Premier League

Mourinho: “É triste que nós tenhamos precisado de uma derrota tão dura para ter esse tipo de reação”

A semana do Tottenham foi pesada e difícil, mas acabou ao menos com uma boa notícia para sua torcida. Depois de perder do Arsenal fim de semana passado, no clássico do norte de Londres, e de ser eliminado pelo Dinamo Zagreb na Liga Europa no meio da semana, o time voltou a vencer na Premier League. Jogando em casa, os Spurs venceram o Aston Villa por 2 a 0, com gols do brasileiro Carlos Vinícius, titular pela segunda vez na liga, e do astro Harry Kane.

Sem Son Heung-min, machucaod, e Erik Lamela, suspenso, José Mourinho fez mudanças na equipe. Giovani Lo Celso foi escalado para atuar aberto, em um 4-4-2. Lucas Moura jogou aberto do outro lado, com Gareth Bale no banco. No centro do meio-campo, Tanguy Ndombélé e Pierre-Emile Hojbjerg. Japhet Tanganga voltou ao time titular como lateral direito mais defensivo, com Davinson Sanchez e Joe Rondon no centro e Sergio Reguillon pela direita. Carlos Vinícius, brasileiro que veio do Benfica, teve a sua segunda partida como titular na Premier League. Além disso, dois jogadores de 16 anos da base do clube foram colocados no banco: Alfie Devine e Dane Scarlett.

No Aston Villa, o técnico Dean Smith não teve mais uma vez o meia Jack Grealish, além do lateral esquerdo Kortney Hause. Ollie Watkins, convocado por Gareth Southgate para a seleção inglesa, foi titular no ataque do Villa. O brasileiro Douglas Luiz foi titular no centro do meio-campo. Matty Cash, elogiado pelo técnico da seleção inglesa, acabou tendo participação negativa na partida.

O primeiro gol saiu aos 28 minutos. Lucas Moura recuperou a bola, tabelou com Kane e, na linha de fundo, cruzou para trás. Carlos Vinícius, livre, só empurrou para a rede para fazer 1 a 0. No segundo tempo, aos 21 minutos, o árbitro marcou pênalti de Matty Cash sobre Kane. O camisa 10 mesmo cobrou e marcou 2 a 0. No fim, uma atuação de ótimo nível de Lucas Moura, um dos mais acionados, que criou mais chances, driblou, sofreu faltas e foi o jogador mais perigoso do Tottenham.

O Tottenham subiu para sexto, com 48 pontos, e está a três pontos do Chelsea, quarto colocado, e a um do West Ham, quinto. Está briga por uma vaga na Champions League, apesar de tantos resultados ruins desde dezembro. Por isso, a boa atuação do time animou o treinador José Mourinho.

O português foi muito duro com o seu elenco nas duas derrotas da semana. No começo da semana passada, disse que alguns jogadores importantes estavam se escondendo no jogo contra o Arsenal. Depois, na eliminação da Liga Europa, acusou os jogadores de falta de profissionalismo. Desta vez, ele deu crédito à recuperação aos jogadores, mas lamentou que foi preciso uma derrota pesada para que isso acontecesse.

“Foi um bom resultado. Crédito total aos jogadores. Uma atitude e esforço incríveis. Alguns dos rapazes foi quase como se fosse uma estreia, como Tanganga ou Rodon, que não tiveram muitos jogos. Alguns como Harry jogaram 120 minutos há 48 horas”, disse o treinador do Tottenham logo depois do jogo à Sky Sports. “Eles deram tudo. O time foi um time. O próximo desafio como time é não jogar assim como uma reação a um desempenho horrível. Jogar assim com esse estado de espírito, essa alma, deveria ser algo permanente”.

“Foi uma pena eu pude apenas fazer três mudanças. Se nós pudéssemos fazer oito, teríamos feito porque todo mundo estava no seu limite. Nós vimos cansaço e cãibras”, continuou o treinador. “Eu quero estar orgulhoso dos meus jogares, não importa o resultado. Eu estava orgulhoso dos jogadores durante a minha carreira muitas vezes depois de derrotas. Eu não estava orgulhoso na última quinta e no [estádio] Emirates. Eu não posso fazer isso sozinho. Eu tenho que fazer isso com o meu clube, com os jogadores no vestiário. Nesta noite eu estou realmente feliz com o que eles fizeram”.

“Isso é triste. Ok, eu estou feliz com isso, mas é triste que nós tenhamos precisado de uma derrota tão dura para ter esse tipo de reação”, disse Mourinho à BBC. “Isto não deveria ter sido uma reação, este deveria ser o nosso estado de espírito permanente, a alma permanente do time, e eu acho que o nosso próximo desafio é ter esse padrão em termos de esforço, comprometimento, sacrifício. Independentemente dos resultados, isto tem que estar sempre lá para dignificar os nossos trabalhos, as pessoas que nos amam, o clube e os torcedores”.

“Eu estou um pouco triste em perceber que nós podemos ter essa alma e não tivemos nas últimas partidas. Eu abro o meu coração, eu não poderia abrir mais do que eu fiz, não foi uma conversa sobre futebol, mas eu abri o meu coração como um cara com mais de 20 anos no futebol e muitas experiências, eu apenas me importo que eles fizeram isso e o próximo desafio como grupo é fazermos isso em todas as partidas”, afirmou ainda o treinador.

“Este time, eu não sinto que isso era uma necessidade, eu sinto que o time precisava de um espírito diferente, humilde, honesta, pessoas simples como Japhet, Rodon, Vinicius, os dois garotos de 16 anos no banco estão vivendo o sonho, você precisa de pessoas que se você os coloca no segundo tempo, eles estejam vivendo um sonho”, continuou Mourinho. “São grandes três pontos, agora rapazes desaparecem e voltam dois ou três dias depois da próxima partida e vamos torcer que eles voltem em boas condições”.

O Tottenham só volta a campo no dia 4 de abril, contra o Newcastle, pela Premier League. Depois, no dia 11, joga contra o Manchester United. Além da Premier League, os Spurs ainda jogam a final da Copa da Liga, no dia 24. O adversário será o Manchester City e a sede de títulos da equipe de Londres se estende desde 2008.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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