Premier League

Hipocrisia no Newcastle: Eddie Howe reclama de Fair Play Financeiro da Premier League – entenda porque

Howe se mostrou incomodado com as regras do Fair Play Financeiro da Premier League enquanto Newcastle é colocado contra à parede

Em outubro de 2021, o Newcastle United foi comprado por um fundo de investimentos da Arábia Saudita por £ 300 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões à época). De lá para cá, os Magpies retomarem um protagonismo na Premier League, brigando ativamente por vaga em competições europeias. Não à toa, disputou a Champions League 2023/24, sendo eliminado ainda na fase de grupos.

E isso não seria possível se não fosse pelos investimentos do Newcastle nas últimas janelas de transferências. Desde então, os sauditas já gastaram £ 400 milhões (em torno de R$ 2,4 bilhões na cotação atual) em reforços. Contudo, os Magpies precisam ficar de olho no Fair Play Financeiro do campeonato, que já puniu o Everton com a perda de 10 pontos nesta temporada por infrações.

Em meio a esse cenário, o Newcastle freou sua gastança em janeiro, apesar da reabertura da janela de transferências. Isso porque os Magpies podem ser obrigados a vender um de seus melhores jogadores após prejuízo de mais de £ 70 milhões (aproximadamente R$ 433, milhões). E toda essa situação incomodou Eddie Howe, que reclamou das regras de rentabilidade e sustentabilidade da Premier League.

Em coletiva, o técnico do Newcastle falou sobre as normas do Fair Play Financeiro da competição dias antes da primeira indicação da liga, que vai confirmar se os clubes seguiram o regulamento na temporada 2022/23. Segundo o jornal The Athletic, os Magpies não devem ter violado a rentabilidade e sustentabilidade da Premier League nesse período, mas o orçamento foi afetado pela perda citada anteriormente:

“É uma frustração para todos os que estão ligados a nós (Newcastle) porque os proprietários são muito ambiciosos e gostariam de ajudar e melhorar o elenco em todas as oportunidades que tiverem. As regras não permitem isso. Estamos agindo da maneira que podemos”.

Entenda a reclamação de Howe no Newcastle sobre o Fair Play Financeiro da Premier League

Nas últimas três temporadas, o Newcastle teve um prejuízo de £ 155 milhões (cerca de R$ 959,1 milhões), cujo valor supera – e muito – o limite do Fair Play Financeiro da Premier League, que é de £ 105 milhões (em torno de R$ 649,7 milhões).

De acordo com balanço divulgado pelos próprios Magpies, foram £ 73,4 milhões (aproximadamente R$ 454 milhões) em perdas somente em impostos no ano fiscal 2022/23, que foi encerraro em junho do ano passado. Por conta disso, o fundo saudita pode ter que vender uma de suas estrelas para equilibrar as contas e não violar as regras de rentabilidade e sustentabilidade do campeonato.

Em entrevista recente ao jornal The Guardian, Darren Eales, presidente-executivo do Newcastle, não descartou a chance de ter que vender Bruno Guimarães, Alexander Isak, Sven Botman, ou qualquer outro atleta para saldar o déficit. Por outro lado, os Magpies podem aplicar uma espécie de “pedalada fiscal” para pagar o excedente de £ 50 milhões (cerca de R$ 309,3 milhões) para se encaixar no Fair Play Financeiro da Premier League.

Na explicação do próprio presidente, se os Magpies quiserem vender alguém por £ 50 milhões, a quantia entra como lucro no ano. Entretanto, se Eales decidir contratar um reforço pelo mesmo valor, o custo da transferência poderia ser distribuído por cinco temporadas. Resumindo, uma boa venda poderia colaborar para deixar as contas do Newcastle em dia, já que a chegada de outro jogador pode ser diluída em até cinco anos.

Fato é que os sauditas precisam ficar atentos às regras de rentabilidade e sustentabilidade da Premier League. Reclamação de Eddie Howe à parte, o Fair Play Financeiro serve para regular os investidores de bolsos cheios, que têm a capacidade de inflacionar o mercado, distorcer orçamentos e aumentar a distância (esportiva e econômica) entre os times que possuem donos e os que não são propriedade privada.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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