Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Everton: Começar de novo – de novo

Desta vez a culpa não foi do Everton, mas lá vai o clube para o seu quinto treinador em cinco anos desde a chegada do milionário Farhad Moshiri

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Cidade: Liverpool
Estádio: Goodison Park (39.595 pessoas)

A temporada passada – 10º

Houve momentos excelentes que não foram repetidos com consistência e alguns bem terríveis, o que é típico de um time em transição, que ainda estava encontrando a sua identidade. O melhor momento foi o começo da temporada, com quatro vitórias seguidas, Dominic Calvert-Lewin fazendo gol todos os jogos e até mesmo a liderança. Houve uma queda entre outubro e novembro, mas o Everton seguiu colado nas primeiras posições até o Boxing Day, quando terminou uma sequência de quatro vitórias seguidas ao derrotar o Sheffield United.

No entanto, o time de Carlo Ancelotti ganharia apenas mais oito vezes nas 23 rodadas seguintes – uma a menos que nas 15 primeiras – e uma terrível reta final culminou em uma goleada sofrida para o Manchester City que levou o clube que sonhava com vagas europeias a terminar a Premier League em décimo lugar, a segunda pior campanha dos últimos cinco anos. Nesse período, porém, houve a vitória fora de casa sobre o Liverpool, por 2 a 0, a primeira do Everton em Anfield desde 1999.

E foi assim mesmo que o Everton se portou: ótimo fora de casa, horrível em Goodison Park. Teve a quarta melhor campanha como visitante e a sexta pior como mandante. Problemas antigos foram expostos, como a dificuldade de atacar equipes mais fracas sem ficar muito aberto na defesa e o hábito de acompanhar resultados brilhantes como o empate por 3 a 3 contra o Manchester United com tropeços como a derrota para o Fulham.

Faz tempo que o Everton não está tão próximo de se aproximar do grupo de elite da Premier League – ou pelo menos tem os recursos para isso, com um dono que não hesita em investir e um novo estádio no horizonte. Entre o que falta para encurtar essa distância, estão um aproveitamento melhor no mercado de transferências e um fortalecimento de mentalidade para não oscilar tanto de rendimento de um fim de semana para o outro.

Esse segundo aspecto exige um trabalho de médio e longo prazo, e aí seria importante que o Everton conseguisse manter um técnico por pelo menos duas temporadas completas.

Mercado

Principais chegadas: Demarai Gray (Bayer Leverkusen), Andros Townsend (Crystal Palace), Asmir Begovic (Bournemouth
Principais saídas: Bernard (Sharjah-EAU), Theo Walcott (Southampton), Joshua King (Watford), Yannick Bolasie (sem clube

Corrigir erros do passado tem sido uma das prioridades do Everton no mercado de transferências, mas nem sempre é fácil despejar contratos caros de jogadores que mal estão atuando. Desta vez, o contador ficou muito contente porque não precisará mais pagar o salário de Yannick Bolasie, cujo último jogo pelo clube foi em 2018. Bernard e Theo Walcott também foram negociados para ajudar a aliviar a folha salarial.

Começamos focando nas saídas porque as entradas ainda estão bastante tímidas. Desde a chegada do dono Farhad Moshiri, o Everton virou uma das principais potências financeiras do meio da tabela. Pena que desperdiçou tanto dinheiro em contratações medianas que mal elevaram o patamar da equipe. O último mercado, porém, foi excelente, e apenas problemas físicos atrapalharam as adaptações de Allan e James Rodríguez. Abdoulaye Doucouré entrou como uma luva na equipe, e Ben Godfrey cresceu como um excelente zagueiro de Premier League.

Por enquanto, há pouca novidade. O Everton trouxe o ponta Demarai Gray, competente pelo Leicester, o outro ponta Andros Townsend, competente pelo Crystal Palace, e Asmir Begovic para dar suporte a Pickford.

