‘Você não acreditaria’: Milner revela como Klopp levava jogadores do Liverpool ao limite
Ex-meio-campista relembrou sessões intensas, viagens pela Ásia e o alto nível de cobrança do técnico alemão
James Milner viveu de perto uma das fases mais vitoriosas da história recente do Liverpool. Contratado pelo clube em 2015, no mesmo ano em que Jurgen Klopp assumiu o comando, o então meio-campista acompanhou a transformação dos Reds em uma equipe capaz de disputar e conquistar os principais títulos da Europa e da Inglaterra.
O inglês, porém, também conheceu o outro lado do trabalho do treinador alemão: a exigência diária, os treinos intensos e uma pré-temporada que, em determinados momentos, parecia feita para levar os jogadores ao limite.
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Milner deixou Anfield em 2023, um ano antes da saída de Klopp, depois de oito temporadas no clube. Nesse período, foi peça importante de um time que conquistou a Champions League, a Premier League, a Copa da Inglaterra, a Copa da Liga Inglesa, o Mundial de Clubes e a Supercopa da Uefa.
Aos 40 anos, depois de uma passagem pelo Brighton, o ex-jogador anunciou a aposentadoria ao fim de 2025/26. Klopp, por sua vez, assumiu como Chefe de Futebol Global do grupo Red Bull, cargo que deixou em julho desse ano para assumir a seleção alemã.
Klopp transformava turnês em testes de resistência
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Em entrevista ao podcast “The Good, The Bad & The Football”, Milner voltou aos tempos de Liverpool e revelou detalhes das turnês de pré-temporada comandadas por Klopp. As viagens pela Ásia tinham uma preparação específica para tentar reduzir os efeitos do fuso horário. O grupo não seguia exatamente o horário do país visitado nem mantinha integralmente o horário inglês. A rotina era organizada em um meio-termo para facilitar a adaptação ao fuso.
Na prática, entretanto, isso significava começar o dia com uma carga física considerável. Milner contou que os jogadores eram levados para correr antes mesmo do café da manhã, em um horário que, para quem estava no país da excursão, coincidia com o período mais quente do dia.
— Não estaríamos no fuso horário deles, nem no horário inglês, estaríamos em algum lugar no meio, então o jet lag não seria tão ruim. Então, o cronograma da turnê acabou sendo assim: acordávamos direto para uma sessão de corrida antes do café da manhã.
A situação ficava ainda mais desconfortável depois do treinamento. Milner recordou que, após correrem sob forte calor, os jogadores entravam no ônibus para enfrentar o trânsito sem que o ar-condicionado fosse ligado.
— No horário da turnê, eram 12h30, 13h, a parte mais quente do dia. Então estávamos dando voltas na pista. A parte mais quente do dia. Estava um calor infernal. Entramos no ônibus e ele não deixou a gente ligar o ar-condicionado.
— Então tivemos que ficar cerca de meia hora presos no trânsito, com todo mundo derretendo de calor e sem ar condicionado. Não sei se foi porque ele achou que íamos sentir frio ou por algum outro motivo.
Klopp fazia da exigência uma marca registrada no Liverpool
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O relato de Milner mostra como a preparação física ocupava um espaço central na metodologia de Klopp. As turnês, normalmente associadas a compromissos comerciais e adaptação gradual para o início da temporada, também serviam para estabelecer rapidamente o nível de exigência que o treinador esperava do elenco.
Para um jogador experiente como Milner, acostumado a diferentes treinadores e métodos ao longo da carreira, a dureza dos trabalhos não era apenas uma característica passageira da pré-temporada. Segundo ele, os padrões estabelecidos por Klopp permaneciam presentes na rotina do Liverpool e ajudavam a definir o comportamento do grupo.
E foi essa consistência que ele apontou como uma das principais diferenças do alemão. Para o ex-meio-campista, não havia uma personalidade construída especificamente para as entrevistas ou para os momentos diante das câmeras. O Klopp que aparecia publicamente era, essencialmente, o mesmo profissional que os jogadores encontravam diariamente.
— Sim, acho que o grande trunfo do Jurgen era o fato de que ele era exatamente o que parecia. Algumas pessoas são muito diferentes diante das câmeras, na frente das câmeras e atrás das câmeras. Ele era exatamente o que você vê: muita energia, exigia altos padrões em tudo o que fazia.
Essa cobrança também se refletia diretamente nos treinamentos. Milner descreveu a adaptação aos métodos do técnico como particularmente dura para quem chegava ao grupo. A intensidade não era apresentada como uma exceção, mas como parte da rotina necessária para acompanhar o nível exigido por Klopp.
— Os padrões dele são ótimos, contagiantes, obviamente, e os treinos eram realmente difíceis quando você chegava pela primeira vez. Tipo, você não acreditaria nas pessoas vomitando na lateral do campo, e sim, era implacável.
A lembrança ganha peso quando parte de um atleta como Milner, cuja carreira foi marcada pela longevidade, versatilidade e capacidade de cumprir diferentes funções. No Liverpool, essas características fizeram dele uma peça confiável durante praticamente toda a era Klopp, inclusive em períodos nos quais o treinador precisava alternar posições e administrar um calendário pesado.