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O imortal Real Madrid mostrou que é o rei da Champions com um milagre para eliminar o Manchester City e ir à final

Em jogo que parecia decidido aos 89 minutos, o Real Madrid contou com uma força incrível para virar nos acréscimos e vencer na prorrogação; decisão será contra o Liverpool em Paris

Por 89 minutos, a classificação do Manchester City à final da Champions League parecia que viria pelo segundo ano seguido quando marcou o seu gol aos 27 minutos. Só que o Real Madrid não precisou de mais do que uns poucos minutos para voltar do mundo dos mortos e alcançar um milagre com dois gols nos acréscimos, levar o jogo para a prorrogação e ali vencer. A vitória por 3 a 1 leva o Rei da Champions a mais uma final e estará em Paris no dia 28. Um time que se recusou a morrer na competição. Se manteve vivo por um fio por várias vezes ao longo deste mata-mata e segue vivo até o último dia.

O Real Madrid renasceu e mostrou que não é o rei da competição à toa. Rodrygo, que entrou no segundo tempo, marcou dois gols e levou o jogo à prorrogação. No tempo extra, marcou outra vez, de pênalti, desta vez com o seu craque, Karim Benzema, e carimbou o passaporte para Paris. Será a 17ª final do Real Madrid no torneio. Ninguém esteve mais em finais que os merengues.

A decisão será contra o Liverpool, justamente o adversário que o Real Madrid enfrentou na última vez que foi campeão, em 2017/18, em uma final que deixou marcas nos Reds. Só que de lá para cá, muita coisa mudou. O Liverpool foi campeão da Champions League na temporada seguinte, 2018/19, conquistou a Premier League que esperou por 30 anos e se tornou um dos melhores times do mundo. A final colocará frente a frente dois times bem diferentes, com trajetórias bem distintas. Ambas muito respeitáveis e chegam à final com todos os méritos.

Escalações: sem grandes surpresas

O técnico Carlo Ancelotti optou por colocar em campo Federico Valverde como um quarto meio-campista. Sem a bola, o Real Madrid defendia em um 4-5-1, com apenas Karim Benzema no ataque e Luka Modric um pouco atrás dele, com Valverde fechando o lado direito, Vinícius Júnior fechando o lado esquerdo. Na defesa, Nacho Fernández formou a dupla de zaga com Éder Militão, já que David Alaba não estava em condições plenas e ficou no banco.

No Manchester City, Pep Guardiola teve apenas um desfalque: John Stones, machucado. Com isso, entrou Aymeric Laporte, que jogou ao lado do titular Rúben Dias. João Cancelo voltou à lateral e atuou pelo lado esquerdo, com Kyle Walker sendo o titular no lado direito. No primeiro jogo, o time não teve nenhum dos dois jogadores.

O meio-campo foi montado com Rodri como o jogador mais recuado, com Kevin De Bruyne e Bernardo Silva com mais liberdade. No ataque, Riyad Mahrez, Gabriel Jesus e Phil Foden formaram o trio.

Primeiro tempo: Real Madrid tenta, sem acertar o gol

O Real Madrid assustou logo no começo do jogo. Eram quatro minutos quando Karim Benzema recebeu um cruzamento da direita de Dani Carvajal e teve uma liberdade incomum para cabecear, mas errou o alvo.

Com sete minutos, a primeira confusão. Casemiro deu uma tesoura em Kevin De Bruyne, o que gerou muita reclamação do Manchester City. Aymeric Laporte reclamava com o árbitro, Luka Modric chegou para fazer pressão sobre o zagueiro, que empurrou o croata. Vinícius Júnior chegou dando uma ombrada e Laporte desabou como se tivesse sido agredido. No fim, o árbitro Daniele Orsato deu um cartão amarelo para Modric e outro para Laporte. Casemiro saiu ileso de um lance que merecia o amarelo.

Novamente pela direita o Real Madrid ameaçou de novo. Dani Carvajal acionou Federico Valverde dentro da área e o uruguaio bateu de primeira para a área. Benzema pegou de primeira, mas mandou longe do gol.

O Real Madrid continuava tentando. Mais uma vez pela direita, a bola foi na direção de Benzema, claramente o jogador-alvo do Real Madrid, mas a defesa conseguiu cortar. A bola ainda sobrou para Vinícius Júnior, que conseguiu finalizar, mas estava marcado e pegou mal na bola, batendo longe do gol.

O time merengue chegava mais ao ataque nos primeiros 20 minutos de partida, mas não conseguia criar chances claras, exceto pela primeira delas, com Benzema, que teve uma boa oportunidade. O Manchester City não chegou nenhuma vez com grande perigo nos primeiros 19 minutos, mas antes o relógio fechar 20 minutos, Kevin De Bruyne achou Bernardo Silva dentro da área e o português bateu forte de pé direito, que não é o seu melhor, e exigiu uma grande defesa do goleiro Thibaut Courtois.

Poderia novamente ter levado cartão aos 32 minutos, quando segurou a camisa de Phil Foden e acabou até mesmo levando a pior, porque o inglês caiu em cima do seu joelho. O jogador brasileiro poderia ter sido advertido com cartão amarelo em ao menos duas vezes e escapou.

No fim, o Real Madrid deixou o primeiro tempo tendo sido melhor em campo, criando mais, mas sem conseguir ser eficiente. O Manchester City criou menos chances, mas esteve bem posicionado em campo.

Segundo tempo: City perto da vaga e milagre merengue

O volante Fernandinho ficou aquecendo em campo no intervalo, mas nenhum dos dois times fez mudanças de jogadores para o segundo tempo. O Real Madrid precisava de ao menos um gol para se manter vivo. O Manchester City defendia a vantagem de ter vendido o primeiro jogo.

