Richarlison é destaque e Tottenham domina o Manchester City sem precisar da bola
Brasileiro deu assistência e ajudou o time londrino a dominar o City
Manchester City e Tottenham voltaram a campo neste sábado (23), abrindo a segunda rodada da Premier League, no Etihad Stadium. A partida acabou em vitória dos Spurs, por 2 a 0.
Entre os brasileiros, apenas Richarlison começou jogando pelo time visitante. Ederson, ligado a uma saída ao Galatasaray, esteve no banco, assim como o luso-brasileiro Matheus Nunes. Savinho não esteve relacionado por conta de uma lesão.
Tottenham não precisa da bola para dominar o City
Mais uma vez, o time de Thomas Frank voltou a dominar um grande adversário sem ter grandes momentos com a bola. Foi assim, por exemplo, na pré-temporada contra o Arsenal, quando venceu por 1 a 0.
Com um elenco mais dinâmico e com mais ímpeto físico do que os Citizens, o Tottenham venceu a maior parte de seus duelos ao longo da partida e teve um excelente trabalho defensivo em todas as fases do jogo.

A principal arma dos Spurs foi a forma como defendeu a primeira fase de construção do Manchester City. A equipe de Guardiola tem inovado na sua forma de sair para o jogo desde o Mundial e passou a construir em duas linhas de 2-4 — com os dois zagueiros atrás dos dois volantes e os laterais na linha à frente.
Thomas Frank fez seu time espelhar defensivamente a construção adversária ao defender em 4-4-2. O time marcava alto com orientação individual — ou seja, independente de para onde os apoios do City se movimentavam, sempre tinham seus marcadores nas suas costas. Isso obrigou o time a dar lançamentos sem grandes critérios, algo raro.
As longas perseguições individuais do Tottenham foram responsáveis por inibir a progressão do City. Os pontas, Brennan Johnson e Mohammed Kudus, saíam do lado junto com os laterais do City, que se aproximavam do meio, e os impedia de receber a bola com tranquilidade. Esses movimentos acabaram por gerar um meio-campo congestionado e intransponível.
E as perseguições aconteciam em praticamente todo o campo. Micky van de Ven deixava a linha de defesa para seguir Rayan Cherki quando o camisa 10 descia para receber mais próximo da base da jogada. Por mais que isso gerasse espaço atrás, o City não conseguiu explorá-lo, e acabou com seu meia articulador sem destaque no jogo.
Defendendo bem a primeira fase de construção com bloco alto e pressionando mais forte quando havia gatilhos — como passe para trás, o Tottenham anulou o time de Guardiola por completo.
O ataque do Tottenham: deu certo, mas você pode não gostar
6 – This is only the sixth time under Pep Guardiola that Manchester City have trailed a Premier League home game by 2+ goals at half-time, with Tottenham now responsible for half of those (3/6), including three of the last four (also Jan 2023 & Nov 2024). Foe. pic.twitter.com/k0tUC96Waj
— OptaJoe (@OptaJoe) August 23, 2025
Em contraste com um time que domina com a bola e tenta manipular a defesa adversária, a equipe de Thomas Frank era muito mais direta e interpretativa no ataque.
Os Spurs não construíam com paciência e buscavam a todo momento acelerar o jogo quando entravam em segunda fase de construção: ou tentavam inversões ou bolas em profundidade para os atacantes que constantemente atacavam as costas da defesa.
No modelo de jogo de Frank, o time conta com poucos apoios durante a construção. Quem tem a bola geralmente conduz para avançar ou para chegar mais perto de uma opção de passe, ou os passes são mais longos do que o jogo curto do City.
O primeiro gol surge justamente desse padrão: há um lançamento para Pape Matar Sarr e, quando o meia vai disputar uma bola no alto, Richarlison imediatamente já ataca as costas da defesa, que tenta fazer uma linha de impedimento. Após revisão do VAR, foi constatado que o brasileiro estava em posição legal quando saiu livre para cruzar para Johnson abrir o placar.
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As dificuldades do Manchester City
Sem conseguir passar pela forte defesa dos Spurs, a equipe mandante teve diversos chutões, incomuns na ideia de jogo do time na última década. Isso também passou pelos pés de James Trafford.
O goleiro, titular no lugar de Ederson, não acompanhava o ritmo da construção do City e tem claras desvantagens em relação ao brasileiro no que diz respeito ao jogo com os pés.

Trafford não soube identificar as melhores opções de passe e sua confiança só caiu após a falha no segundo gol. Ainda no fim do primeiro tempo, após pressão do Tottenham no tiro de meta, o goleiro não identificou uma janela que se abriu para um passe que quebraria linhas e preferiu tocar para um companheiro fortemente marcado, de costas, dentro da área.
Isso resultou numa perda de bola em zona de perigo e, após Richarlison quase marcar, João Palhinha finalizou com o gol quase aberto no rebote para decretar o 2 a 0.
As dificuldades do City em entrar no último terço vieram, também, por conta da forte marcação do Tottenham pelos lados. Sempre que os pontas recebiam abertos, estavam sendo marcados por dois jogadores: o lateral e o volante daquele lado — com o ponta na sobra para já pressionar o passe de retorno, que acabava como a única opção.
E o jogo teve essa toada por quase todos os 90 minutos: o Tottenham fechava as opções de progressão no meio, obrigava o passe para trás e Trafford, sem confiança, dava um lançamento sem critério. E assim, de um jeito não tão esteticamente vistoso, o time de Thomas Frank dominou o de Guardiola.
Na próxima rodada da Premier League, o Manchester City enfrenta o Brighton, fora de casa, no domingo (31), às 10h no horário de Brasília. Já o Tottenham recebe o Bournemouth, no sábado (30), às 11h.



