Inglaterra

Liberado sem muita cerimônia pelo Tottenham, Dele Alli chega ao Everton coberto de desconfianças

Antes um dos jovens mais valorizados da Inglaterra, a recuperação de Dele Alli será um desafio para Frank Lampard

Um dia movimentado no Everton. Começou com o anúncio de um novo treinador, Frank Lampard, para a alegria dos torcedores que protestaram contra a contratação do português Vítor Pereira, seguiu com o empréstimo de Donny van de Beek e terminou com a assinatura de um contrato de dois anos e meio com Dele Alli, outrora uma das grandes promessas do futebol inglês, agora sob grande desconfiança.

O formato do negócio sugere isso com clareza. Nessa situação, o normal é um empréstimo, para o clube receptor avaliar de perto as condições do jogador, como ele se encaixa no novo grupo e tudo mais. No entanto, o Everton atingiu o limite de empréstimos domésticos com o negócio por Van de Beek, então teve que usar a imaginação para minimizar os riscos com Dele Alli.

Alli chega de graça em um primeiro momento. O Everton terá que pagar £ 10 milhões caso ele dispute 20 jogos, o que ele não poderá fazer nesta temporada. Faltam 18 rodadas de Premier League ao clube de Liverpool, e Alli não pode atuar na FA Cup porque já o fez pelo Tottenham. Com as variantes adicionais, o negócio pode chegar a £ 30 milhões, segundo o Guardian, ou £ 40 milhões, de acordo com a BBC.

Se chegar a qualquer um dos dois seria uma grande venda do Tottenham. Alli fez por merecer toda essa desconfiança. Explodiu como um achado de mercado, contratado do MK Dons por cerca de £ 5 milhões, e teve um começo excepcional. Dez gols e oito assistências na Premier League ainda com 19 anos não são pouca coisa. Meia-atacante dinâmico, com chegada na área e passe, complementava Harry Kane e pintava como o seu grande parceiro, o futuro da seleção inglesa.

A temporada seguinte foi ainda melhor. Com 18 gols, marcou mais vezes que Zlatan Ibrahimovic e Eden Hazard na Premier League. Durante três anos, antes da Copa do Mundo da Rússia, foi um jogador que garantia pelo menos uma dezena de tentos e assistências por temporada. E, muito jovem, era bastante valorizado no mercado.

Não foi tão bem no Mundial. Teve problemas de lesão na coxa na temporada seguinte, a que o Tottenham chegou à final da Champions League com Mauricio Pochettino, apenas o começo de um espiral descendente. No último um ano e meio, tem apenas 25 jogos de Premier League, 15 como titular, entre três treinadores diferentes: José Mourinho, Nuno Espírito Santo e Antonio Conte.

A pouca cerimônia com que o Tottenham se livrou de quem já foi um dos seus ativos mais importantes também é um sinal de alerta. Ainda não temos os detalhes das outras variantes além dos 20 jogos, mas, se achassem que teria uma chance de Dele Alli voltar a ser o que era, homens experientes do futebol como o presidente Daniel Levy e o diretor Fabio Paratici poderiam ter insistido em um empréstimo, que fosse para outro clube ou para o Everton na próxima temporada, para manter algum poder sobre os direitos do jogador, concedidos com um teto de compensação que talvez nem seja atingido.

A sensação, porém, é que não viam a hora de se livrar dele. Não são sinais encorajadores para um clube que não teve tanto sucesso assim em seus projetos anteriores de reabilitação, como Theo Walcott e Alex Iwobi. Ao mesmo tempo, o risco parece pequeno no momento, sem gastos até o fim da temporada, e, em seguida, com dois anos de contrato. A aposta é que ele consiga tirar inspiração do seu novo chefe, um dos melhores meias que a Inglaterra já viu.

Talento ele tem. Um talento tão grande que, no auge, estaria fora do alcance de um clube como o Everton, sofrendo para se estabelecer até no segundo patamar do país, mesmo com altos investimentos. Contratá-lo na baixa pode ser um bom negócio caso Alli consiga recuperar pelo menos parte do seu futebol, o que um ambiente que nos últimos anos se notabilizou como conformista em Goodison Park não favorece. Está aí mais uma tarefa complicada para Frank Lampard.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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