Meu Time de Botão: Liverpool de 1988/89 foi bem mais que a tragédia de Hillsborough
Por Leandro Iamin e Paulo Júnior
A temporada 1988/89 do Liverpool já seria inesquecível considerando apenas os resultados de campo. Afinal, os Reds venceram, na prorrogação, os rivais do Everton na final da Copa da Inglaterra, e deixaram escapar, em casa, a liga inglesa no último minuto da última rodada, dentro de casa em confronto direto pelo título, que ficou com o Arsenal. Euforia e depressão em curto espaço de tempo para torcedor nenhum botar defeito.
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Esta temporada, no entanto, entrou para a memória do mundo do futebol como o do desastre de Hillsborough, quando 96 torcedores do Liverpool foram mortos antes do duelo entre os Reds e o Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra. Por 27 anos as famílias e amigos das vítimas trabalharam pela justiça aos mortos, responsabilizados pelo que aconteceu. Só na última terça, dia 26, conseguiram. O juri que trabalhou no inquérito definitivo sobre a tragédia concluiu que os torcedores não possuem qualquer culpa pelo desastre em Hillsborough e assim, finalmente, a temporada 88/89 pode terminar.
Tanta história rendeu uma edição especial do programa Meu Time de Botão, com Leandro Iamin e Paulo Júnior, na Central 3, que lembrou de toda a temporada do Liverpool nestes meses de muita emoção dentro e fora de campo, e recordou algumas curiosidades da campanha.
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Todas as emoções possíveis
Aquele Liverpool era treinado por Kenny Dalglish, o King Kenny, maior ídolo da história do clube. Dalglish ainda estava em forma e, embora tivesse parado de jogar regularmente em 86, chegou a jogar duas partidas nesta temporada.
Foi Dalglish que idealizou, para aquele ano, um Liverpool diferente do tradicional, atuando em um 4-3-3 para caber Aldridge (irlandês), Beardsley e a contratação da temporada, o galês Ian Rush, estrela do passado do clube, repatriado por £ 2,8 milhões após passagem pela Juventus. Estes três tinham a brilhante companhia de John Barnes, outra das maiores lendas do clube, meia nascido na Jamaica e consagrado dentro do clube.
Era um elenco muito identificado com o clube. Para se ter uma ideia, se olharmos os 11 titulares que atuaram no Liverpool x Nottingham após a tragédia de Hillsborough, a média é de 333 jogos pelo Liverpool por jogador – o que atuou menos vezes, Aldridge, entrou em campo de vermelho 107 vezes. Sinais de um futebol menos frenético no mercado, bem diferente do que acontece hoje no país.
Hillsborough significou uma pausa indesejada para o Liverpool no futebol inglês, já que a equipe acabara de atingir a liderança da liga. Na volta, o elenco pisou no acelerador para não desabar no clima de luto, e o resultado disso foi uma série de partidas históricas e decisões que ficaram pra posteridade. Derrotas doloridas, vitórias em grande estilo e participação direta no momento mais delicado do futebol britânico: assim foi o Liverpool de 1988/89.
O Meu Time de Botão, que você pode ouvir abaixo, é produzido pela Central 3 e é apresentado por Leandro Iamin e Paulo Junior, que passam a limpo escalações, campanhas e momentos históricos do futebol. Neste podcast, os jornalistas Irlan Simões e Mario Marra também participam e contextualizam a campanha e a tragédia.
Ouça:
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