Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Brentford: Finalmente

Com muita ênfase em estatísticas e na personalidade dos jogadores, um dos melhores projetos das divisões inferiores da Inglaterra chegou à elite

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Cidade: Londres
Estádio: Brentford Community Stadium (17.000)

A temporada passada

O Brentford chegou apenas três vezes aos playoffs desde que subiu à segunda divisão em 2013/14. Passou perto nas outras e, na temporada anterior, perdeu a vaga direta com derrotas nas duas rodadas finais e depois caiu no mata-mata. A sensação de que deveria ter chegado à Premier League mais cedo, porém, transcende os resultados e tem a ver com a maneira como conduz o seu time de futebol desde foi comprado por Matthew Benham, em 2012. Apostador profissional, Benham fez fortuna projetando um algoritmo que analisa estatísticas e tendências que às vezes passam despercebidas. Fundou sua própria empresa, SmartOdds, e, de certa maneira, tem usado o mesmo princípio nas Abelhas.

O Brentford tenta muitas coisas que são diferentes, e talvez nem todas elas realmente funcionem, mas o pacote o tornou um clube famoso no mundo cult do futebol inglês. Por exemplo, fechou as categorias de base e montou um time B para parar de perder talentos aos grandes por migalhas. Contrata profissionais bem específicos, como técnico de arremesso lateral ou de chute. Eles têm um sistema que se chama “Tabela da Justiça”, uma tentativa de determinar a posição verdadeira de cada time, sem a influência da sorte e do azar, para tentar chegar mais perto do nível real de desempenho. Mas o rolê do clube mesmo são as estatísticas.

Eles adoram estatísticas e odeiam quando a sua estratégia é classificada como o “Moneyball” do futebol – aquela revolução do beisebol. Mas há uma influência muito forte dos números em tudo que o Brentford faz, desde de contratar zagueiros bons pelo alto porque o time está perdendo muitos duelos aéreos a usar um algoritmo parecido com o Expected Goals para encontrar jogadores subvalorizados. Como bom apostador, Benham tenta encontrar valor nas contratações, ineficiências no mercado, talento bruto que pode ser lapidado pela sua estrutura. Há uma ênfase grande na personalidade dos jogadores para manter o bom clima no vestiário.

Com tudo isso em desenvolvimento ao longo de quase uma década, o acesso finalmente chegou. O Brentford arrancou a partir de novembro e chegou a passar nove rodadas na zona de classificação direta à Premier League. Mas quatro derrotas em seis jogos e depois seis empates em sete ressuscitaram antigos fantasmas. Caiu para terceiro e precisou disputar os playoffs. Após derrotar Bournemouth e Swansea, conseguiu seu bilhete para jogar a elite do futebol inglês pela primeira vez desde desde 1947

Mercado 

Principais chegadas: Kristoffer Ajer (Celtic), Frank Onyeka (Midtjylland), Myles Peart-Harris (Chelsea)
Principais saídas: Henrik Dalsgaard (Midtjylland), Emiliano Marcondes (Bournemouth), Luke Daniels (Middlesbrough)

Saïd Behrama, Ollie Watkins, Neal Maupay, Ezri Konsa e Chris Mepham são apenas os jogadores mais recentes que o Brentford contratou, formou e vendeu por um alto lucro a times da Premier League. A rotatividade costuma ser altíssima no oeste de Londres, mas desta vez foi diferente. Entre os principais jogadores da campanha na Championship, perdeu apenas o lateral direito Henrik Dalsgaard. Ele foi para o Midtjylland, do qual Benham é acionista majoritário – e no qual o co-diretor de futebol do Brentford é presidente. Essa relação, digamos, próxima ajudou os ingleses a trazer o nigeriano Frank Onyeka, meia que percorre as duas áreas. O maior investimento foi feito para contratar o zagueiro Kristoffer Ajer, do Celtic, bem talhado para se inserir em um sistema de jogo que busca qualidade de passe desde o campo de defesa. Também buscou um garoto de 18 anos do Chelsea chamado Myles Peart-Harris porque, vai saber, quem sabe daqui a alguns anos ele não vale umas £ 10 milhões.

Elenco

O Brentford é uma equipe agressiva, que pressiona e busca atacar sempre que possível, mas taticamente é flexível. Após usar o 4-3-3 em quase toda a temporada, o técnico Thomas Frank mudou para o 3-5-2 nas rodadas finais da Championship e nos playoffs. Pontus Jansson, Ethan Pinnock e Christian Nörgaard, meia de origem, fizeram o trio de zaga. Ajer será uma forte concorrência. O meio-campo teve Vitaly Janelt na contenção, Mathias Jensen, importante reserva da Dinamarca na Euro 2020, e Tarique Fosu – Marcondes nos jogos finais dos playoffs. Josh Dasilva, ex-Arsenal, deve perder o começo da temporada por lesão, mas costumava ser titular.

Mads Roerslev Rasmussen assumiu a ala direita, com Bryan Mbeumo, contratação mais cara da história do Brentford antes dos investimentos desta janela (€ 6,5 milhões), pela esquerda. Sergi Canós pegou a vaga na ala canhota nos playoffs e deslocou Mbeumo para o ataque, no lugar de Marcus Forss e ao lado do principal destaque do time, o atacante Ivan Toney, artilheiro da Championship com 33 gols. O mais velho de todos esses citados é Jansson, com 29 anos.

O técnico

Thomas Frank começou carreira nas categorias de base da seleção dinamarquesa e teve seu primeiro cargo como técnico principal no Brondby. Ninguém conseguiria adivinhar como essa história acabou: pediu demissão após descobrir que o presidente do clube o estava criticando em um fórum de torcedores usando a conta do filho. Ele se juntou à comissão técnica de Dean Smith no Brentford e, em 2018, foi promovido. O começo deixou a desejar, com oito derrotas em dez jogos, mas a tal Tabela da Justiça foi sua amiga. Mantido, reverteu a sorte das Abelhas e, aos 47 anos, terá a oportunidade de brilhar na Premier League.

Expectativa para a temporada

O Brentford pode se inspirar em duas experiências positivas e recentes de clubes que subiram com baixo orçamento e filosofias muito particulares. Parece ter mais lastro do que o Sheffield United e não tem um gênio como Marcelo Bielsa para conduzi-lo. Parece um pouco no meio do caminho entre esses dois e terá que realmente analisar a fundo aquelas planilhas de estatísticas para ter vida longa na Premier League. A prioridade nesta primeira temporada é não ser rebaixado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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