Com auxílio da Copa e do Brasil, Odegaard vira ‘reforço’ para melhorar o Arsenal
Meia norueguês retoma protagonismo não visto há muito tempo e seleção brasileira tem a ver com isso
A Copa do Mundo de 2026, incluindo a vitória sobre o Brasil, marcou a retomada de Martin Odegaard no futebol de alto nível. Não só porque o meia norueguês passou parte considerável dos meses anteriores lesionado, mas também por uma queda técnica acentuada no Arsenal, que conseguiu ser campeão inglês mesmo sem o brilho de seu capitão.
O camisa 8 só foi titular em 16 rodadas da última Premier League, número que ilustra como lesões musculares e problemas no joelho minaram qualquer continuidade. Quando esteve disponível, não era nem sombra do jogador que se tornou um dos melhores no futebol da Inglaterra por sua qualidade no passe e dinâmica que dava ao meio-campo dos Gunners.
— Na temporada passada, tive muitas dificuldades, com muitos momentos complicados. Acho que essa é a pior coisa para um jogador de futebol, não poder estar em campo. Tive várias lesões estranhas e também muito azar, mas agora me sinto bem e estou pronto para começar de novo — desabafou no último mês.
A partir de junho deste ano, porém, isso mudou, com a seleção norueguesa exercendo papel decisivo.
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Como a Copa do Mundo teve papel decisivo em retomar boa fase de Odegaard
Pela primeira vez desde 1998, a seleção norueguesa chegou para um Mundial. Era a maior oportunidade da carreira de Odegaard, aos 27 anos, por seu país. Parece que esse contexto, também precisando ser um protagonista junto de Erling Haaland, fez o meia atingir um nível não visto há algum tempo.
Não foi de imediato, é verdade. O jogador do Arsenal foi criticado na estreia contra o Iraque, apesar de uma assistência em um escanteio, por parecer fora de ritmo. Aos poucos, a grande fase do meia foi voltando e sua participação nos jogos aumentando.
Deu assistências nas vitórias sobre Senegal e Costa do Marfim até sua atuação de almanaque contra a seleção brasileira: ditou o ritmo com 124 ações com bola — mais do que o dobro na estreia –, apoiou a saída de bola a todo momento, conduziu a bola e direcionou ataques. A classificação não passou diretamente por seus pés, mas seu papel foi decisivo para os Vikings mandarem no jogo.
Odegaard novamente deu assistência contra a Inglaterra, foi o termômetro do time e acertou mais de 90 passes. Porém, a seleção norueguesa acabou eliminada. No fim, o selecionado sentiu orgulho. Para o meia, foi uma virada de chave.
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Odegaard inicia nova temporada com tudo no Arsenal
O Arsenal ganhou um “reforço” para a nova temporada sem precisar gastar. Odegaard voltou a ser aquele meia que encantou entre 2021 e 2024. Foi decisivo tanto para aparecer entre os volantes e começar os ataques, como para pisar na área para distribuir assistências ou marcar gols, normalmente mais à direita no campo.
Surgiu próximo do gol para concluir na área nas vitórias sobre Manchester City, Coventry e Chelsea. O clássico londrino foi especial por ele ter iniciado a jogada do próprio gol ainda no meio-campo, conectando o contra-ataque, e tendo criado chances com bola rolando e parada.
No jogo com os Citizens, que deu o título da Community Shield, construiu o lance do segundo gol, levantando na área para Christos Tzolis desviar antes de Kai Havertz marcar.
É um Odegaard dos velhos tempos: constrói, com cada toque feito sob medida para colocar o Arsenal para atacar, e também conclui, com uma boa leitura de onde aparecer. É uma das razões para os Gunners, burocráticos no último ano, estarem jogando de forma mais leve, ofensiva e até divertida de se assistir. O jogador justificou seu bom momento como “uma combinação de muitas coisas”.
— A temporada passada foi muito difícil para mim por causa das lesões. Primeiro, ganhar a liga aqui, depois ter uma boa Copa do Mundo, me sentir em boas condições físicas e, então, ter um bom período de descanso. Tudo isso me colocou em um bom momento — explicou.
Em quatro jogos na atual temporada, já marcou 3 gols, mais do que nas 36 partidas em 2025/26, quando marcou apenas uma vez. Se a boa fase continuar, pode ser a cara de um time que é favorito a tudo que disputa (Premier League, copas locais e Champions League, competição em que já foi vice-campeão na última temporada). Os Gunners estreiam no torneio europeu nesta quarta-feira (9), em visita ao Napoli, pela primeira rodada da fase de liga do torneio.