Inglaterra

Homem de 19 anos é condenado a seis semanas de prisão por ofensa racial no Twitter contra Rashford

Crime aconteceu depois da derrota da Inglaterra na final da Euro contra a Itália, em Wembley, e homem ofendeu Rashford no Twitter com injúrias raciais

As redes sociais por vezes se tornam um antro de ódio de gente que acha que pode falar o que quer pelo seu perfil. Nesta quarta-feira, uma ofensa feita pelo Twitter se tornou uma prisão real: Justin Lee Price, de 19 anos, foi condenado a seis semanas de prisão por ter feito ofensas raciais ao jogador Marcus Rashford, após a derrota da Inglaterra para a Itália nos pênaltis na final da Eurocopa, em julho de 2021. O jogador chegou a comentar sobre o assunto dias depois.

A ofensa aconteceu contra Rashford, que perdeu um dos pênaltis na derrota dos ingleses em Wembley. Price admitiu em juízo ter escrito a mensagem ofensiva em uma audiência no dia 17 de março. Segundo as investigações, ele tentou evitar ser identificado ao mudar o seu usuário no Twitter, o que, claro, não foi o bastante para evitar ser punido. Inicialmente, quando detido, ele negou ter escrito o tuíte, mas depois admitiu em depoimento.

“Price teve como alvo um jogador de futebol com base na sua cor de pele e a sua ação foi claramente racista e um crime de ódio”, afirmou o promotor do caso, Mark Johnson. “Aqueles que ofendem racialmente os jogadores de futebol arruínam o esporte para todos. Espero que este caso mande o recado que não iremos tolerar racismo e os infratores serão processados em toda a extensão da lei”.

Douglas Mackay, promotor-chefe de esportes, afirmou que os crimes de ódio relacionados ao futebol aumentaram significativamente nos últimos anos. “O relatório interno de meio de temporada da Unidade de Policiamento de Futebol do Reino Unido mostrou um aumento significativo na criminalidade relacionada ao futebol em comparação com os níveis pré-pandemia”, afirmou.

“Na promotoria, temos um papel crucial no combate a esses crimes e tornando nosso esporte nacional inclusivo e seguro de assistir. Não há espaço para ódio no futebol e crimes de ódio como esse têm um impacto significativo nas vítimas”, afirmou ainda Mackay.

A ação é um bom exemplo de como as autoridades podem e devem combater racismo, não só no Reino Unido, mas no mundo todo. Normalmente o que vemos é que as ofensas, sejam no estádio ou nas redes sociais, são solenemente ignoradas pelas autoridades públicas e do futebol, como se fosse impossível fazer algo a respeito. É possível, mas tem que querer. E o que vemos é que na grande maioria das vezes, as autoridades, sejam governos, federações ou clubes, preferem ignorar e seguir em frente.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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