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Henderson aceita o fardo de liderar o Liverpool e se candidata a sucessor de Gerrard

Com um pouco mais de um metro e oitenta, o homem com a braçadeira de capitão do Liverpool, após 29 minutos controlando o meio-campo, apareceu na entrada da área e aproveitou um rebote para abrir o placar contra o Burnley. Um tapa preciso para dar à bola o efeito necessário e fazê-la descansar na rede lateral. Os fiéis torcedores de Anfield Road não se excitam tanto com esse tipo de gol, corriqueiro desde 1998 quando Steven Gerrard estreou pela equipe. Daqui para frente, porém, terão que se acostumar a cantar outro nome quando eles acontecerem.

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Todos sabem que Gerrard caminha na companhia do Kop, principal arquibancada do estádio, pelos últimos jogos. Anunciou que não renovará contrato e tem data marcada para se apresentar ao Los Angeles Galaxy ao final da temporada. A novidade é que a consumação da sua saída serviu para que Jordan Henderson surgisse como um possível sucessor para o capitão, pela liderança e agora pela forma como está jogando.

Vice-capitão da equipe, ele tem usado a braçadeira no braço esquerdo durante a mais recente lesão de Gerrard e nas partidas nas quais o camisa 8 descansa. Ninguém duvida que a assumirá de vez a partir da próxima temporada, e essa pressão, em um país que valoriza esse cargo mais do que qualquer outro, não o fez se retrair. Ao contrário, ele cresceu.

Em um intervalo de quatro dias, Henderson marcou dois golaços ao melhor estilo Gerrard. Contra o Manchester City, abriu o placar com uma pancada da entrada da área que morreu no ângulo de Joe Hart. Nesta quarta-feira, vazou o Burnley, também com um chute de média distância, e deu um passe na cabeça de Sturridge, cujo próprio movimento lembra o grande ídolo da torcida do Liverpool.

Antes desses lances, precisou de jogo de cintura para lidar com uma situação complicada. Cobrador oficial em campo, pegou a bola para bater um pênalti contra o Besiktas, mas Balotelli quis assumir a responsabilidade. Após uma breve discussão, permitiu, e o italiano fez 1 a 0 no jogo de ida. Foi polido nas declarações pós-jogo e deixou qualquer bronca para os vestiários. O seu gerenciamento de crise foi elogiado pelo capitão titular que comentava o jogo em uma emissora de televisão.

Henderson chegou tímido ao Liverpool, por quase € 20 milhões, sob o comando de Kenny Dalglish. Demorou para se firmar, atuando mais pela direita, como fazia no Sunderland. Ficou no banco de reservas na maioria dos jogos da primeira temporada com Brendan Rodgers, mas, já mais para o centro, foi um coadjuvante importante no vice-campeonato de 2013/14. Agora, ao lado de Coutinho e Sterling, comanda a reação do clube invicto pela Premier League desde 12 de dezembro. Nove vitórias e três empates são a impulsão ao quinto lugar e à briga por vaga na Champions League.

Gerrard tem mais de 700 jogos vestido com aquela camisa vermelha (às vezes de outras cores, é verdade), uma coleção de golaços muito mais ampla, uma atuação mágica contra o Milan na final da Liga dos Campeões de 2005 e foi um jogador melhor até aqui. Não é ídolo por acaso, e Henderson, 24 anos, ainda tem muito chão para percorrer e talvez nunca o alcance. Mas aceitou de peito aberto o fardo de liderar o Liverpool e pelo menos compensar um pouco a falta que o capitão fará a partir de maio. Porque substituir o insubstituível é impossível.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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