Manchester United: Esses três problemas explicam por que o alerta está ligado
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Quando Michael Carrick conduziu o Manchester United da 15ª colocação ao terceiro lugar em apenas 17 jogos da Premier League na temporada passada, a dúvida não era se ele merecia o cargo em definitivo. Era se as circunstâncias extraordinárias que produziram aquela reação notável poderiam ser repetidas, ou se tudo não passava de um sonho passageiro.
O United não tinha mais nada a disputar quando Carrick assumiu o comando em janeiro. Sem competição europeia a disputar, sem sequência na copas, sem congestionamento de calendário, apenas o Campeonato Inglês, semana após semana, com tempo e clareza para construir algo.
Ele somou 39 pontos naqueles 17 jogos. Ninguém na Inglaterra somou mais pontos no mesmo período. Old Trafford voltou a sonhar.
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Quatro jogos após o início da nova temporada, porém, o sonho parece bem menos certo. Uma vitória, diante do recém-promovido Ipswich, em casa. Derrotas para o Hull City e, de forma mais preocupante, por 1 a 0 em casa para um Manchester City com um jogador a menos, apesar de o United ter contado com vantagem numérica por 67 minutos.
Um empate por 2 a 2 fora de casa contra o Everton, em que o United chegou a liderar o placar duas vezes e sofreu o empate nos minutos finais. Quatro pontos em quatro jogos e um pedido de desculpas do ProRef por um gol polêmico de Erling Haaland que deveria ter sido anulado por impedimento.
“Não há como fugir disso”, admitiu Carrick após o clássico. “Quatro pontos em quatro jogos está abaixo do esperado.”
A Trivela analisa três fatores que estão dando errado à medida que a pressão cresce em Old Trafford.
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1. A identidade tática do Manchester United sem a bola
Jamie Carragher foi direto em sua coluna no “Telegraph” na semana passada. “Maresca, Alonso e Iraola já estabeleceram identidades que tornam mais fácil categorizá-los. Até agora, é difícil definir o futebol de Carrick além da esperança de que ele restaure os valores ofensivos tradicionais das grandes equipes de Sir Alex Ferguson.”
Essa falta de definição ficou dolorosamente visível nas primeiras semanas. Contra o Manchester City, o United não conseguiu se impor em uma partida que deveria ter dominado desde a expulsão de Phil Foden, aos 23 minutos. A equipe de Carrick teve apenas três finalizações em 67 minutos com vantagem numérica, uma estatística tão contundente que dispensa maiores explicações.
Não havia um plano claro para romper um bloco defensivo baixo e compacto contra dez jogadores: sem amplitude, sem movimentação nas costas da defesa, sem urgência.
O problema não é novo. O United de Carrick é uma equipe de contra-ataque, extremamente eficiente quando o adversário vem para cima, mas exposta taticamente quando precisa ser ela mesma a propor o jogo. Contra um Manchester City disposto a ceder a posse e sair em velocidade, foi o pior confronto tático possível. E Carrick não teve resposta.
2. A dificuldade do Manchester United em administrar vantagens no placar
O United já falhou em vencer partidas em que estava à frente do placar duas vezes em quatro jogos do campeonato, um padrão que levanta dúvidas sobre a gestão de jogo e a organização defensiva na hora de proteger um resultado.
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Contra o Everton, a equipe de Carrick abriu vantagem com gols de Bryan Mbeumo e Benjamin Sesko, apenas para sofrer um empate nos minutos finais que parecia totalmente evitável. A forma como o gol saiu, com o United recuando demais, convidando a pressão adversária e perdendo a organização defensiva, foi consequência direta de uma equipe que ainda não sabe administrar uma partida nos minutos finais. As substituições foram lentas, a postura passiva, as instruções pouco claras.
Esse também não é um problema novo. Ele remonta à temporada passada, quando o United de Carrick era melhor em jogos abertos e de ritmo intenso, mas mostrava vulnerabilidade sempre que precisava administrar um resultado. Na Premier League, pontos perdidos em posições de vantagem costumam ser a diferença entre brigar pelo título e lutar por uma vaga entre os quatro primeiros. O United não pode se dar ao luxo de continuar cometendo o mesmo erro.
3. A reação do United na temporada passada foi construída em cima de circunstâncias favoráveis
Havia um fator importante por trás da sequência impressionante do United na temporada passada. Quando Carrick assumiu o comando, o clube já havia sido eliminado da Copa da Inglaterra, da Copa da Liga Inglesa e das competições europeias. Isso permitiu que o United se concentrasse quase inteiramente na Premier League, com um calendário relativamente livre, dando a Carrick mais tempo para preparar a equipe e manter a consistência.
Essa vantagem desaparece em 2026-27. A Champions League voltou a Old Trafford: o United venceu o Sabah por 4 a 0 no meio de semana, resultado que levantou o ânimo momentaneamente antes de o dérbi desfazer esse efeito novamente. Mas os mais de 20 jogos adicionais nesta temporada representam um desafio completamente diferente de tudo o que Carrick administrou na temporada passada.
Rodízio de elenco, profundidade no time e gestão de carga física agora são tão importantes quanto as decisões táticas, e já existem dúvidas sobre se o elenco do United tem profundidade suficiente para sustentar o desempenho em várias frentes.
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As chegadas de Youri Tielemans e Andrey Santos foram pensadas para resolver a falta de profundidade no meio-campo, e ambos já mostraram lampejos de qualidade. Mas com Bruno Fernandes ainda sendo a principal força criativa em torno da qual tudo passa, e ainda ocasionalmente a origem das fragilidades estruturais, Carrick ainda não resolveu os problemas estruturais que já existiam antes de sua chegada. Ele apenas conseguiu contorná-los.
Espaço para otimismo no Manchester United, mas há perguntas a responder
Nada disso significa que Carrick seja o homem errado para o cargo. O talento no elenco do United é genuíno, e quatro jogos são uma amostra pequena demais para tirar conclusões definitivas.
Mas os sinais de alerta são reais, e as dúvidas que crescem em torno de Old Trafford são as mesmas que atormentam o United há praticamente toda a última década: identidade tática, gestão de jogo, dependência excessiva de um único jogador e um elenco que parece curto quando o calendário se acumula.
A reação de Carrick na temporada passada foi real. Se ela era sustentável sempre foi a questão. Neste momento, a resposta está longe de ser clara.