Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Watford: Bate e volta

O Watford acabou mantendo boa parte do núcleo do seu time da Premier League e conseguiu retornar imediatamente, mas pinta como favorito ao último lugar

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Cidade: Watford
Estádio: Vicarage Road (21.000 pessoas)

A temporada passada – 2º na Championship

A pandemia causou efeitos econômicos diversos ao redor da pirâmide. Muitos clubes correram o risco de entrar em falência pela ausência de receitas da bilheteria, e mesmo na Premier League, o poder de compra foi prejudicado. Embora tenha suado frio com a folha salarial que precisava pagar todos os meses, esportivamente o Watford acabou se beneficiando porque não houve uma debandada tão grande quanto se imaginava após o rebaixamento em 2019/20 e, mantendo alguns pilares do time que disputou a elite recentemente e contando com os pagamentos de paraquedas a clubes recém rebaixados, o retorno se concretizou imediatamente.

Alguns jogadores ainda saíram, como Abdoulaye Doucouré, Étienne Capoué, Danny Welbeck, Gerard Deuloufeu e Craig Dawson, mas o time que disputou a Championship ainda tinha Ismaïla Sarr, João Pedro, Will Hughes, Troy Deeney e outros que inclusive foram titulares na final da Copa da Inglaterra de 2019 contra o Manchester City. Mas nem por isso a campanha na segunda divisão foi um passeio.

Como costuma acontecer durante o reinado da família Pozzo, houve troca de treinador, Xisco Muñoz no lugar de Vladimir Ivic, em dezembro, com o time ainda na zona dos playoffs. A decisão acabou sendo justificada porque o Watford arrancou a partir daquele momento, com 18 vitórias, três empates e apenas cinco derrotas para terminar em segundo lugar, atrás do Norwich.

O desempenho nem sempre correspondeu ao aproveitamento de pontos, e o forte acabou sendo a defesa, a melhor da Championship, com apenas 30 gols sofridos. Sarr foi o grande destaque, com 13 gols e quatro assistências.

Mercado

Principais chegadas: Imrân Louza (Nantes), Emmanuel Dennis (Club Brugge), Mattie Pollock (Grimsby Town), Danny Rose (Tottenham), Ashley Fletcher (Middlesbrough), Joshua King (Everton)
Principais saídas: Craig Dawson (West Ham), Ben Wilmot (Stoke City)

O foco foi fortalecer o ataque, apenas o sexto melhor da Championship, mas o maior investimento foi feito no meia Imrân Louza, jovem de 22 anos que fez sete gols em 33 jogos pelo Nantes na última temporada da Ligue 1. Outra compra foi o atacante Emmanuel Dennis, que causou problemas ao Real Madrid dois anos atrás com a camisa do Club Brugge.

A sua última temporada foi… controversa. Em novembro, foi cortado do time que enfrentou o Borussia Dortmund pela Champions porque saiu do ônibus da delegação após ser informado que não poderia sentar em sua poltrona favorita por causa das medidas de distanciamento social, segundo o veículo belga Het Laatste Nieuws. Depois, emprestado ao Colônia, levou o diretor-esportivo do clube alemão a dizer que se arrependeu da contratação porque “Dennis não é um cara fácil”.

O Watford contratou outros dois atacantes, ao fim de seus contratos. Joshua King passou a última temporada entre o Everton e o Bournemouth e não marcou nem na Championship, nem na Premier League, mas tem uma média boa de um gol a cada três partidas em mais de 180 aparições pelo Bournemouth. Ashley Fletcher anotou apenas dois tentos em 12 jogos de segunda divisão pelo Middlesbrough, muito prejudicado por lesões.

A defesa ganhou a experiência de Danny Rose, ex-lateral esquerdo de Tottenham, Newcastle e da seleção inglesa.

O elenco

O sistema defensivo foi o forte na campanha do acesso. Vladimir Ivic começou a temporada com um esquema com três zagueiros, mas retornou ao tradicional 4-4-2 do Watford antes de ser demitido. Xisco insistiu nesse esquema até mais ou menos fevereiro, quando introduziu o 4-3-3 com o qual arrancou à promoção. Daniel Bachmann, titular da Áustria na Euro 2020, ganhou a posição do experiente Ben Foster e terminou a Championship como titular no gol. Kiko Femenía, apto a atuar nas duas laterais, foi fixado na direita, com Adam Masina na esquerda. Francisco Sierralta e William Troost-Ekongo foram a dupla de zaga mais comum, deixando Craig Cathcart e Christian Kabasele um pouco mais em segundo plano.

O meio-campo teve uma boa mistura de pegada, vitalidade e técnica com Nathaniel Chalobah, Will Hughes e Tom Cleverley – às vezes Philip Zinckernagel. A situação de Hughes, porém, é incerta. Depois de Sarr talvez o jogador com maior potencial de venda do Watford, o meia de 25 anos foi afastado do time principal porque está entrando no último ano do seu contrato e não parece propenso a renová-lo.

Craque do time, Sarr costuma atuar pela direita, com Ken Sema pela esquerda. João Pedro, autor de nove gols na Championship, reveza com André Gray como centroavante. A arrancada que valeu o acesso foi conquistada sem a presença do talismã Deeney, que se machucou em fevereiro e voltou apenas na última rodada. Ele não vinha fazendo uma boa temporada. Marcara apenas um gol com bola rolando e seis de pênalti.

O técnico 

Ex-jogador de Valencia, Betis e Levante, Xisco Muñoz tem uma carreira muito curta como treinador. Ganhou duas vezes a liga da Georgia, como assistente e treinador principal, com o Dínamo Tbilisi, pelo qual também foi campeão como jogador, logo antes de assumir o Watford no final do ano passado. Melhorou os resultados, subiu, mas ainda não convenceu todo mundo da sua capacidade. Destaca-se, porém, por um belo sorriso. De qualquer maneira, não se apegue, porque nenhum treinador dura muito tempo no Watford.

Expectativa para a temporada 

A espinha dorsal do time ainda é a mesma que foi rebaixada em 2019/20, sem algumas peças importantes, como Doucouré e Deuloufeu, mais envelhecida e com poucos reforços, embora o último mercado possa apresentar algumas novidades interessantes, como Louza, Dennis e Rose. O treinador também é inexperiente e precisará se provar em uma liga tão difícil. Os outros promovidos, Norwich e Brentford, chegam à Premier League com um projeto mais consolidado e confiável. Não é difícil entender por que as prévias consideram o Watford favorito para ser último colocado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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