Estados UnidosInglaterraMLS

O xeique está chegando ao futebol dos Estados Unidos

O mundo dos xeiques milionários que compram times de futebol está próximo de chegar aos Estados Unidos. Uma das maiores fortunas do mundo, xeique Mansour, o executivo principal do grupo dono do Manchester City, está em negociações avançadas para ser a 20ª franquia da Major League Soccer, a MLS. A informação do New York Times é que o anúncio está próximo, embora nenhum dos envolvidos confirme.

Os planos de ter uma 20ª franquia na MLS não são novos. Em maio de 2012, a coluna de Estados Unidos falou sobre o assunto e quais eram as opções estudadas. Antes disso, em janeiro, o comissionário da MLS, Don Garber, já falava em um estádio em Nova York. Esse novo estádio de futebol está planejado para ser construído em Flushing Meadows, o mesmo parque onde fica o complexo de tênis usado no US Open, o último Grand Slam do ano. A capacidade do estádio seria de 25 mil pessoas, expansível para 35 mil. Falamos sobre esse plano de construção do estádio no ano passado.

A informação do jornal é que o xeique Mansour Bin Zayed al-Nahyan e sua empresa de investimentos, Abu Dhabi United Group, estaria disposta a pagar US$ 100 milhões para ser a dona da segunda franquia em Nova York. Atualmente, há o New York Red Bulls, que fica em Harison, em Nova Jersey. O grupo do xeique Mansour negou que estivesse negociando para a compra de uma franquia em dezembro.

É exatamente o que a liga quer: uma nova franquia, localizada no maior mercado dos Estados Unidos, Nova York. O que dificultava era o tamanho do investimento que teria que ser feito. Como dinheiro não é um problema para esse grupo, parece cada vez mais próximo que essa franquia seja uma realidade em breve.

O nome do time será New York FC e passará a jogar na MLS em 2016, segundo as fontes do jornal. O valor de US$ 100 milhões seria mais que o dobro do que os últimos times que entraram na MLS pagaram. O Montreal Impact pagou US$ 40 milhões para se tornar a 19ª franquia da liga, em 2012.

Há alguma oposição ao projeto em Nova York, porque custaria uma parte do espaço do parque. Ainda será preciso aprovação do legislativo. xeique Mansour e a MLS estão em discussões com o New York Mets, que tem estádio no mesmo parque, para usar o estacionamento do Mets Stadium em dias de jogos.

Para o Abu Dhabi United Group, ter uma franquia no futebol dos Estados Unidos seria uma forma de globalizar a sua marca e seus investimentos, além de criar um relacionamento político e econômico na cidade americana mais importante. Além disso, ainda teria uma vantagem esportiva: poderia desenvolver jovens talentos ou jogadores que não estão sendo aproveitados no Manchester City para ganharem tempo de jogo na MLS.

É preciso lembrar que as regras da MLS incluem teto salarial e um número limitado dos chamados jogadores designados, que podem ganhar acima desse limite. Ou seja: esqueça contratações milionárias e uma folha salarial gigantesca. Na MLS, isso não será possível. Mas o time terá condições de atrair bons jogadores e ter uma média salarial melhor que as outras franquias.

Um time forte em Nova York pode mesmo ser importante para aumentar a visibilidade desse esporte dentro do país. Atualmente, o público do futebol nos Estados Unidos se interessa mais pelo futebol internacional, especialmente europeu. Trazer um time com poder de investimento na cidade mais cosmopolita do país pode ser uma forma de cativar esses torcedores para atrair atenção para a liga local.

O futebol já tem uma média de público maior que a NBA e a NHL, que jogam em ginásios, e é maior também que a média de público do Campeonato Brasileiro (18.807 contra 12.983, usando os números de 2012). O que falta ao futebol nos Estados Unidos é audiência na TV. E isso será possível se a liga atrair a atenção dos torcedores de futebol que hoje só têm olhos para Liga dos Campeões e Premier League inglesa.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo