Guardiola: ‘O mundo vai desabar e estamos aqui discutindo isso’
Treinador do Manchester City volta a lembrar tensão geopolítica antes de decisão diante do Arsenal
Arsenal e Manchester City fazem a final da Copa da Liga Inglesa no próximo domingo (22). O confronto fica ainda mais cercado de expectativa, tendo em vista que será o reencontro de Guardiola com Arteta em uma decisão. A dupla já trabalhou junta durante um período em que o atual treinador dos Gunners era auxiliar de Pep.
Hoje no comando do Arsenal, Arteta faz uma excelente temporada liderando a Premier League, com nove pontos de vantagem justamente para os Citizens, além de estar nas garantido nas quartas da Champions League. Ao ser questionado sobre possíveis artimanhas dos londrinos – os Gunners têm sido criticados por abusarem de jogadas de bola parada na temporada – para o duelo decisivo, Pep foi enfático.
— Artinhamas obscuras do Arsenal? Quando alguém faz algo assim, existem juízes, árbitros que têm que intervir. Ou pessoas nos bastidores. Veja o que está acontecendo no mundo todo. Estamos no meio do caos e ninguém move um dedo. O mundo vai desabar e estamos aqui discutindo se um time ou outro usa artimanhas obscuras. Há coisas mais importantes do que isso — disse o treinador.
Sob o reencontro com Arteta, Guardiola lamentou a falta de tempo que tem para reencontrar o amigo sem que seja em partidas oficiais. Também aproveitou para analisar o estilo de jogo do colega.
— Não tenho tempo para ir a Londres, e acho que ele também não tem tempo para vir a Manchester com quatro competições pela frente. Eles controlam muitos aspectos do jogo depois de vários anos sem ganhar títulos, e isso lhes deu uma vantagem. São coesos, defendem bem recuados, têm uma boa construção de jogo, muitas qualidades, muita fluidez. São uma equipe excepcional. Será um bom desafio ver onde nos encaixamos — completou.
Guardiola tem sido vocal sobre questões humanitárias
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Ao citar as questões envolvendo a geopolítica global em resposta sobre as supostas artimanhas do Arsenal, Guardiola deixou ainda mais evidente seu posicionamento. Essa não foi a primeira vez que o técnico falou sobre a temática e deixou claro o seu pensamento.
Em fevereiro de 2026, Guardiola se condenou o que chamou de ‘genocídio’ em território palestino. A fala aconteceu antes da partida contra o Newcastle, pela Copa da Liga Inglesa.
— Nunca, jamais na história da humanidade, tivemos informações tão claras diante de nossos olhos como agora. O genocídio na Palestina, o que aconteceu na Ucrânia, o que aconteceu na Rússia, o que aconteceu em todo o mundo — no Sudão, em todos os lugares. O que aconteceu diante de nós? Querem ver? São os nossos problemas como seres humanos. São os nossos problemas — disse o treinador.
Após essa fala, Guardiola foi alvo de críticas, principalmente do Conselho Judaico da Região Metropolitana de Manchester. O treinador voltou a falar sobre a temática e se defendeu.
— Para ser sincero, não disse nada de especial. Não sinto isso. Não deveria expressar o que sinto só porque sou um treinador? Não concordo, mas respeito absolutamente todas as opiniões. O que eu disse basicamente é quantos conflitos existem neste momento, em todo o mundo, em todo o planeta — afirmou o treinador do Manchester City.
— Eu condeno todos eles (conflitos). Todos eles. Pessoas inocentes sendo mortas? Eu condeno todos eles. Eu não considero que uma seleção seja mais importante do que as outras, ou que um país seja mais importante do que outro — complementou.