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O Chelsea oferece a chance de ouro para Falcao voltar a brilhar

As declarações de José Mourinho já tinham evidenciado o acerto próximo. E, enfim, ele poderá começar a trabalhar na recuperação de Radamel Falcao García. O Chelsea anunciou nesta sexta o empréstimo de um ano do centroavante junto ao Monaco, em troca da cessão do meio-campista Mario Pasalic aos alvirrubros. Com a saída de Didier Drogba, os Blues trazem um novo nome para servir de opção a Diego Costa no comando de ataque, já que Loïc Rémy não vem desfrutando de tanto moral e parece também estar próximo de deixar Stamford Bridge. A questão é: até que ponto dá para acreditar no Tigre de Santa Marta?

Obviamente, a aposta do Chelsea serve para Falcao recuperar a sua confiança. E isso é fundamental, para quem parecia não ter nenhuma em Old Trafford. A falta de sequência e a espiral de desconfiança (indo parar até no time sub-21 e diminuindo sua efetividade com o passar das semanas) minaram os espaços do colombiano no Manchester United, ainda que este não fosse apenas o seu único problema. De fato, o centroavante parece longe da sintonia ideal após a lesão que custou sua participação na Copa de 2014. Sem a explosão de outrora, o astro também não demonstra o faro de gol que o tornou artilheiro absoluto no Porto e no Atlético de Madrid.

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Aos 29 anos, Falcao já não é mais um garoto. E sempre dependeu da força física para predominar dentro da área. Ainda assim, possui talento suficiente para se adaptar à nova realidade. O poder de fogo em suas finalizações é imenso, assim como a capacidade de posicionamento. Falta a paciência para a sua recuperação, algo que José Mourinho já demonstrou ter – talvez, até pela proximidade com Jorge Mendes, empresário de Falcao.

Será valioso para o atacante neste momento, até por se reencontrar com Diego Costa, com quem formou grande parceria nos tempos de Atlético de Madrid. Embora a tendência seja a de que os dois homens de área revezem dentro de campo, eles já demonstraram que podem muito bem atuar juntos. Além disso, as próprias características de Falcao o ajudam em Stamford Bridge. O futebol vertical e rápido do Chelsea exige um centroavante que aproveite as poucas chances e tenha explosão, como era o velho Tigre. Bem diferente da movimentação constante que se pedia no esquema mais cadenciado do Manchester United de Van Gaal. Além de tudo, o Chelsea é um time já pronto, ao contrário dos Red Devils da última temporada.

Durante a Copa América, no entanto, Falcao não aproveitou os créditos que tinha com José Pekerman e com a torcida. Mantido entre os titulares, mesmo com Carlos Bacca e Jackson Martínez em melhor fase, o atacante acabou indo ao banco ao longo da competição. É certo que o coletivo da Colômbia não funcionou tão bem, com o time jogando melhor pela entrega defensiva do que propriamente por seu potencial no ataque. Mesmo assim, o sumiço do Tigre na maior parte dos jogos não convenceu.

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Em sua primeira entrevista como reforço dos Blues, Falcao reiterou a empolgação: “Estou muito feliz e mal posso esperar para iniciar os treinos, ajudando o objetivo de conquistar o bicampeonato da Premier League e ter sucesso na Champions”. O centroavante, aliás, finalmente poderá disputar a principal competição europeia de clubes, da qual está distante desde 2009/10. Desde então, ao menos, se tornou o maior artilheiro da história da Liga Europa, com 21 gols em 23 partidas. Além disso, acabou com o Chelsea na final da Supercopa Europeia de 2012.

Por bola no pé, Falcao tem chances de se dar bem no Chelsea. Resta saber como será a sua atitude para se reinventar, especialmente se não recuperar o ápice físico de antes. Mourinho demonstra toda a confiança para recuperar o centroavante, que pode ser muito útil em seu esquema de jogo. Parece saber que não fará os torcedores dos Blues reviverem os maus momentos de Fernando Torres e Shevchenko. Até porque, apesar do alto salário, o custo do empréstimo de Falcao é bem mais baixo do que as frustradas contratações definitivas. Ele terá um ano para se provar e mostrar que realmente vale os milhões de Roman Abramovich.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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