Terry desiste do sonho de treinar o Chelsea: “Machuca e sempre me incomodará”
De volta às categorias de base do Chelsea, clube da sua vida, o ex-capitão Terry adotou um tom bem realista sobre a sua muito modesta carreira de treinador
Enquanto outros jogadores da sua geração tiveram oportunidades em clubes grandes, a carreira de técnico de John Terry nunca decolou. Foi assistente de Dean Smith no Aston Villa e no Leicester antes de retornar para o Chelsea para trabalhar nas categorias de base. Está novamente em sua casa, no clube que defendeu por quase 20 anos, mas sabe que o sonho de treinar o time principal dos Blues provavelmente não acontecerá. E o provavelmente é por minha conta. Ele já até desistiu.
– Meu único sonho quando deixei o Chelsea, e prometi para os torcedores do Chelsea, era voltar como treinador, mas agora eu sei que não vai acontecer. Me machuca e sempre ficará me incomodando no fundo da minha cabeça – disse, em entrevista ao podcast do ex-colega John Obi Mikel.
Depois do Aston Villa, Terry tentou, sem sucesso, conseguir emprego nos patamares inferiores da pirâmide. E no último mês de abril, já estava de saco cheio. Dando entrevista ao canal de um ex-campeão mundial de sinuca no YouTube, ele foi bem sincero ao dizer que não tinha mais ambição de se tornar técnico principal porque também quer jogar golfe e passar tempo com a família e sabe que teria que se dedicar quase 24 horas por dia.
Gostou da experiência de assistente (tradução livre de coaches, membros da comissão técnica muitas vezes mais responsáveis por dar os treinos e trabalhar diretamente com os jogadores no futebol inglês do que os técnicos, ou managers), mas percebeu na passagem pelo Aston Villa que há profissionais melhores que ele nisso, como Craig Shakespeare, ex-interino do Leicester.
“Queremos jogar que nem o Manchester City”
Terry não pode reclamar de não ter recebido oportunidades, se nunca esteve disposto ao sacrifício necessário para ser técnico, mas pelas suas declarações ao podcast, parece que houve um momento em que tentou de verdade e simplesmente não conseguiu.
Quando deixou o Aston Villa (segundo ele, por problemas familiares), Terry se candidatou a dois ou três empregos. Chegou a fazer entrevista no Newcastle após a demissão de Steve Bruce, mas os novos donos do consórcio liderado pela Arábia Saudita preferiram, com razão, Eddie Howe.
– Foi um processo muito bom para mim porque você senta nessas reuniões e pensa “na verdade, eu estou muito longe, ainda bem que não consegui” e você aprende como se apresentar nessas reuniões. E aí você pensa: ok, não vou conseguir um clube da Premier League, nem da Championship, vamos para a League One – disse.
Contou que, em um primeiro momento, não havia recorrido à League One porque não conhecia a terceira divisão da Inglaterra por nunca tê-la disputado, nem visto muita coisa. Preferiu a segunda, na qual passou um ano jogando pelo Aston Villa e mais alguns trabalhando na comissão técnica de Dean Smith. Não chegou nem perto de conseguir um emprego. Então, realizou duas entrevistas na Terceirona.
– É interessante. Os donos daqueles dois times disseram nas primeiras conversas que tiveram comigo que queriam jogar como o Manchester City. Ninguém consegue… o Chelsea não consegue jogar como o Manchester City. Uma das entrevistas não foi boa. A outra, o time tinha demitido o técnico. Eles estavam jogando acima das suas capacidades, indo bem na liga, saindo jogando desde o campo de defesa. Todo mundo está obcecado por isso, os zagueiros recebendo a bola na pequena área.
– Era minha quinta entrevista. Eu nunca estive tão preparado para algo na minha vida. Porque eu tinha sido recusado (várias vezes) e me esforcei bastante. Quando eu estava conversando com os donos, tudo estava indo bem. Pensei que havia conseguido o emprego. O time era terceiro lugar e com certeza teria sido promovido. Eu estava falando que depois poderíamos começar a jogar um pouco melhor, contratar jogadores melhores, mais confortáveis com a bola. Você meio que compra a filosofia deles um pouco.
Mas Terry não conseguiu o emprego e disse que a nova rejeição o quebrou. A resposta por telefone citou sua falta de experiência e pensou (com razão também) que tudo bem se isso o impedisse de conseguir um emprego na Premier League ou na Championship, mas na League One?
– Não é desrespeito, mas tudo que eu conquistei, se falarmos sobre os técnicos que tivemos no Chelsea, efetivamente eu tenho um pouco de crédito. Eu administrei jogadores, pessoas acima de mim, funcionários que não estavam felizes. Eu fiz esse trabalho pelos últimos 20 anos e é algo que eu sei que sou muito bom. Então realmente dói não ter recebido oportunidade no jogo de hoje – disse.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Seus contemporâneos receberam
Ex-colegas importantes de John Terry tiveram mais sorte. Steven Gerrard saiu das categorias de base do Liverpool direto para o Rangers e, depois de uma boa passagem, recebeu uma grande chance no Aston Villa, que não conseguiu aproveitar, e agora treina o Al-Ettifaq, da Arábia Saudita. Rooney começou como jogador-treinador do Derby County e fez um trabalho honesto em um clube com problemas financeiros. De lá, foi para o DC United e atualmente comanda o Birmingham, da segunda divisão.
Frank Lampard realizou o sonho de Terry. Duas vezes. Não foi mais do que razoável no Derby County, seu primeiro trampo com a prancheta, antes de ser contratado pelo Chelsea para substituir Maurizio Sarri, no ano em que Eden Hazard foi embora e os Blues não podiam contratar por estarem sob embargo de transferências. Quase rebaixou o Everton na sequência e retornou a Stamford Bridge como interino na reta final da última temporada.



