‘Alto nível’: Matheus Cunha é comparado à lenda histórica por ídolo do Manchester United
Paul Ince vê personalidade, protagonismo e maturidade no atacante brasileiro após atuação decisiva em Old Trafford
Paul Ince, ex-meio-campista do Manchester United, não poupou elogios a Matheus Cunha e foi além ao traçar um paralelo de peso: o brasileiro, segundo ele, carrega traços que remetem a Eric Cantona, uma das maiores lendas da história dos Red Devils.
Contratado no último verão europeu por 62,5 milhões de libras junto ao Wolverhampton, Cunha viveu, nesta segunda-feira (15), sua atuação mais marcante com a camisa do clube de Manchester. No eletrizante empate por 4 a 4 com o Bournemouth, o atacante teve papel decisivo no setor ofensivo e deixou sua marca ao anotar o quarto gol do United, já nos minutos finais da partida.
Escalado como centroavante, o camisa 10 dos Red Devils mostrou presença, mobilidade e precisão. O gol, seu segundo na temporada, coroou uma exibição consistente e foi determinante para a reação da equipe em Old Trafford, reforçando sua importância no desenho ofensivo de Ruben Amorim.
O desempenho chamou muito a atenção de Ince. Em entrevista ao site de apostas “Covers.com”, o ex-jogador definiu Cunha como um atleta de “alto nível” e destacou sua rápida adaptação ao clube. Para ele, o investimento feito pelo United já começa a se justificar dentro de campo.
— Matheus Cunha me lembra Eric Cantona pela maneira como joga — disse Ince, que não foi o primeiro a comparar o brasileiro ao ícone francês dos Red Devils.
— Cunha é um jogador de alto nível. Ele evoluiu muito desde que chegou ao Manchester United. 62,5 milhões de libras foi uma quantia considerável para se gastar em um jogador, mas ele já está provando ser uma ótima contratação.
Ince também mencionou Bryan Mbeumo, outro reforço elogiado, mas ressaltou que Cunha teve impacto mais imediato. Para o ídolo inglês, o brasileiro iniciou sua trajetória em Old Trafford com autoridade, dando sinais claros de que pode ser uma peça central no projeto esportivo do clube.
— Bryan Mbeumo também se saiu bem com a camisa do United, mas Cunha começou com o pé direito mais rápido. Cunha joga com uma atitude que demonstra que ele pertence ao Old Trafford, o que é ótimo de se ver.
Matheus Cunha entre protagonismo e pressão

Paul Ince foi além ao apontar o grau de influência de Cunha no rendimento coletivo. Para o ex-volante, o desempenho do brasileiro funciona quase como um termômetro da equipe: quando ele está em alto nível, o United cresce junto.
— A equipe depende muito dele. Se ele joga bem, a equipe também joga bem. Para ser um grande jogador do United como Cantona, você precisa ter uma mentalidade fantástica. E Cunha tem isso.
Ao voltar na comparação com Cantona, Ince destacou um ponto-chave para quem pretende marcar época em Old Trafford — a força mental. Segundo ele, Cunha demonstra ter a personalidade e a mentalidade necessárias para assumir protagonismo em um ambiente historicamente exigente.
— Ele provou que consegue jogar sob o peso da camisa e a pressão do escudo semana após semana. Vimos muitos jogadores recentemente que vieram e se foram por sucumbirem à pressão — concluiu.
Apesar do impacto recente, o brasileiro ainda convive com questionamentos relacionados aos números. Com apenas dois gols marcados na temporada até aqui, o desempenho ofensivo ficou abaixo da expectativa criada após a passagem pelo Wolverhampton, quando balançou as redes 15 vezes no último ano, alimentando a cobrança por uma produção mais consistente no United.
O próprio técnico Ruben Amorim reconheceu recentemente que Cunha atravessava um período de frustração em relação à escassez de gols, mesmo com atuações positivas no contexto geral do jogo. Para o treinador, o incômodo era compreensível, mas não anulava a contribuição do atacante em outras fases da partida.
Ao abordar o ambiente de críticas e exposição, Amorim adotou um tom mais amplo. O comandante revelou que prefere se blindar do excesso de opiniões externas, evitando leituras e debates públicos sobre o clube, como forma de preservar o equilíbrio emocional.
— É normal em qualquer profissão estar exposto a isso. Eu não leio, me protejo. Não assisto à TV quando estão falando do United. Não porque eu discorde, muitas vezes concordo, mas é uma forma de me manter saudável. Meu sentimento como treinador já é suficiente, não preciso de outros sentimentos. A única maneira é me proteger. Claro que perco dinheiro com patrocinadores no Instagram, mas proteger minha família e ter uma vida normal não vale algumas libras — afirmou Amorim.



