Inglaterra

O Sunderland, enfim, pode se alegrar: conquista o EFL Trophy, encerra o tabu em Wembley e aponta a novos tempos

O Sunderland possui um currículo recheado de títulos. Conquistou seis vezes o Campeonato Inglês e duas vezes a Copa da Inglaterra, ainda que não seja campeão na elite do país desde 1973. Neste momento, os Black Cats estão distantes de figurar até mesmo na primeira divisão e, por isso, seu novo troféu tem um valor importante ao clube, por mais que não seja o maior de sua história. Neste domingo, o Sunderland derrotou o Tranmere Rovers em Wembley e conquistou o EFL Trophy, torneio de mata-matas que concentra os times da terceira e da quarta divisão do Campeonato Inglês. Em meio às penúrias, a torcida espera que seja um símbolo do renascimento.

A derrocada do Sunderland nas últimas temporadas é famosa, com dois rebaixamentos consecutivos e as dificuldades para conquistar o acesso na League One. O encolhimento do clube também causou o impacto financeiro e os Black Cats mudaram de mãos, entre gestões que não absorveram as perdas. Neste início de ano, a agremiação ganhou novos donos, com a chegada do magnata Kyril Louis-Dreyfus. Ainda que o investimento só vá pingar no futebol na próxima temporada, o sinal dos novos ares acabou consumado com a conquista do EFL Trophy.

O Sunderland já tinha almejado a conquista em 2019, mas acabou perdendo a final para o Portsmouth, nos pênaltis. Já na atual campanha, os Black Cats caminharam firmes enquanto as negociações sobre a venda da agremiação corriam nos bastidores, eliminando adversários como Oldham, Port Vale e Milton Keynes Dons. Em meados de fevereiro, o novo dono seria oficializado exatamente um dia depois da vitória na semifinal, quando a equipe havia derrotado o Lincoln City nos pênaltis.

Na decisão, o Sunderland mediu forças com o Tranmere Rovers. Os Black Cats podiam ter o favoritismo por estarem uma divisão acima que os adversários da League Two, mas também precisavam lidar com os traumas em Wembley: o time não vencia uma partida sequer no estádio desde o título da FA Cup em 1973 – numa surpreendente conquista do representante da segundona contra o poderoso Leeds, graças a uma atuação lendária do goleiro Jim Montgomery. Desde então, o Sunderland tinha visitado o estádio em sete finais e perdido as sete, entre copas nacionais e disputas de acesso. Neste domingo, contudo, a sorte pesou para o lado alvirrubro.

Não foi uma final muito movimentada, com certo equilíbrio. O goleiro Lee Burge fez defesas importantes ao Sunderland e, aos 12 do segundo tempo, Lynden Gooch determinou a vitória por 1 a 0. Num ataque rápido, o americano aproveitou o espaço pela direita e definiu. No fim, os Black Cats ainda mandariam uma bola na trave, mas não fez falta. O time logo garantiria um título que também representa o alívio.

Curiosamente, o Sunderland assume a coroa de campeão do EFL Trophy apenas um dia após o Salford City conquistar o mesmo título. Por conta da pandemia, a final de 2019/20 seria adiada em quase um ano e acabou disputada na véspera da decisão referente a 2020/21. Nada que tire o brilho das equipes, cada uma com seu simbolismo. Enquanto o time dirigido pela “classe de 92” do Manchester United ressalta sua ascensão, o Sunderland busca um renascimento. Vence o torneio e deseja não disputá-lo nunca mais, se for possível.

Afinal, o EFL Trophy é um passo em busca do objetivo maior, o acesso na League One. Atualmente, o Sunderland é candidato a subir para a segunda divisão. A equipe ocupa a quarta colocação, na zona dos playoffs e a apenas dois pontos do acesso direto. É o time que menos perdeu no torneio e tem a melhor defesa, embora o excesso de empates atrapalhe o rendimento geral. No momento, os Black Cats vivem uma sequência invicta de nove partidas e acumulam quatro vitórias consecutivas. Os bons ventos reforçam a capacidade do clube, enquanto o novo troféu serve de motivação. Quem sabe, para os novos donos guiarem um trabalho em melhores condições na Championship já a partir de 2021/22.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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