Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Arsenal: Hora de mostrar serviço

Após bom sinais na primeira temporada com Arteta, o Arsenal estagnou - ou até deu um passo atrás - e as desculpas estão acabando

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Cidade: Londres
Estádio: Emirates (60.000 pessoas)

Temporada passada – 8º lugar

Indiferente talvez seja a melhor palavra para descrever. Difícil lembrar algo memorável que tenha feito. Nem as boas vitórias, como as duas sobre o Chelsea, uma no dérbi do norte de Londres e outra diante do Manchester United tiveram muita consequência. Da 17ª rodada para frente, variou entre o nono e o 11º lugar. Mais da metade do campeonato sem se preocupar com o rebaixamento (ainda bem) ou sonhar com vagas europeias, apenas existindo, embora tenha conseguido um aproveitamento que rivaliza apenas com os de Manchester City e Manchester United. Também cruzou a linha de chegada com cinco vitórias seguidas para terminar em oitavo. Foram bons sinais, mas não foram os primeiros e os anteriores não foram confirmados com uma boa campanha na Premier League 2020/21.

Os resultados fora de casa foram interessantes, com direito a sete jogos seguidos de invencibilidade, mas não conseguiu emendar mais do que duas vitórias consecutivas no Emirates. Para falar de algumas flores, a defesa parece ter se acertado e foi a terceira melhor da Premier League, com apenas 39 gols sofridos.

As campanhas nas copas inglesas foram fracas, com derrota na quarta rodada da Copa da Inglaterra para o Southampton, e nas quartas de final da Copa da Liga Inglesa para o Manchester City (por 4 x 1). Mikel Arteta conseguiu manter a temporada viva por meio da Liga Europa, mas a queda nas semifinais, para o Villarreal, foi um duro golpe, e o mais empolgante ao torcedor do Arsenal acabou sendo os rumores de que o fundador do Spotify está interessado em comprar o clube. Uma proposta inicial foi refutada pelos donos atuais, a muito criticada família Kroenke.

O mercado  

Principais chegadas: Ben White (Brighton), Albert Lokonga (Anderlecht), Nuno Tavares (Benfica)
Principais saídas: Matteo Guendouzi (Olympique Marseille), William Saliba (Olympique Marseille), David Luiz (sem clube)

Sim, é verdade. Zagueiros mais prontos que Ben White, como Ibrahima Konaté e Raphaël Varane, custaram menos. Mas o mercado é restrito para um clube que está fora da Champions League e não passa aquela confiança monstruosa de que voltará em breve. White também é jovem, tinha contrato longo com o Brighton, conta como jogador formado na Inglaterra e é sempre necessário um extra para contratar atletas de clubes que disputam a mesma liga que você. Tudo isso somado levou a um investimento alto de quase € 60 milhões para reforçar a defesa com o promissor zagueiro que se destacou pelo Leeds e se firmou com a camisa do Brighton na última temporada.

Como Ceballos retornou ao Real Madrid, Guendouzi foi novamente emprestado, Lucas Torreira está disponível para quem quiser contratá-lo e há rumores sobre a saída de Xhaka, embora no momento o mais provável é que renove seu contrato, o Arsenal também aumentou suas opções no meio-campo com a contratação do jovem Albert Lokonga, volante de 21 anos que estava sendo treinado por Vincent Kompany no Anderlecht. Uma aposta, como Nuno Tavares, 21 anos, ex-Benfica, mais uma opção para o lado esquerdo da defesa. Sabia porque o titular é o ótimo Kieran Tierney, com certa predisposição a se machucar.

São bons nomes que seguem um perfil claro de investir em nomes para o futuro, como um clube em reconstrução deve fazer. Ainda assim, é incrível como o Arsenal tem talento para gastar quase € 100 milhões e parecer que não saiu muito do lugar.