O elenco

Ancelotti gostaria muito de ter conseguido escalar mais vezes o time que teve aquela boa arrancada no começo da Premier League, com Allan, Doucouré e André Gomes no meio-campo, James Rodríguez armando pela direita, Richarlison fechando como segundo atacante pela esquerda e Calvert-Lewin na área, mas problemas físicos de Allan, Gomes e James atrapalharam esses planos e ele foi obrigado a se adaptar. E o que não faltou foi tentativa de encontrar a batida perfeita. Manteve o 4-3-3 com Sigurdsson no meio-campo, tentou três zagueiros, como na vitória contra o Liverpool em Anfield, armou um 4-4-2 à inglesa com um lateral na segunda linha e um 4-2-3-1 com James pelo meio e dois atacantes mais rápidos.

Com todo mundo disponível, Pickford, goleiro da seleção inglesa, deve manter a titularidade. Ben Godfrey e Michael Keane formam uma dupla de zaga sólida, com Yerri Mina e Mason Holgate na reserva, e Lucas Digne é um dos laterais mais criativos da liga. Na direita, porém, Coleman ainda não voltou a ser o mesmo jogador que era antes de se machucar, e algumas vezes Ancelotti preferiu Holgate por ali com uma função mais defensiva. De contrato renovado, ainda há fé na recuperação do irlandês.

Há poucas duplas de meias mais qualificadas na Premier League do que Doucouré e Allan e, se James Rodríguez ficar, esse trio pode ser o pilar de tudo que o Everton fará de bom nesta temporada, com Gomes e a juventude de Tom Davies à espreita. Espera-se também que, após três sérias lesões que praticamente o impediram de entrar em campo por dois anos, Jean-Philippe Gbamin possa contribuir.

Richarlison retorna de Tóquio como campeão olímpico e com a moral de ter sido o principal nome da seleção brasileira no torneio. Segue como a referência técnica do ataque. E Calvert-Lewin, como a principal esperança de gols. O outro nome do setor ofensivo pode ser Gray, Townsend, Iwobi (meio que tanto faz) ou Moise Kean, de volta após empréstimo ao Paris Saint-Germain – caso fique.

Nos amistosos de preparação, Benítez adotou o 4-2-3-1, com Doucouré e Allan como meias centrais, James Rodríguez de camisa 10, e velocidade nas pontas com Iwobi e Townsend.

O técnico 

Desta vez, a culpa não foi do Everton. Ele adoraria continuar com Carlo Ancelotti, mas entre treinar o Real Madrid e continuar tentando fazer o inferno congelar no norte da Inglaterra, a escolha foi meio fácil. Em cinco anos desde que Moshiri comprou o clube, Rafa Benítez será o quinto treinador, após Marco Silva, Sam Allardyce e Ronald Koeman, e o começo já está sendo maravilhoso porque a torcida não esqueceu quando Benítez, na época no comando do Liverpool, disse que o clube era “pequeno”. Com um pouco de perspectiva e pragmatismo, as arquibancadas deveriam dar uma chance ao espanhol porque, embora não esteja na sua melhor fase, recentemente provou que ainda domina os meandros da Premier League ao conduzir boas campanhas com o Newcastle. Chegou em décimo lugar uma vez, exatamente a mesma posição que o Everton conseguiu na última temporada. O que poderá fazer com muito mais recursos?

Expectativa para a temporada

O lado bom de haver poucas contratações é que o time é mais ou menos o mesmo. Especialmente se James Rodríguez ficar, será uma continuidade importante e rara para o projeto esportivo do Everton, o que pode ser uma vantagem. Benítez tem o costume de armar bons sistemas defensivos e isso pode dar uma base de sustentação proveitosa ao time que teve uma retaguarda meramente mediana na última temporada. O desafio mesmo é ter regularidade e ganhar os jogos que um time que ambiciona competições europeias precisa ganhar sempre. Se fizer isso, nada impede o Everton de pelo menos brigar por vaga na Liga Europa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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