‘O Chelsea gastou 1 bilhão de libras e não tem um jogador no banco para impactar jogos’
Ídolo dos Blues, Mikel expõe contradição entre gasto bilionário e falta de competitividade do clube londrino
As críticas de John Obi Mikel ao momento do Chelsea ecoaram com força após a derrota por 3 a 0 para o Manchester City, em Stamford Bridge. Em seu podcast “The Obi One”, o ex-volante foi direto ao ponto ao questionar não somente o desempenho em campo, mas, sobretudo, a lógica por trás do projeto esportivo do clube.
— Gastamos mais de 1 bilhão de libras e não temos nenhum jogador que possa sair do banco para impactar os jogos. Nenhum, zero. Alguns deles, quando estou assistindo ao jogo e eles entram, eu penso: ‘quem diabos é esse? Eu não sei quem diabos é esse!’.
A fala resume uma percepção que vem se tornando cada vez mais comum: apesar do investimento massivo, o elenco dos Blues carece de referências imediatas — especialmente aquelas capazes de mudar o rumo de partidas grandes. Mikel, que fez parte de um Chelsea acostumado a decisões e títulos, evidencia um contraste incômodo entre o passado recente e o presente.
Chelsea: um projeto bilionário — e desconectado do campo
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Desde a aquisição do clube, em maio de 2022, pelo consórcio liderado por Todd Boehly e pela Clearlake Capital, sob a gestão da BlueCo, o Chelsea passou por uma reformulação profunda. A política de contratações mudou radicalmente: jovens talentos, contratos longos (frequentemente entre sete e oito anos) e uma estratégia voltada à valorização de ativos dentro das regras do Fair Play Financeiro.
O problema, como sugere Mikel, é que o retorno esportivo não acompanha o investimento financeiro.
— O Real Madrid, ano após ano, eles continuam trazendo jogadores de topo, de topo. O Manchester City, também. Eu olhei para alguns dos jogadores que entraram em campo pelo Chelsea e eu não sabia quem eles eram. Sem desrespeito a eles — disse o ex-volante.
A comparação com Real Madrid e Manchester City não é casual. Ambos representam modelos mais equilibrados entre presente e futuro — capazes de renovar o elenco sem abrir mão de jogadores consolidados e decisivos.
Já o Chelsea parece ter mergulhado em um projeto quase exclusivamente prospectivo, apostando em desenvolvimento a longo prazo enquanto sacrifica competitividade imediata.
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Instabilidade e cobrança crescente
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Outro ponto central da era BlueCo é a instabilidade no comando técnico. Em menos de quatro anos, nomes como Thomas Tuchel, Graham Potter, Mauricio Pochettino e Enzo Maresca passaram pelo cargo, evidenciando uma busca constante por um perfil que se encaixe na estrutura idealizada pela diretoria — muitas vezes com menor autonomia e maior alinhamento ao modelo de gestão.
Mesmo com conquistas recentes, como a Conference League 2024/25 e o Mundial de Clubes de 2025, a sensação geral permanece de desalinhamento. Os resultados são irregulares, o elenco parece desconexo e a identidade esportiva segue indefinida. E é nesse contexto que Mikel amplia o alcance de suas críticas, direcionando-as diretamente à cúpula do clube:
— Os donos têm a mentalidade certa e a ideia certa para o clube? Não temos tempo, o Chelsea não tem tempo. É sobre vencer, os torcedores exigem isso. Nós exigimos isso. Temos que responsabilizar os proprietários.
A cobrança reflete um conflito claro entre dois tempos: o do mercado financeiro, que aceita maturação e valorização gradual de ativos, e o do futebol de elite, onde a pressão por resultados é imediata. Até agora, o Chelsea parece preso entre esses dois mundos — gastando como protagonista, mas performando como um projeto em construção.
A temporada 2025/26 do Chelsea
- Sexto colocado da Premier League, com 48 pontos ganhos em 32 rodadas
- Eliminado pelo PSG nas oitavas de final da Champions League (8 a 2 no agregado)
- Eliminado pelo Arsenal na semifinal da Copa da Liga Inglesa (4 a 2 no agregado)
- Semifinalista da Copa da Inglaterra (enfrentará o Leeds United)