Inglaterra

‘Os métodos de treino de Arteta no Arsenal tendem ligeiramente para o constrangedor’

Entre ideias fora do padrão e resultados em queda, técnico dos Gunners volta a ser questionado na hora decisiva — e vê pressão crescer dentro e fora de campo

O Arsenal chega ao momento mais sensível da temporada cercado por ruídos — alguns vindos de fora, outros criados internamente. A derrota por 2 a 1 para o Bournemouth, no Emirates, não foi apenas um tropeço inesperado: expôs um time que parece sentir o peso da reta final mais uma vez. Com o Manchester City com um jogo a menos e agora a apenas seis pontos, o confronto direto no Etihad ganha contornos decisivos.

Para Mikel Arteta, seria o quarto ano consecutivo batendo na trave. E, desta vez, não se trata apenas de desempenho em campo. O debate sobre os métodos do treinador espanhol ganhou força justamente quando o time mais precisava de estabilidade.

Por que os treinos do Arsenal são alvos de críticas?

As críticas mais contundentes vieram de Gary Lineker. O ex-atacante, hoje uma das vozes mais influentes da mídia inglesa, questiona não exatamente a busca por inovação, mas o timing e a forma como ela é apresentada.

Para ele, há uma linha tênue entre tentar algo diferente e transformar isso em espetáculo — especialmente quando os resultados não acompanham. Em seu podcast “Rest in Football”, Lineker sugeriu que o Arsenal tem “chamado atenção demais para si mesmo”, citando treinos com elementos pouco usuais, como o uso de canetas em dinâmicas coletivas e a exibição de vídeos de TikTok durante as sessões.

— O Arsenal está brigando entre si. Os métodos de treino de Arteta tendem ligeiramente para o constrangedor, ouso dizer. Eles estão todos carregando canetas esferográficas para cima e para baixo, e também estão passando vídeos do TikTok em telões durante o treino.

A crítica central não é sobre criatividade, mas sobre gestão de pressão. Em momentos decisivos, diz ele, o caminho mais seguro costuma ser o mais simples: reduzir ruídos, manter rotinas e evitar qualquer sinal externo de instabilidade. Quando um time em disputa pelo título passa a parecer experimental demais, abre espaço para interpretações incômodas — como a de que a tensão está influenciando decisões.

— E eu fico pensando: ‘Você está fazendo as coisas de forma diferente. Não faça as coisas de forma diferente’. Se você está na disputa, precisa manter a calma’. É isso que sempre fazemos, o treinamento é algo normal. É o que fazemos e, de repente, você está fazendo as coisas de um jeito um pouco diferente.

— Você está mostrando ao mundo que a pressão está te afetando. Se você for fazer algo diferente, faça em casa. Mantenha em segredo. Certifique-se de que ninguém esteja filmando — concluiu Lineker.

Arteta, por sua vez, defende a proposta. Para o treinador, cada exercício carrega uma mensagem, seja sobre foco, compromisso coletivo ou tomada de decisão sob pressão. A ideia não é entreter, mas provocar estímulos diferentes em contextos controlados. Ainda assim, o efeito colateral é inevitável: quando essas práticas vêm a público, tornam-se parte da narrativa — e, em caso de derrota, combustível para críticas.

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O velho problema do Arsenal na hora decisiva

Jogadores do Arsenal durante derrota para o Bournemouth
Jogadores do Arsenal durante derrota para o Bournemouth (Foto: Paul Marriott / Imago)

O incômodo maior, no entanto, não está nos métodos em si, mas no padrão que se repete. O Arsenal vive seu momento mais instável justamente quando a temporada afunila. Nas últimas semanas, perdeu a final da Copa da Liga para o Manchester City, caiu diante do Southampton na Copa da Inglaterra e, embora tenha vencido o Sporting fora de casa pela Champions League, voltou a oscilar na Premier League.

A sensação é familiar: um time competitivo, capaz de dominar longos trechos da temporada, mas que perde consistência quando a margem de erro desaparece. E, nesse contexto, qualquer elemento fora do padrão — por mais bem intencionado que seja, como os treinos inusitados — passa a ser questionado.

Arteta já havia recorrido a estratégias incomuns antes, como simular ambientes adversos com estímulos sonoros ou até contratar especialistas para testar a atenção dos jogadores. Em momentos de vitória, essas histórias reforçam a imagem de um técnico inventivo. Em fases negativas, ganham outro peso — o de distrações desnecessárias.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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