Premier League

Estreia de Conte na Premier League foi decepcionante, menos pelo resultado e mais pelo desempenho

Empate por 0 a 0 contra o Everton fora de casa não é o pior dos resultados, mas problemas na criação de jogadas soaram familiar demais com o time de Nuno Espírito Santo

O técnico Antonio Conte fez a sua estreia pelo Tottenham no meio da semana contra o Vitesse, pela Conference League, em uma vitória apertada e emocionante. Neste domingo, foi a estreia do treinador italiano à frente dos Spurs pela Premier League, mas o jogo não foi muito animador para os torcedores. A similaridade com o time de Nuno Espírito Santo foi grande demais: problemas para criar jogadas, falta de criatividade e poucos chutes a gol. O time sequer acertou um chute a gol ao longo de todo o jogo. Chutou oito vezes a gol no total.

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“Estou feliz com o empate, já que temos que começar”, disse Conte à Sky Sports depois do jogo. “Comecei a trabalhar com meus jogadores na quarta. Tivemos dois jogos que foram vitalmente importantes, já que precisávamos vencer na Conference League – queremos ser competitivos em todas as competições e darmos satisfação aos nossos torcedores. Então jogar contra o Everton fora de casa não é um bom lugar para ser adversário. Vi algumas situações nos aspectos táticos, mas as situações que gostei em que os jogadores queriam lutar. Essas foram as melhores notícias”.

“Para este momento, o resultado é bom. Precisávamos de um ponto para começar. Agora precisamos nos mantermos perto do quarto lugar e sermos competitivos para diminuir a diferença”, disse ainda Conte. “O jogo contra o Vitesse foi importante já que pudemos usar vídeos para mostrar aos jogadores o que queríamos. Certamente cometemos erros. Mas precisamos trabalhar e memorizar as situações com a bola. Precisamos entender muito bem quando avançarmos e pressionarmos para quebrar a linha defensiva. Normalmente não estou feliz depois de um empate, mas o trabalho é a única medicina para nós”.

Um lance capital da partida foi a marcação do pênalti a favor do Everton, que foi revertido após revisão no VAR. Richarlison recebeu em profundidade, avançou e caiu após uma dividida com o goleiro Hugo Lloris. Chris Cavenagh apontou o pênalti. Foi chamado pelo VAR para revisar o lance, que era de fato bastante duvidoso. Após revisar, o árbitro considerou que houve o toque de Lloris na bola antes de tocar em Richarlison.

Para Conte, a decisão do VAR foi correta. “Minha visão é muito simples: se o VAR chama e você vai e assiste, então é difícil cometer um erro. Eu vi Lloris tocar a bola antes. Cometer um erro assistindo no VAR é impossível e tenho certeza nessa situação que ele tomou a decisão certa”, afirmou o italiano.

O técnico do Everton, Rafa Benítez, não concorda. “Se essa falta acontece no meio-campo, não importa se ele tocou a bola ou não, já que Richarlison tocou depois que o goleiro tocou nele. No meio-campo é falta, então dentro da área tem que ser falta”, disse o espanhol.

É evidente que Conte não teve tempo ainda para ajeitar o time para que jogue de outra forma e isso evidentemente tem que ser levado em conta. Ainda assim, o que se viu em campo foi um equilíbrio entre os dois times que não se esperava, especialmente porque o Everton vinha muito mal e o Tottenham conseguiu um bom resultado no meio da semana, ainda que em um jogo um tanto caótico.

A falta de chutes a gol foi o que mais chamou a atenção. Não ter um chute no gol, que tenha acertado o alvo, é um desempenho horrível no ataque, similar ao problema que o time tinha com Nuno. Nenhum técnico tem varinha mágica que mude o time do dia para a noite, mas se alguém assistisse ao jogo sem saber que o time mudou de técnico, nem daria para identificar qualquer sinal que houve uma mudança de comando. Será preciso trabalhar muito, porque o time que foi visto em campo realmente não é melhor nem que o Everton – que vem em má fase.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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