, e seria impossível explicar essa campanha histórica sem passar por Declan Rice. Contratado por cifras gigantescas em 2023, o volante inglês chegou cercado por expectativas e respondeu da maneira mais difícil possível: elevando o nível competitivo de todo o time.

Rice não é um jogador de estatísticas exuberantes. Seus quatro gols e cinco assistências não impressionam em comparação aos números ofensivos de outros concorrentes. Seu valor aparece em aspectos menos óbvios, mas fundamentais para transformar uma equipe talentosa e pressionada em campeã.

O meio-campista foi o pulmão do Arsenal durante toda a campanha. Cobriu espaços sem perder intensidade, protegeu a defesa, pressionou adversários e sustentou a circulação de bola com enorme precisão. Sua capacidade física virou uma marca registrada entre os torcedores, que passaram a chamá-lo de “cavalo” pela potência e pelo volume de jogo.

Taticamente, Rice deu ao Arsenal um equilíbrio raro.

Atuando tanto como volante mais posicional quanto em funções box-to-box, foi responsável por conectar defesa e ataque com naturalidade. Seus passes longos e mudanças de corredor abriram espaços importantes contra defesas fechadas, enquanto sua leitura defensiva permitiu ao time pressionar alto sem perder segurança.

Os números defensivos ajudam a dimensionar sua importância: 70 desarmes e 37 interceptações em uma equipe que terminou com a defesa menos vazada do campeonato. Rice foi essencial para proteger o sistema formado por Gabriel Magalhães, William Saliba e David Raya.

A liderança, por sua vez, apareceu nos momentos mais delicados da campanha. Quando a vantagem sobre o Manchester City diminuiu e a pressão aumentou, Rice assumiu papel vocal no elenco — foi flagrado incentivando os companheiros com um “ainda não acabou”.

O Arsenal de temporadas anteriores costumava desmoronar emocionalmente em corridas pelo título. Desta vez, encontrou maturidade competitiva — e muito disso passa pela personalidade do camisa 41.

Gabriel Magalhães, o líder da melhor defesa da Premier League

Gabriel Magalhães é pilar defensivo do Arsenal de Arteta
Gabriel Magalhães é pilar defensivo do Arsenal de Arteta (Foto: Craig Merce / Peak Action Photos / Imago)

Se Declan Rice foi o motor do Arsenal, Gabriel Magalhães representou a base de sustentação da equipe campeã. O brasileiro consolidou-se definitivamente entre os grandes zagueiros do futebol europeu ao liderar a defesa menos vazada da Premier League, setor que sofreu apenas 26 gols em toda a competição.

A evolução de Gabriel nos últimos anos impressiona pela combinação entre força física, maturidade tática e segurança técnica. Antes visto como um defensor agressivo, mas por vezes instável, tornou-se um zagueiro dominante em praticamente todos os aspectos do jogo.

Nos duelos físicos, poucos conseguem competir em igualdade. Gabriel vence pelo alto, impõe presença no corpo a corpo e raramente perde disputas em velocidade curta. Sua leitura de antecipação também cresceu consideravelmente. Os números reforçam essa consistência: 34 bloqueios, 23 interceptações e aproveitamento de 88% nos passes.

Além disso, venceu quase dois terços dos duelos disputados ao longo da Premier League. A saída de bola ganhou fluidez justamente pela capacidade do defensor de quebrar linhas com passes verticais e oferecer equilíbrio na construção desde trás.

Gabriel também foi decisivo ofensivamente. Marcou três gols e distribuiu quatro assistências, quase sempre em jogadas de bola parada, fundamento em que se transformou em arma constante do Arsenal. Sua impulsão e tempo de ataque à bola fizeram diferença em partidas travadas.

Dentro de campo, assumiu papel de liderança importante no sistema defensivo montado por Mikel Arteta. Organiza posicionamentos, orienta companheiros e transmite agressividade competitiva ao restante da equipe. Sua intensidade contaminou positivamente o setor defensivo do Arsenal durante toda a campanha.

Embora os holofotes normalmente recaiam sobre jogadores ofensivos, temporadas campeãs também são construídas por defensores capazes de sustentar rendimento alto durante meses. Gabriel Magalhães fez exatamente isso. Talvez não tenha tido o brilho midiático de outros candidatos, mas foi peça indispensável para recolocar o Arsenal no topo do futebol inglês.

Nossa escolha: Bruno Fernandes

Bruno Fernandes em ação pelo Manchester United
Bruno Fernandes em ação pelo Manchester United (Foto: Lee Keuneke/Every Second Media/Imago)

Bruno Fernandes, por exemplo, não foi somente o jogador mais criativo do campeonato. Foi também quem melhor sintetizou a capacidade de mudar o rumo de uma equipe durante a temporada. Em um Manchester United frequentemente instável, o português virou ponto de equilíbrio técnico e emocional. Liderou o time dentro de campo, empilhou participações decisivas e sustentou um nível de atuação que poucos conseguiram acompanhar na Inglaterra ao longo do ano.

Por isso, o capitão do United merece terminar 2025/26 como o melhor jogador da Premier League.

Declan Rice e Gabriel Magalhães, pilares do Arsenal campeão, aparecem logo atrás como menções honrosas.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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