Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Chelsea: Agora o negócio é conquistar a Inglaterra

Campeão europeu, o Chelsea buscará uma temporada na Premier League muito mais tranquila e bem sucedida do que a anterior

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Cidade: Londres
Estádio: Stamford Bridge (41.631 pessoas)

Temporada passada – 4º lugar

Ganhou a Champions League, o que costuma ser legal, mas a participação na Premier League foi… estranha? Vamos começar pelo começo. Frank Lampard havia assumido o time na temporada anterior, após a saída de Maurizio Sarri, a venda de Eden Hazard e sob embargo de transferências que o impedia de fazer contratações. Precisou apostar na molecada e o fez muito bem, ajudando a promover nomes como Mason Mount e Tammy Abraham. O resultado final foi acima das expectativas: quarto lugar, com vaga na Champions League.

A equipe sofreu com oscilações naturais para um treinador iniciante, mas houve contestações justas sobre sua capacidade de montar um time equilibrado. Como não havia gasto nada no mercado anterior, o Chelsea teve dinheiro sobrando para, mesmo na pandemia, fazer altos investimentos. Esses reforços – Havertz, Werner, Thiago Silva, Ziyech, Chilwell, Mendy – aumentaram a pressão sobre Lampard.

O Chelsea teve bons resultados nas primeiras rodadas, e Lampard chegou até a emendar dois meses com uma forte defesa, mas o projeto degringolou a partir de dezembro, e a diretoria estava apenas esperando a oportunidade de demiti-lo. Foi interessante se escorar na sua idolatria durante a punição e após a saída de Sarri e Hazard, mas a prioridade passou a ser um técnico de elite, e Lampard ainda não havia chegado lá.

Cometeu erros típicos da inexperiência. Problemas de comunicação, críticas públicas esperando uma reação em campo, lidou mal com a situação do goleiro Kepa. Finalmente foi demitido no final de janeiro. Thomas Tuchel chegou para seu lugar após um trabalho de altos e baixos no Paris Saint-Germain que foi mais uma vez prejudicado pelo excesso de rusgas com os chefes, como havia sido no Borussia Dortmund. O prognóstico para o casamento com um clube complicado como o Chelsea não era ótimo.

Mas desgaste leva tempo e, por enquanto, está tudo bem. Tuchel inseriu a formação com três zagueiros, dois alas, dois meias centrais e três jogadores ofensivos que conseguiu uma boa arrancada na Premier League – nove jogos de invencibilidade, com seis vitórias. À medida em que avançava na Champions League, porém, a liga inglesa foi ficando em segundo plano e chegou a haver um certo risco de não ficar entre os quatro primeiros.

Terminou a campanha com derrotas para Arsenal e Aston Villa nas últimas três rodadas, mas não fez diferença. Caiu para quarto, um ponto acima do Leicester, e de qualquer maneira jogaria a Champions League da próxima temporada porque conquistou o título. A sequência de rodadas na Premier League foi marcada por muita solidez defensiva e certo marasmo no campo de ataque, o que pode ser resolvido nos treinos e, também, no mercado.

Mercado

Principais chegadas: Romelu Lukaku (Internazionale)
Principais saídas: Fikayo Tomori (Milan), Victor Moses (Spartak Moscou), Olivier Giroud (Milan), Marco van Ginkel (PSV), Willy Caballero (sem clube), Billy Gilmour (Norwich)

O Chelsea contratou o goleiro Marcus Bettineli para ser a terceira opção, no lugar de Willy Caballero, que saiu ao fim do seu contrato, mas o principal nome é Romelu Lukaku. Prioridade após ficar claro que o Borussia Dortmund não venderia Erling Haaland nesta janela, o belga chega para ser o ponto focal de um ataque que ficou marcado pela quantidade de chances perdidas por Timo Werner e sua mera presença já ajuda a melhorar as fragilidades ofensivas do Chelsea. Também tem sido muito especulada a busca por um novo zagueiro — de preferência um zagueiro novo —, com Jules Koundé na dianteira.

Outro movimento importante será a saída de jogadores. Nomes como Giroud, Tomori e Moses já foram embora e outros devem seguir, em definitivo ou por empréstimo, porque o elenco do Chelsea é bem grande.

