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A mágica mais importante de Coutinho referendou a candidatura do Liverpool à Champions

Coutinho é um jogador mais clássico, de toque de bola refinado e inteligente. Não tem a força e nem a velocidade tão valorizadas pelo futebol de hoje em dia. E não sabia finalizar, mas acho que isso já podemos deixar de lado. Se foi coadjuvante na temporada anterior, atrapalhado por uma lesão no ombro, pinta como o principal jogador da campanha de recuperação do Liverpool no atual Campeonato Inglês. Contra o Manchester City, teve a ideia e a sutil arrogância dos gênios para tentar um chute improvável. E com ele, decidiu o importante confronto direto e a vitória por 2 a 1, em Anfield, neste domingo.

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O resultado deixa o Liverpool a dois pontos do terceiro colocado Manchester United e com os mesmos pontos do Arsenal, que joga contra o Everton ainda neste domingo. Invicto há 11 jogos pela Premier League, desde antes do Natal, o time vermelho mostra força para vencer os confrontos diretos, essenciais na luta por uma vaga na próxima Champions League. Havia dado indícios contra o Tottenham e o Southampton, mas o Manchester City está um patamar acima. É time de oitavas de final de Liga dos Campeões, o atual campeão inglês, cheio de craques e na briga pelo título contra o Chelsea.

A última condição parece próxima a se dissipar depois dessa derrota. O time de Pellegrini oscila muito mais que o de Mourinho e perdeu a chance de pressionar o adversário, envolvido com a final da Copa da Liga Inglesa neste domingo. Os Blues terminarão o fim de semana com um jogo a menos na tabela e, se vencê-lo, abrem oito pontos na liderança, a 11 rodadas do final.

O primeiro tempo em Anfield foi dominado pelos baixinhos. De vermelho, com 1,71 metros, Coutinho era não apenas o maestro, mas também o responsável por desarmes no meio-campo, por puxar os contra-ataques de um time que ficou pouco com a bola, abrir a defesa com dribles inesperados e também desarmar quando era necessário. Suportou as trombadas dos marcadores tempo o bastante para soltar para Sterling, deixou a bola passar para Henderson e puxou a marcação. O meia inglês arrumou para a direita e acertou um daqueles chutes que a torcida sempre viu serem disparados pelo capitão do Liverpool. Desta vez, como será pelos anos que se avizinham, a braçadeira não estava no braço de Gerrard. Henderson, camisa 14, abriu o placar ao melhor estilo do eterno camisa 8 do clube.

De azul, com 1,72 metros, um centímetro a mais que o rival em altura e, pela carreira e tudo que conquistou, também em qualidade, embora no jogo deste domingo isso fosse imperceptível, estava Agüero. Kun controlou o seu time e o levou à frente. Ficou muito próximo de empatar quando recebeu lançamento pela esquerda e acertou a trave. Concretizou a reação ao chamar a atenção de toda a defesa do Liverpool e encontrar um espaço minúsculo para enfiar a bola a Dzeko. Cara a cara, o bósnio venceu Mignolet e igualou o placar.

A pressão do Manchester City era opressora, mas durou apenas até o começo do segundo tempo, quando Agüero cabeceou cruzamento de Zabaleta pouco acima do travessão. Foi a última ação grandiosa dos visitantes por muito tempo. O Liverpool passou a ter a bola e a fazer o seu próprio abafa. Havia Sterling tentando o drible pela esquerda, muitas vezes com bolas longas ou curtas demais. Havia Lallana tentando dialogar com Coutinho, mas sem falar a mesma língua, frequentemente mal posicionado ou tomando decisões erradas.

Os ventos de uma partida tensa e decisiva haviam mudado a favor do Liverpool, mas faltava a boa finalização, a jogada precisa. Alguém para decidir. Poderia ser Sturridge, cuja entrada no lugar de Lallana era óbvia e foi ignorada por Brendan Rodgers por muito tempo. Ele acabou entrando na vaga de Markovic. Mas nem precisou. Havia em campo alguém com esse poder de decisão. Aquele baixinho vestido vermelho. Coutinho recebeu na ponta esquerda da grande área e desistiu de envolver os colegas na brincadeira. Cortou para a perna direita e acertou outro petardo de longa distância, como contra o Southampton, como contra o Bolton, pela Copa da Inglaterra.

O Liverpool precisou enfrentar algumas realidades muito cruéis entre a temporada passada e a atual. A primeira era ajustar as expectativas depois de uma campanha formidável que quase terminou com o título, ter a consciência de que jogou acima das suas capacidades. Adaptar-se às várias contratações que começam a provar que valeram a pena, como Emre Can, gigante na transição entre a defesa e o meio-campo. E também à ausência de Suárez, o peso que tantas vezes fez a balança pender a seu favor. Com um esquema tático definido e um time mais ou menos formado, há mais condições para os candidatos a decidir aparecerem. Nesse ambiente, Sterling e Henderson cresceram, mas ninguém tanto quanto Coutinho. Embora continue com apenas 1,71 metros.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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