Logo no primeiro lance do segundo tempo, uma jogada ensaiada de saída de bola. Toni Kroos colocou na direita para Dani Carvajal, que cruzou, a bola passou por Benzema e sobrou para Vinícius Júnior finalizar, mas pegou mal na bola e mandou fora. Uma boa chance logo de cara.

O Manchester City chegou pela primeira vez no segundo tempo com Gabriel Jesus, que recebeu pelo lado esquerdo e finalizou forte, mas em cima do goleiro Courtois. Aos poucos, com o passar dos primeiros minutos de pressão do Real Madrid, o Manchester City encaixou a marcação e conseguiu tirar os espaços que o adversário encontrava.

Precisando do gol, Carlo Ancelotti decidiu colocar em campo o brasileiro Rodrygo e tirou o meio-campista Roni Kroos. Com isso, recuou Valverde para o meio-campo para deixar o atacante brasileiro aberto pela direita. Eram 23 minutos de partida.

Guardiola também fez mudanças pouco depois. Kyle Walker, que já tinha ameaçado sair acabou substituído por Oleksandr Zinchenko. Ele foi para a esquerda e João Cancelo foi deslocado para a direita. Entrou também o meio-campo Ilkay Gündogan no lugar de Kevin De Bruyne. O belga não fazia um grande jogo.

Em um contra-ataque aos 27 minutos, Bernardo Silva conduziu a bola com muita liberdade, avançou e abriu na direita. A bola passou por Gabriel Jesus e chegou em Mahrez, que bateu forte, de primeira, no alto, e marcou um belo gol em Madri: 1 a 0. Com isso, a vantagem dos ingleses passou a dois gols. O Real Madrid precisava virar o jogo em pouco mais de 15 minutos.

O Real Madrid fez duas mudanças pouco depois. Colocou Eduardo Camavinga no lugar de Caemiro e Marco Asensio no lugar de Luka Modric. Os merengues, porém, não conseguir colocar pressão sobre o City.  O City, por sua vez, parecia muito confortável na partida. Colocou Jack Grealish no lugar de Gabriel Jesus e tocava a bola com calma, administrando o jogo.

O City parecia tão tranquilo que começou a perder chances. Grealish fez uma jogadaça que driblou todo mundo pelo lado esquerdo, tocou para o gol, mas o lateral esquerdo Ferland Mendy fez um milagre, tirando em cima da linha. Um lance que era gol certo.

Pouco depois, Grealish de novo recebeu pela esquerda, driblou e finalizou, mas o goleiro Courtois conseguiu tocar de leve na bola e mandar para escanteio. Mesmo classificando, o City era quem chegava com mais perigo e parecia perto de decidir o jogo. Só que não decidiu.

O jogo parecia definido, mas aos 44 minutos o Real Madrid arrancou o empate. Em lançamento longo, Benzema cruzou de primeira para a área e Rodrygo se antecipou para tocar antes do goleiro Ederson e marcar: 1 a 1. Como diria uma clássica música da banda Titãs, o pulso ainda pulsa.

O que pulsava também era o Estádio Santiago Bernabéu, que acreditada. “Si, se puede”, gritavam os torcedores. Eram 46 minutos quando Carvajal, pela direita, cruzou para a área e Rodrygo, de cabeça, fez um movimento de manual: cabeçada precisa, mortal, para o fundo da rede. O Real Madrid virava o jogo no seu estádio para 2 a 1 e igualava o placar agregado.

O momento era do Real Madrid, que tentava aproveitar nos minutos finais, com seis minutos de acréscimos ao tempo normal, a chance para marcar outro gol e sair com a classificação. O nervosismo, que não tinha aparecido em momento nenhum no City, apareceu. O Real Madrid, que tinha feito um jogo sem brilho por 89 minutos, parecia um titã com sede de vingança.

O apito final veio depois de uma cobrança de falta do Manchester City, uma última chance de se classificar. A bola foi para escanteio e o árbitro Daniele Orsato acabou com o jogo antes que as coisas se complicassem mais ainda. O jogo iria para a prorrogação.

Prorrogação: pênalti de Benzema decide

Logo no início da prorrogação, o Real Madrid aproveitou o bom momento. Em um passe para Benzema dentro da área, o zagueiro Rúben Dias tocou no atacante e o derrubou. O árbitro náo teve dúvidas e apontou a marca de pênalti. O próprio Benzema cobrou com tranquilidade, jogando a bola para um lado e o goleiro para o outro: o Real Madrid ampliava o placar para 3 a 1.

Ainda tinha jogo. O Manchester City ia para cima tentando o gol que igualaria as coisas novamente. Guardiola mudou o time e tirou o volante Rodrigo para colocar Raheem Sterling, tornando a equipe mais ofensiva. Carlo Ancelotti também mudou: tirou Benzema para colocar Dani Ceballos. Um movimento arriscado, considerando que ainda havia a chance de decisão por pênaltis e o francês é o batedor oficial.

O segundo tempo da prorrogação tinha o Manchester City com a bola, tentando achar espaços para marcar um gol que manteria o time vivo. A torcida merengue cantava, apoiava o time e tentava manter a equipe firme em campo. O City tinha dificuldades para conseguir criar chances.

Não teve mesmo jeito. O Real Madrid se recusou a se entregar e voltou do mundo dos mortos algumas vezes ao longo da campanha. O PSG foi melhor na maior parte do confronto, o Chelsea ficou perto de uma virada história no Bernabéu, o Manchester City parecia quase classificado. Nunca o Real Madrid desistiu. O Liverpool é mais time, parece mais pronto, tem um trabalho mais consistente, mas quem é capaz de duvidar do rei da Europa, imortal na competição?

Melhores momentos do jogo:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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