Champions LeagueInglaterra

Guardiola: “Se você me pergunta o que aconteceu, eu digo: é futebol”

Técnico do Manchester City comentou sobre a eliminação para o Real Madrid na Champions League e minimizou os aspectos mentais

Pep Guardiola deu entrevista nesta sexta-feira como preparativo do jogo do próximo domingo contra o Newcastle, mas o assunto acabou sendo ainda a eliminação na Champions League para o Real Madrid. Ele falou sobre o aspecto mental, muito discutido, e comentou sobre o que muda daqui por diante com a eliminação. Mais do que isso, falou sobre como esse tipo de confronto tem muitos detalhes e é preciso estar atento em todos eles.

O treinador do City foi perguntado diretamente se este grupo de jogadores pode ganhar a Champions League. “É uma questão que não posso responder. Futebol é imprevisível. Os donos não compraram este clube e investiram nessas incríveis estruturas apenas para ganhar a Champions League, eles fizeram para competir por todas as competições, toda temporada”.

“Queremos vencer a Champions League, talvez eu não seja bom o bastante para ajudar o time a fazer isso. Ninguém sabe o que poderia acontecer com outro técnico e outros jogadores. As pessoas dizem que se este grupo de jogadores ou Guardiola não ganham o título, então eles são um fracasso, mas eu discordo completamente. Sabemos o quanto é difícil tudo isso”.

O treinador foi perguntado se a eliminação o deixava com ainda mais fome. Ele esperou alguns segundos antes de responder. “Não. Estou sempre faminto”, declarou o catalão. “Eu não posso viver o ano inteiro pensando que a minha felicidade será… Eu sei que as pessoas fora daqui só falam: Champions League, Champions League, Champions League. Nós sabemos disso. Mas não posso viver dessa forma”.

“Até porque no dia que ganharmos a Champions – e espero que aconteça -, vão dizer que foi por causa do dinheiro que gastamos. Nunca será pelo que passamos. ‘É normal gastar tanto e ganhar a Champions League’. Sim, claro, somos o único clube do mundo nos últimos 10, 15 20 anos que gatou. Mesmo com o dinheiro, é difícil conquistar a Champions, mas o que vivemos em Madri vai nos ajudar no futuro como time, como clube”, afirmou o treinador.

“Os jogadores agora não percebem isso, mas eu digo: foi bom para nós. O pior não é viver isso, é estar no sofá assistindo. Eu adoraria ganhar a Champions League, estar na final em Paris e vive-la porque nos faria ainda melhores no futuro. Mas nada vai mudar, seguimos iguais”, disse o treinador.

Um jornalista, então, perguntou sobre o primeiro gol de Rodrygo, se foi tudo mental a partir dali. “Não houve tempo para o mental. Eles marcaram de novo 45 segundos depois. Não houve tempo para cair”, disse o técnico.

“É por isso que quando falam sobre estatísticas e todas essas análises, qual é a análise aqui? Como você controla isso, meu amigo? A emoção dos jogadores, me diga qual estatística sobre como os jogadores sentem aquele momento, como definir aquilo? Ou você acha que os jogadores queriam perder, queriam deixar o cruzamento passar, o desvio antes de Rodrygo marcar o segundo e tudo mais?”, continuou Guardiola.

“É futebol. Se você me pergunta o que aconteceu, eu digo: é futebol, aconteceu. E eu aceito. Eles fizeram isso muitas outras vezes, sabíamos, conversamos sobre isso, que precisávamos marcar gols e tivemos as chances. Agora as pessoas falam que é falta de personalidade. Falta de personalidade? O que aconteceria se Jack Grealish tivesse marcado os dois gols? Onde estaria a personalidade?”, disse ainda o técnico.

“Contra o Atlético de Madrid, quando Correa chutou e Ederson defendeu, tivemos personalidade. Mas se Correa tivesse feito o gol, não teríamos personalidade. Quando Courtois coloca o pé e a bola toca nas travas da chuteira, vai para a linha de fundo e por um centímetro não entra, o time não tem personalidade”, criticou Guardiola.

“Quem disse isso foram ex-jogadores de futebol, não vocês, ex-jogadores que já estiveram nessa situação. Os detalhes são muito pequenos e nós temos que lidar com eles, talvez usar melhor o tempo, ter mais calma antes do pontapé inicial depois do primeiro gol, saber para onde ir depois do lançamento do Ederson, esse tipo de coisa. Se você joga com emoções e elas são incontroláveis, naquele momento, elas estavam a favor do Real Madrid, o que é normal, eles já tinham passado por aquilo”.

“No jogo de ida, aqui, fizemos 3 a 1. Naquele momento, estamos quentes e o Real Madrid estava no chão, eu estava lá, eu vi. Um minuto depois, cobrança de lateral, 3 a 2. Não tivemos sequer dois ou três minutos para aproveitar aquele momento positivo, aquele ímpeto, essa competição é feita de momentos assim”, afirmou.

“Na Premier League, os jogadores sabem que há outro jogo, depois mais um e assim por diante. Na Champions League, são minutos. E aconteceu imediatamente. Mas isso quer dizer que não merecemos ser eliminados? Não, não é sobre merecimento, o Real Madrid merece porque está na final. Para merecer, deveríamos ter feito mais gols com as chances que tivemos e ter defendido melhor o primeiro gol de Rodrygo”, disse ainda o técnico.

“Então, é por isso que eu nunca culpo os outros, nós sempre podemos ser melhores. Caso na próxima temporada estejamos na mesma situação, devemos levar essa lição e ter vivido isso, talvez nos ajude”, afirmou ainda.

O Manchester City entra em campo no domingo, às 12h30 (horário de Brasília). Consulte a Programação de TV para estar saber onde assistir aos jogos.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo