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Mais um interessado em comprar o Manchester United: presidente de banco do Catar oficializa proposta

O xeique Jassim bin Hamad al-Thani e o bilionário britânico Jim Ratcliffe foram os únicos a apresentarem proposta antes do primeiro prazo

O presidente Qatar Islamic Bank, xeique Jassim bin Hamad al-Thani, oficializou uma proposta para comprar o Manchester United nesta sexta-feira, o primeiro prazo estabelecido pelo Raine Group, banco americano que está conduzindo o processo. Por enquanto, ele tem a concorrência do bilionário Jim Ratcliffe, entre as pessoas mais ricas do Reino Unido, dono do Nice e acionista da Mercedes, que tentará adquirir os Red Devils da família Glazer por meio da sua empresa Ineos, gigante da indústria petroquímica.

O xeique Al-Thani, que se declara torcedor do Manchester United, fez a proposta por meio da sua fundação Nine Two – 92, que seria referência à classe de 1992 de Ryan Giggs, David Beckham e companhia que revolucionou a história do clube de Old Trafford. O valor da proposta ainda não foi confirmado. Os Glazers estariam pedindo acima de £ 5 bilhões para encerrar quase duas décadas de uma propriedade muito tumultuada.

“O xeique Jassim bin Hamad Al Thani confirmou o envio de sua proposta por 100% do Manchester United Football Club. A proposta planeja fazer com que o clube retome as glórias do passado, dentro e fora de campo, e, acima de tudo, buscará colocar os torcedores no coração do Manchester United Football Club mais uma vez”, disse o xeique, na nota oficial confirmando a proposta.

Ele fez questão de deixar claro, como Ratcliffe, que a compra não gerará dívidas ao Manchester United – o ponto inicial de atrito entre as arquibancadas e os Glazers durante o processo de 2005. “A Nine Two Foundation buscará investir nos times de futebol, no centro de treinamento, no estádio e em toda a infraestrutura, na experiência do torcedor e nas comunidades de torcedores. A visão da proposta é para o Manchester United ser famoso pela excelência de futebol e considerado um dos maiores clubes do mundo”, acrescentou.

A questão principal sobre essa proposta é se ela viola as regras da Uefa que impedem que dois clubes controlados pelo mesmo dono participem da mesma competição europeia – regras, vale dizer, que foram flexibilizadas quando Red Bull Salzburg e RB Leipzig se classificaram para a Champions League. O Catar é dono do Paris Saint-Germain por meio da Qatar Sports Investment (QSI), que é uma subsidiária da Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do país.

O Qatar Islamic Bank é uma instituição privada, mas a QIA é a sua principal acionista, com cerca de 17% dos papéis. A organização de direitos humanos FairSquare defendeu que “pesos e contrapesos” à maneira como fundos são distribuídos e usados pela família que governa o Catar são “mínimos ou não existentes”, o que prejudicaria qualquer garantia sobre a “origem dos fundos de uma aquisição como essa”. Acrescentou que nenhum consórcio de investidores do Catar capaz de comprar o Manchester United “conseguiria demonstrar de maneira convincente a sua independência do Estado do Catar”.

Mais propostas são esperadas, mesmo que o primeiro prazo tenha passado. A família Glazer, dos Estados Unidos, anunciou em 22 de novembro, mesmo dia em que rescindiu contrato com Cristiano Ronaldo, que estava “começando um processo para explorar alternativas estratégicas para melhorar o crescimento do clube” que incluíam “novos investimentos no clube, uma venda ou outras transações envolvendo a companhia”.

Elar é dona do Manchester United desde 2005. Protestos começaram quase imediatamente e seguem até os dias de hoje. Entre as principais críticas, está a maneira como concluiu a transação, endividando o clube. Os Glazers também são criticados por não serem donos próximos, por retirarem dividendos altos e por administrarem os Red Devils mais como negócio do que como clube de futebol. E, também, porque os resultados ficaram relativamente horríveis desde a saída de Ferguson.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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