Premier League

Não satisfeita com o Newcastle, Arábia Saudita quer ampliar presença na Premier League

Membro da família real saudita teria feito proposta junto com grupo para aquisição do Everton

O projeto de poder do governo da Arábia Saudita em busca de lavar a imagem para o mundo com o futebol não para.

Após o fundo soberano do país, comandado pelo príncipe Mohamed Bin Salma, adquirir o Newcastle em dezembro de 2021, eles esperam receber a Copa do Mundo de 2034, além de vários outros projetos esportivos.

Agora, no horizonte há um novo investimento: outro clube da Premier League.

Segundo a BBC, um membro da família real saudita, parte de um consórcio internacional de investidores, fez uma proposta de 400 milhões de libras para adquirir o Everton, clube à venda desde que expirou o contrato de compra da 777 Partners, dona também do Vasco.

Como seria a proposta do membro da família real saudita para o Everton?

A oferta é liderada pelo advogado e empresário Vatche Manoukian, radicado em Londres, ao lado de um saudita não identificado da família real e de famílias com empreendimentos de alto padrão nos Estados Unidos.

O grupo trata o clube de Liverpool como um “gigante adormecido” na Inglaterra, vê potencial comercial no projeto pela construção do novo estádio e quer criar um projeto sustentável a longo prazo, sem incluir dívida adicional pelo capital investido.

Manoukian é sócio da IMS Digital Ventures, companhia de investimentos em tecnologia, e é próximo da poderosa família australiana Myer, que apoia o negócio na equipe inglesa.

O Everton pertence ao empresário iraniano Farhad Moshiri, que concordou em vender 94% do clube por 550 milhões de libras em setembro do ano passado para 777.

Mas a ausência de comprovações financeiras dos norte-americanos evitou o negócio, expirado em 31 de maio.

Textor saiu do negócio pelo Everton, enquanto novos interessados aparecem

John Textor, proprietário de Crystal Palace, Botafogo e Lyon, era um dos interessados no Everton. Ele assumiu isso em entrevista ao The Athletic no último mês, mas detalhou que era um negócio difícil.

Gostaríamos de ter um time da primeira ou segunda divisão do Reino Unido. […] Sim [tive conversas sobre a compra do Everton], com os constituintes existentes – diferentes grupos, credores, acionistas. Suspeito que o problema com o Everton é que não estará disponível quando estivermos prontos para isso. Não vamos apressar a situação no Palace, por melhor que pareça outra oportunidade. Quero estar envolvido num clube inglês que ganhe campeonatos; tipo, no topo da liga.

No fim, realmente desistiu. Segundo o jornal inglês The Sun, o motivo foi uma preocupação com “o caótico processo de venda” do clube de Liverpool.

Neste cenário, apareceram outros interessados. Uma delas é a empresa de investimentos MSP Sports Capital junto dos empresários Andy Bell e George Downing, torcedores do Everton. Recentemente, a dupla emprestou 150 milhões de libras aos Toffees.

Também está no páreo o americano Dan Friedkin, também dono da Roma, Michael Dell, fundador e presidente da empresa de tecnologia Dell, e Kenneth King, da empresa de investimentos A-Cap — esta, companhia polêmica que teria envolvimento com a 777 (entenda essa história aqui).

O futuro do Everton é incerto e o processo de aquisição normalmente leva tempo, precisando de aprovações do governo local e da liga.

Por que o acordo do Everton com a 777 deu errado?

Desde o início, o negócio entre os azuis do norte da Inglaterra e a 777 parecia bem improvável e tinham várias questões envolvendo a empresa americana, proprietária do também de Genoa e Hertha Berlim.

A companhia teve dificuldades em apresentar garantias financeiras para Premier League e, após o término do período da compra, foi obrigada a desistir da compra.

A 777 convive com polêmicas. É processada por fraude nos Estados Unidos e recentemente, no Brasil, viu a gestão associativa tomar o controle do Vasco após decisão da Justiça.

Os problemas não estão apenas no Vasco e na compra do Everton. Os sócios-proprietários Josh Wander e Steven Pasko foram afastados no último mês da gestão da companhia, que contratou especialistas em falência.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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