O elenco

Tem muita gente, em parte porque é essa mesma a filosofia do Chelsea: manter muitos jogadores sob contrato, emprestá-los e esperar para ver o que acontece. Alguns nomes pouco utilizados recentemente retornaram ao clube e devem ser redirecionados em breve, como Davide Zappacosta, Rahman Baba, Ross Barkley, Bakayoko, Drinkwater (pois é, tem mais um ano de contrato) e Batshuayi. Vamos focar em quem deve ficar.

Edouard Mendy ganhou a posição de goleiro titular, o que torna Kepa Arrizabalaga um reserva bastante caro, mas, com mais quatro anos de contrato, não tem muito que o Chelsea possa fazer para corrigir esse erro.

O grande mérito de Tuchel foi ter conseguido armar uma defesa forte mesmo com ferramentas que estavam em baixa sob o comando de Lampard, principalmente Antonio Rüdiger. A experiência de Thiago Silva segue essencial. O treinador dava preferência a ter um lateral completando o trio de zaga, geralmente Azpilicueta pela direita. Mantendo essa formação, Kurt Zouma, Andreas Christenssen e Ethan Ampadu são opções de banco. O jovem Malang Sarr, emprestado ao Porto na última temporada, gostaria de ficar, mas está difícil encontrar um espaço para ele, ainda mais se o Chelsea realmente contratar mais um zagueiro.

Marcos Alonso foi envolvido em possíveis propostas por Lukaku, mas fez um bom papel com Tuchel. Ben Chillwell ainda deve ser o titular pela esquerda. Reece James é uma grande promessa do futebol inglês, e Callum Hudson-Odoi tem encontrado alguns dos minutos que precisa para se desenvolver atuando pela ala direita.

N’Golo Kanté nem sempre foi titular com Tuchel, mas, depois das atuações nas fases decisivas da Champions League, ninguém o tira mais do time. Mateo Kovacic e Jorginho são os principais nomes para lhe fazer companhia. Com a chegada de Lukaku, o ataque parece muito bem definido, com ele, Mason Mount e Kai Havertz. A alternativa de recuar Mount ao centro do meio-campo, ao lado de Kanté, abriria lugar para mais um jogador ofensivo, provavelmente Christian Pulisic ou Timo Werner.

Isso tudo partindo do princípio de que Tuchel manterá o 3-4-3 que funcionou muito bem na última temporada. Ele atuou dessa maneira contra o Vilarreal na Supercopa da Uefa, mas nada impede que, com mais tempo de trabalho, comece a colocar em ação algumas variações táticas.

O técnico

Tuchel sempre foi um técnico de muito prestígio. Percorreu a mesma trajetória de Jürgen Klopp, do Mainz para o Borussia Dortmund, e caiu nas graças de Pep Guardiola e Jupp Heynckes. Os trabalhos no Signal-Iduna Park e no Paris Saint-Germain tiveram ótimos momentos, mas foram encurtados por problemas de relacionamento. Geralmente, em torno de políticas de transferência, o que não parece ser um problema em um Chelsea disposto a gastar como nos tempos áureos da Era Roman Abramovich. É uma mente tática fabulosa que tem mostrado flexibilidade nesta curta passagem pelo Chelsea, o qual tornou extremamente competitivo quase da noite para o dia com base em uma forte defesa, embora no discurso sempre tenha defendido um estilo ofensivo. Ah, é também o atual técnico campeão europeu e esteve presente nas últimas duas finais da Champions League.

Expectativa para a temporada

Não há nenhum motivo para não brigar pelo título – na verdade, tem um: quando o Manchester City embala de verdade, são poucos que conseguem acompanhar. Mas caso a briga seja normal, com uma nota de corte abaixo dos 100 pontos, como foi no bicampeonato do City e na conquista do Liverpool, o Chelsea tem tudo para estar nela. Possui estrutura, padrão tático, um técnico de elite, forte defesa, craques como N’Golo Kanté, provavelmente um artilheiro comprovado como Romelu Lukaku, jogadores jovens que ainda podem melhorar e profundidade de elenco.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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