O elenco

Ainda está no meio do caminho entre o que Arteta herdou e aonde ele quer chegar. Quando a temporada terminou, o treinador falou que o Arsenal precisava ser “implacável”, mas a pandemia não ajudou a acelerar uma limpa que ele julga necessária. Jogadores como Alexandre Lacazette, Héctor Bellerin, Mohamed Elneny, Calum Chambers e Lucas Torreira podem estar disponíveis diante de uma boa proposta.

Benrd Leno foi outro citado entre os possíveis dispensados, mas isso exigiria uma reposição – talvez Emiliano Martínez, que foi embora baratinho para o Aston Villa? Não é o goleiro dos sonhos, mas tem segurado bem a barra. Arteta levou para o começo da temporada o esquema com três zagueiros, mas a terminou com uma linha de quatro, que, com tudo mundo disponível, teve Calum Chambers pela direita, Tierney, quando não estava machucado, na esquerda, com Rob Holding e o brasileiro Gabriel como dupla de zaga.

Gabriel teve uma boa primeira temporada na Inglaterra e pode fazer uma dupla interessante com Ben White. A contratação de Nuno Tavares e o retorno de Kolasinac do Schalke 04 – caso ele permaneça – farão com que Arteta não precise mais improvisar na lateral esquerda, como fez com Bukayo Saka e Granit Xhaka em algumas ocasiões. Pablo Marí e Holding dão cobertura para o miolo da defesa.

Tanto no fim da temporada quanto nos amistosos das últimas semanas, Arteta tem atuado em um 4-2-3-1. Os dois volantes mais preparados para iniciar a construção e dar sustentação ao meio-campo são Xhaka, caso realmente fique, e Thomas Partey, a grande contratação da janela anterior que teve um primeiro ano um pouco decepcionante, principalmente por causa das lesões. As opções são o garoto Lokonga ou Mohamed Elneny. O crescimento do garoto Emile Smith Rowe foi uma das boas notícias. Ele tem sido usado como o meia-atacante nesta pré-temporada.

Nicolás Pépé deu sinal de vida na última temporada. Começou a retribuir os € 80 milhões que foram pagos nele sendo o vice-artilheiro do Arsenal, com 16 gols por todas as competições, e terminou a Premier League com cinco em três rodadas. Deve pelo menos iniciar como titular pelo lado direito. Pierre-Emerick Aubameyang caiu de rendimento depois de renovar contrato, mas ainda é o principal atacante da equipe. Pode jogar aberto pela esquerda ou, com a provável entrada de Saka, ser deslocado para centroavante, mandando Lacazette de volta ao banco de reservas. Willian e Gabriel Martinelli são duas boas opções para as pontas.

O técnico

Auxiliar de Pep Guardiola, Mikel Arteta foi contratado para dar uma identidade ao Arsenal e começou com bons sinais. Melhorou os resultados, estabeleceu um padrão de posse de bola e pressão, e até ganhou a Copa da Inglaterra. Esperava-se que desse um passo à frente na última temporada, mas a sensação é que estagnou – ou, pior, recuou. Ainda mantém a moral dos donos e é elogiado pela diplomacia, o que não é uma qualidade a ser ignorada em um clube com propensão a crises. Mas terá pela frente o grande desafio de sua curta carreira porque, se ainda não é justo cobrar-lhe títulos, as desculpas para demonstrar evolução estão acabando.

Expectativa para a temporada

A primeira é mostrar um futebol mais consistente, melhorar os resultados em casa e pelo menos diminuir a distância para os líderes. Ainda seria muito imaginar um retorno à Champions League porque o G4 parece muito bem cristalizado com Manchester City, Manchester United, Chelsea e Liverpool, e, se alguém for se intrometer ali, Leicester e Tottenham parecem apostas mais seguras no momento. Embora tenha ficado a apenas seis pontos do quarto lugar, foi muito em função da arrancada nas últimas cinco rodadas, quando a vaca já havia praticamente ido para o brejo. E, no fim, não foi suficiente nem para uma vaga na Liga Europa ou na Conference League, o que significa que esta nova temporada será a primeira dos Gunners sem futebol europeu desde 1995/96. Evitar que haja uma segunda é a prioridade.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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