Inglaterra

Por que saída do City pode ajudar Grealish a reencontrar sua melhor versão no Everton

Atacante chega aos Toffes por empréstimo de uma temporada com opção de compra de 50 milhões de euros (R$ 315 milhões)

Jack Grealish chegou ao Manchester City em 2021 por 100 milhões de libras (a época R$ 724 milhões) como o novo camisa 10. As expectativas no maior reforço da história dos Citizens eram enormes. Após quatro anos, não dá para dizer que a passagem do atacante foi um fracasso, mas, definitivamente, não rendeu o que se esperava.

Agora, o jogador de 29 anos ganha uma nova oportunidade na carreira: um empréstimo de uma temporada para o Everton. Mesmo sendo um time que briga contra o rebaixamento nas últimas quatro edições da Premier League, os Toffees podem representar o retorno a um contexto que Grealish atingiu o melhor momento individual da sua carreira.

Grealish encontrou no Manchester City algo diferente do Aston Villa

O inglês teve bons dois primeiros anos no Etihad Stadium. Como o ponta que sempre ficou bem aberto à esquerda, ele tinha papel essencial na atração da marcação para ultrapassagens do meio-campista central que caia por aquele lado, função muito bem feita por Gundogan.

Foi nesse contexto que os Citizens conquistaram a primeira Champions League de sua história, com Grealish titular em todos os jogos decisivos, incluindo a final. Mesmo assim, sempre parecia que faltava algo para o ponta jogar como atuava no Aston Villa.

Pela filosofia posicional de Pep Guardiola, Jack precisava cumprir à risca a função de amplitude e tinha pouca liberdade para flutuar para zonas centrais. Era também sua primeira experiência em um time muito dominante com a posse de bola. Segundo dados da plataforma de estatísticas “Opta”, nos quatro anos de Manchester, ele atuou 87% do tempo pela esquerda, seja como meia mais recuado ou ponta.

Tive mais liberdade no Aston Villa. Tive muito mais posse de bola no Villa, enquanto aqui [no City] você provavelmente não toca tanto na bola porque tem tantos jogadores de classe mundial — disse sobre sua adaptação a Manchester.

Mapa de calor de Grealish na Premier League de 2022/23, sua melhor pelo Manchester City
Mapa de calor de Grealish na Premier League de 2022/23, sua melhor pelo Manchester City e atuando bem aberto pela esquerda (Foto: SofaScore)

Nos anos seguintes, somado a lesões e uma queda maior de desempenho, perdeu espaço no time e não chegou nem a 40 jogos em cada uma das duas últimas temporadas. Mesmo na crise que o City viveu nos últimos meses, ele atuou por apenas 30% dos minutos em que esteve disponível em 2024/25, a pior marca desde 2015/16, quando ainda era um jovem promissor do Aston Villa.

O Villa é o time de infância de Grealish. Após um empréstimo ao Notts County entre 2013 e 2014, ele passou a atuar mais no time principal até a consolidação definitiva em 2018/19, quando teve papel decisivo com seis gols e seis assistências no acesso da equipe de Birmingham à Premier League.

Mesmo que o Aston Villa tenha brigado na parte debaixo da tabela da elite inglesa nos dois anos que Jack atuou, o inglês brilhava como uma válvula de escape para contra-ataques. A equipe então treinada por Dean Smith era mais forte nas transições e isso era um prato cheio para o atleta puxar da esquerda para dentro em jogadas de velocidade.

Grealish costumava também atuar por dentro e, mesmo que fosse ponta, tinha a liberdade para acessar zonas mais centrais e o lado direito nos momentos ofensivos ou até contribuir na saída de bola. Ele jogou 59% do tempo em Birmingham na esquerda e teve 30% como meia ofensivo ou central.

Foi nessas duas temporadas, com 18 e 17 participações em gols, que Grealish fez os melhores anos da carreira — no City, em 22/23, também teve 17 participações.

Mapa de calor de Grealish na Premier League de 2019/20, sua melhor pelo Aston Villa e tendo liberdade para atuar mais por dentro
Mapa de calor de Grealish na Premier League de 2019/20, sua melhor pelo Aston Villa e tendo liberdade para atuar mais por dentro (Foto: SofaScore)

Uma prova de sua maior liberdade no Villa Park também se vê nas estatísticas de dribles certos: acertou, em média, 2.0 e 2.5 nos dois Campeonatos Ingleses que disputou com a camisa bordô e azul. Pelo City, o auge de média de fintas foi de apenas 1.6, conforme dados do “SofaScore”.

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Tendência no Everton é ter a mesma liberdade e estilo de jogo

Nos azuis de Liverpool, Grealish vai encontrar David Moyes, um técnico conhecido pelo conservadorismo e o jogo de transição, como o atacante fazia nos tempos de Villa e muito diferente do que viveu no City.

A questão para o inglês é que não ostenta a mesma forma física de antes e ele passará boa parte do tempo defendendo, exigindo uma dedicação na recomposição inegociável ao treinador escocês.

Terá que buscar na memória seu período no Villa, especialmente a temporada 2019/20, quando o time terminou a Premier League com 43,9% de média de posse de bola — ainda abaixo dos 40.6% do Everton na última.

Junto do ponta do City, chegam ao Everton o goleiro Mark Travers, o lateral-esquerdo Aznou, o meia Dewsbury-Hall e o atacante Thierno Barry, além da compra definitiva de Alcaraz junto ao Flamengo. As expectativas para os Toffes são baixas e a tendência, novamente, é de no máximo conseguir um meio de tabela.

A equipe de Grealish e Moyes estreia oficialmente na próxima segunda-feira (18), quando visita o recém-promovido Leeds United. Além da Premier League, eles também disputam as copas locais em 2025/26.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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