Inglaterra

Executivo do City, diretor do Newcastle: futuro do Manchester United parece promissor

Dan Ashworth, hoje no Newcastle, é o alvo número 1 da nova gestão do Manchester United para ocupar o cargo de diretor esportivo

Após tantas más notícias na atual temporada, o futuro agora, aparentemente, será mais calmo e tranquilo pelos lados do Old Trafford. Isso porque a família Glazer, dona (e odiada pela torcida) dos Red Devils, vendeu 25% das ações do clube para a empresa INEOS, do bilionário Jim Ratcliffe, o que dará o controle do futebol a companhia. A Premier League e a Federação Inglesa (FA, na sigla em inglês) já aprovaram a aquisição, enquanto a nova gestão age nos bastidores para trazer dirigentes experientes e capacitados para os principais cargos.

Primeiro, Omar Berrada, chefe de operações do rival Manchester City, onde estava há nove anos, trocou os azuis pelos vermelhos e será o CEO do “novo” United, trazendo um acréscimo gigante em experiência ao clube que se destacou pela péssima gestão dos recursos financeiros nos últimos anos.

– O clube está determinado a colocar o futebol e o desempenho em campo de volta no centro de tudo o que fazemos. A nomeação de Omar representa o primeiro passo nesta jornada – escreveu o Manchester United em comunicado divulgado no último mês.

Agora, o alvo para a função de diretor esportivo, essencial na definição do perfil das contratações junto ao treinador, é Dan Ashworth, hoje no Newcastle, executivo que comandou o sensacional projeto do Brighton entre 2019 e 2022 (quando trocou os Seagulls pelos Magpies), inclusive sendo peça essencial na contratação do técnico Graham Potter, outro responsável pelo sucesso recente do clube do Sul da Inglaterra.

Alexis Mac Allister e Moisés Caicedo foram alguns dos nomes captados sob gestão de Ashworth no Brighton, vendidos posteriormente por 42 e 116 milhões de euros para Liverpool e Chelsea, respectivamente. Ele também trabalhou na FA, onde foi o responsável pelas formações das seleções masculina e feminina, estabelecendo um estilo de jogo em todas as categorias. No Newcastle, participa desse começo dos investimentos da Arábia Saudita, que levaram o time de volta à Champions League após 20 anos.

Ao ver que, com menos orçamento, Ashworth construiu bons trabalhos em Brighton e Newcastle, há muito motivo para empolgação – e raiva do torcedor do United pelo que aconteceu nos últimos anos. Um estudo da Uefa evidenciou como a gestão Glazer foi amadora ao gastar 1,4 bilhão de euros (aproximadamente R$ 7,5 bilhões) para montar o atual elenco, o mais caro do mundo, destaque especial (negativamente) para o brasileiro Antony, segunda maior contratação da história dos Red Devils, que não entregou nenhum gol na atual edição da Premier League.

Esse elenco, que custou 1,4 bilhão para ser montado (valor acima do rival City, campeão do mundo e da Tríplice Coroa na temporada passada), terminou eliminado na fase de grupos da atual Champions League, já caiu na Copa da Liga Inglesa e nem ocupa o G4 do Campeonato Inglês.

Ao menos a INEOS parece ter definido seguir um caminho extremamente profissional no United e deve colher frutos nos próximos anos. Ashworth chegaria para integrar o novo conselho de futebol do clube ao lado de Sir Dave Brailsford, chefe de esportes da Ineos (e amigo pessoal do diretor do Newcastle), Berrada e do CEO da empresa, Jean Claude Blanc, chamado de “Messi dos negócios”, com passagens pela gestão de Paris Saint-Germain e Juventus.

A ver se esse futuro será com o técnico holandês Erik Ten Hag, que tem contrato até o meio de 2025 firmado pela gestão anterior. Ele não trabalhou com um diretor esportivo desde que chegou em 2022 e foi o responsável na indicação das contratações, como Antony. Questionado sobre a possibilidade de ter um “chefe” acima, como seria Ashworth, citou a importância de “estarem na mesma página” em relação à filosofia, ao estilo de jogo e ao perfil dos novos reforços.

– Acho muito importante que o diretor esteja atualizado sobre a filosofia do futebol, sobre as táticas do futebol, sobre os perfis dos jogadores que precisa no time. É um dos fatores mais importantes para desenvolver uma boa equipe, ter os jogadores certos, mas também o caráter certo. Com o número de jogos, o técnico precisa de pessoas que estejam na mesma página, trabalhando nos mesmos objetivos para alcançar as grandes ambições – projetou Ten Hag.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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