Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Brighton: Os mesmos problemas de sempre

O Brighton tem muitas ambições, mas, quase sem contratações, é difícil imaginar que a próxima temporada será de evolução

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Cidade: Brighton
Estádio: 
Amex Stadium (30.000 pessoas)

Temporada passada – 16º

O objetivo final do Brighton é se firmar como um dos dez melhores times da Premier League. Com isso em mente, contratou Graham Potter para ter um estilo de jogo característico e agradável e aposta na formação de jogadores. Mas a terra prometida ainda parece muito longe. A temporada passada foi de estagnação, o que é até fácil de dizer considerando que somou os mesmos 41 pontos da anterior. Também porque apareceram os mesmos problemas de sempre: ataque fraco, excesso de empates, dificuldade para transformar bons desempenhos em resultados. Não chegou a entrar na zona de rebaixamento em nenhum momento, mas sempre esteve nas redondezas. Salvou-se com folga, 13 pontos a mais que o Fulham, mas os rebaixados tiveram um aproveitamento bem fraco. Seu grande momento foi no começo do ano, quando venceu Leeds, Tottenham e Liverpool em um intervalo de quatro rodadas. Sempre por 1 a 0. O ataque deu uma ligeira melhorada de 39 para 40 gols e a defesa foi o grande destaque, a sexta menos vazada da liga.

Mercado

Principais chegadas: Enock Mwepu (Red Bull Salzburg), Kjell Scherpen (Ajax)
Principais saídas: Ben White (Arsenal), Alireza Jahanbakhsh (Feyenoord), Davy Pröpper (PSV), Matt Ryan (Real Sociedad), Bernardo (Red Bull Salzburg)

O Brighton fez uma contratação de destaque até agora. O meia zambiano Enock Mwepu saiu do ótimo sistema de formação do Red Bull Salzburg para fazer uma dupla de meias de dar água na boca com Yves Bissouma. Mas muitas lacunas ainda precisam ser preenchidas se o Brighton quiser dar um passo à frente, inclusive a que foi deixada pela venda de Ben White para o Arsenal. É de se esperar que aqueles quase € 60 milhões sejam reinvestidos até o final da janela. Se possível, em algum atacante. Se possível, em um melhor que os contratados anteriormente, como Alireza Jahanbakhsh que já foi embora após marcar apenas quatro gols em 61 jogos. Além deles, o goleiro Matt Ryan, o meia Davy Pröpper e o brasileiro Bernardo saíram.

O elenco

O Brighton tem bons zagueiros, mesmo com a saída de White, um meia de elite e muito pouca contundência do meio para a frente. Potter joga bastante com três zagueiros e ainda tem Lewis Dunk para liderar a sua defesa. Deve ser acompanhado por Adam Webster e Dan Burn – que também pode fazer a lateral esquerda em uma linha de quatro (ou cinco) com função mais defensiva. A melhor opção para a lateral direita é o promissor Tariq Lamptey, se ele conseguir ficar longe do departamento médico. Joël Veltman pode atuar por ali ou no miolo de zaga.

Bissouma é o coração do meio-campo, um dos melhores jogadores da Premier League fora dos grandes clubes, e deve receber a companhia do recém-chegado Mwepu. Pascal Gross é uma boa opção, inclusive para formar um trio, se necessário. É daqui para a frente que as coisas começam a ficar complicadas. Leandro Trossard sabe criar, seja pela direita, pela esquerda ou pelo meio, e Neal Maupay, artilheiro do time na Premier League com oito (!) gols, é um atacante relativamente competente. O resto do setor de criação é um revezamento entre nomes como Danny Welbeck, Adam Lallana e Alexis Mac Allister em busca de quem estiver no melhor dia.

O técnico

Graham Potter venceu a Copa da Suécia de 2017 pelo Östersund e fez muito barulho na Liga Europa com uma vitória sobre o Arsenal no Emirates Stadium. Após se aposentar pelo Macclesfield Town, estudou ciências sociais, fez mestrado em liderança e acredita em formar não apenas o jogador, mas também o ser humano. Uma das suas novidades era uma “academia cultural” em que incentivava os jogadores a fazerem apresentações artísticas, como o Lago dos Cisnes. Fez uma campanha pelo Swansea que rendeu elogios de Marcelo Bielsa e foi eleito por Pep Guardiola o melhor treinador inglês da atualidade.

Expectativa para a temporada

Quem vê os jogos fica com a sensação de que o Brighton é um ótimo time. Essa mesma pessoa ficaria meio confusa se olhasse a tabela. O grande desafio de Potter desde que assumiu o Brighton é conectar as duas coisas: desempenho e resultado. Não será diferente na próxima temporada e ainda é difícil imaginar como conseguirá sem novas contratações. Foi convocado pelo Brighton para mudar o estilo de jogo mais rústico de Chris Hughton, uma transição ainda em andamento. As últimas apostas para ter mais poder de fogo não se pagaram. Caso não haja uma melhora significativa, especialmente com três clubes promovidos que prometem ser fortes, mais uma briga feroz contra o rebaixamento se avizinha.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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