‘Não estou em Dubai por dinheiro. Não quero que meus filhos cresçam na Inglaterra’
Aos 33 anos, Shelvey, ex-jogador do Liverpool e do Newcastle, atua na terceira divisão dos Emirados Árabes Unidos
A saída conturbada de Jonjo Shelvey da Premier League ainda rende comentários por parte dos torcedores e, até mesmo, do jogador. O meia, que hoje defende o Arabian Falcons, voltou a ser alvo de comentários na internet após perder um pênalti em uma partida da terceira divisão dos Emirados Árabes Unidos.
Com passagens por tradicionais times da Inglaterra como Liverpool, West Ham e Newcastle, o meia deixou a liga inglesa em 2024 após rescindir o contrato com o Nottingham Forest. Antes, o jogador havia passado por um empréstimo ao Caykur Rizespor, da Turquia.
Nas redes sociais, internautas passaram a questionar se a escolha de Shelvey em defender a equipe árabe seria por causa de dinheiro, se referindo aos altos valores investidos pelo país nas contratações.
O inglês rebateu os comentários em entrevista à “BBC Sports”, indicando que a liga não paga altos salários aos jogadores de divisões inferiores, e que a escolha pelo país não estaria ligada ao dinheiro.
–Não há dinheiro na Terceira Divisão dos Emirados Árabes Unidos. O salário padrão aqui é de 2 mil libras por mês (cerca de 14,5 mil reais) para um jogador de futebol. Em comparação com o que ganhei ao longo da minha carreira, isso não é nada. Meu irmão ganha mais trabalhando em um hotel em Londres, então nunca foi uma questão de dinheiro vir para cá — declarou.

Os motivos de Shelvey ir para Dubai
Após um teste mal sucedido no Hull City, Shelvey sofreu uma lesão no tendão da coxa, implicando nas suas chances de garantir uma transferência durante o verão europeu.
Durante o período de recuperação, o meia recebeu a ligação do técnico do Arabian Falcons, Harry Agombar, um amigo de infância do inglês.
No contato, o treinador pediu que Jonjo se mudasse para Dubai para ajudar a “fazer o clube crescer”.
Para além de enxergar uma nova oportunidade no futebol, Jonjo relatou ser o momento para criar os filhos em uma outra cultura e ambiente. Na visão do jogador, a cidade natal não oferece segurança para a sua família.
— Para ser sincero, não quero mais que meus filhos cresçam na Inglaterra. Temos muita sorte de morar em uma região agradável do Reino Unido, mas de onde eu venho, na minha opinião, não se pode ter coisas boas. Eu nunca mais usaria relógio em Londres. Na minha opinião, você não pode andar com o celular em Londres — explicou.

A “BBC Sports” informou que cerca de 80 mil celulares foram roubados em Londres no ano passado, de acordo com a Polícia Metropolitana, além de alguns casos de roubo de grande repercussão na capital nos últimos 12 meses.
Ainda segundo o jornal inglês, o ex-piloto de Fórmula 1 Jenson Button e sua esposa Brittany tiveram uma mala em objetos de valor (avaliada em cerca de 250 mil libras) roubada do lado de fora da estação St. Pancras em fevereiro.
De acordo com a Agência France Press (AFP), Dubai passou a ser o foco de milionários que foram atraídos pela ausência de impostos sobre rendas e a oportunidade de um estilo de vida luxuoso. A cidade já conta com 81.200 milionários e 20 bilionários, o que a torna uma das 20 mais ricas do mundo.
Apesar dos luxos e ostentação, a península recebe constantes acusações de violação dos Direitos Humanos.
Em 2025, o britânico Ryan Cornelius — preso em Dubai há mais de 16 anos — fez um apelo ao Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, denunciando condições desumanas na prisão e alegando que está sendo alvo de abusos por parte de agentes penitenciários do país árabe.

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Shelvey e a paixão pelo Newcastle
Apesar de optar pela mudança, o jogador de 33 anos afirmou que o nordeste inglês era “o único lugar onde ele gostaria de viver”.
— Há um debate sobre se o Newcastle é capaz de atrair os grandes jogadores em comparação aos clubes de Manchester e de Londres, mas até você ir lá, você não entende o que isso faz com você — afirmou.
Shelvey tem uma forte relação com o clube inglês, que defendeu ao longo de sete temporadas e chegou a ser capitão em algumas ocasiões. Além de permanecer na equipe após o rebaixamento, em 2016, e fazer a sua parte para levar o Newcastle de volta à elite, Shelvey também ajudou a garantir que o clube permanecesse na primeira divisão.
— Você não encontrará amor em um clube de futebol como eu encontrei no Newcastle, pela forma como eles tratam seus jogadores e o quanto eles te apoiam — disse.



