Inglaterra

Por que a Federação Inglesa vai investigar faixa exibida pela torcida do Crystal Palace?

Torcedores do Palace mostraram banner criticando Evangelos Marinakis por situação de Gibbs-White e briga por Liga Europa

A Federação Inglesa de Futebol (FA) passará a investigar uma faixa exibida por torcedores do Crystal Palace durante a partida contra o Nottingham Forest na segunda rodada da Premier League.

O objeto chamou atenção com um desenho em que mostra o proprietário do Nottingham Forest, Evangelos Marinakis, apontando uma arma para a cabeça do meio-campista Morgan Gibbs-White. A faixa estava na arquibancada Lower Holmesdale, onde fica localizada a torcida do Holmesdale Fanatics, no Selhurst Park.

No banner, o jogador é mostrado com um balão de fala ao lado dele dizendo: “O Sr. Marinakis não está envolvido em chantagem, manipulação de resultados, tráfico de drogas ou corrupção!”

Marinakis sempre negou veementemente qualquer irregularidade em relação às alegações.

Além de Gibbs-White, a faixa também mostra Marinakis segurando uma maleta transbordando de dinheiro no que parece ser um delegado da Uefa em pé atrás de sacolas com os emblemas da União Europeia de Futebol e do Forest escritos “correspondência”.

Aparece também na imagem o ex-acionista minoritário do Palace, John Textor, como um palhaço, além de um navio com o nome de Marinakis — o empresário grego é o fundador e presidente da Capital Maritime & Trading Corp.

A faixa se refere às tensões entre os clubes depois que o Palace foi rebaixado na Liga Europa para a Conference League — com o último promovido como resultado — após ter sido considerado culpado de violar as regras de propriedade multiclube da Uefa.

A decisão da Uefa de rebaixar o Palace foi confirmada pelo Tribunal Arbitral do Esporte no início deste mês.

Faixa dos torcedores do Crystal Palace com Evangelos Marinakis-Morgan Gibbs-White (Foto: IMAGO / NurPhoto)
Faixa dos torcedores do Crystal Palace com Evangelos Marinakis-Morgan Gibbs-White (Foto: IMAGO / NurPhoto)

De acordo com o “The Athletic”, fontes do Forest afirmaram que pretendiam reclamar sobre o banner e que o clube espera que a Premier League e a FA investiguem.

Contatada pelo The Athletic, a Premier League indicou que o incidente era da competência da Federação Inglesa. O Holmesdale Fanatics também foi contatado para comentar.

Já o Palace não respondeu a um pedido de nota, mas publicou uma declaração em seu site que afirma que “os banners não devem conter linguagem chula, ser difamatórios ou conter slogans políticos ou ofensivos e o clube se reserva o direito de rejeitar os banners se o conteúdo for considerado ofensivo de alguma forma”.

Antes do jogo, os Eagles publicaram nas redes sociais que “gostaria de lembrar aos torcedores que atos de discriminação, incluindo cânticos inapropriados, violência e entrada no campo de jogo, não serão tolerados no Selhurst Park.

Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest Foto: (Imago)
Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest Foto: (Imago)

Essa não é a primeira vez que o Palace se envolve em polêmicas por causa dos banners utilizados pela torcida. Em 2021, uma faixa exibida no Selhurst Park pelo Holmesdale Fanatics foi alvo de uma investigação policial.

O objeto estava em exibição quando o Newcastle United enfrentou o Palace, logo após a aquisição do clube do Nordeste, financiada em grande parte pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF). A faixa tinha como alvo o teste para proprietários e diretores da Premier League, e a Polícia Metropolitana de Croydon afirmou que ela havia sido denunciada como “ofensiva”.

Tensões entre Palace, Forest e Gibbs-White

A relação entre o Crystal Palace e o Nottingham Forest ficou conturbada depois de uma série de depoimentos por parte do presidente do Palace, Steve Parish, logo após o rebaixamento do time.

Na ocasião, o dirigente insinuou que outra pessoa estava por trás da punição sofrida pelo clube. Em entrevista ao podcast ‘The Rest Is Football’, Parish foi questionado pelo apresentador Gary Lineker se ele acreditava que o Forest havia “contribuído” para o processo de rebaixamento.

— Somos levados a acreditar que esse é o problema. Se não houvesse alguém que quisesse entrar como consequência, então não haveria problema — afirmou o dirigente.

O Forest chegou a escrever uma carta à UEFA sobre o assunto, que eles sempre insistiram ser uma questão de simplesmente buscar clareza sobre qual competição participariam nesta temporada, para que pudessem se planejar adequadamente.

Segundo o “The Athletic”, o clube também afirma que a carta foi enviada quando a UEFA já investigava o status do Palace em meio a uma repressão às regras, que já havia levado a entidade que rege o futebol europeu a expulsar o time irlandês Drogheda United e o eslovaco DAC 1904 da Conference League por violações semelhantes.

Ainda segundo o jornal americano, o proprietário do Forest, Marinakis, juntamente com o ex-acionista minoritário do Palace, John Textor — cuja participação majoritária no Lyon, da França, foi o gatilho para o rebaixamento do Palace — e a UEFA, tornaram-se o foco da ira dos torcedores do Palace.

Nos três primeiros jogos desta temporada, o empate sem gols na Premier League fora de casa contra o Chelsea e o jogo de ida em casa contra o Fredrikstad fizeram com que os torcedores do Palace exibissem uma faixa com as palavras “UEFA MAFIA” em uma versão do logotipo da entidade com um símbolo do Euro substituindo o mapa da Europa, e também gritaram “Fuck UEFA, fuck John Textor, fuck Marinakis”.

Já o jogador Gibbs-White se viu em meio às brigas após assinar um novo contrato com o Forest no final de julho, após ter sido alvo de propostas do Tottenham Hotspur e aparentemente prestes a realizar exames médicos no clube do norte de Londres. Segundo o “The Athletic” Gibbs-White teve uma reunião crucial de 30 minutos com Marinakis antes de se comprometer com seu futuro no Forest até 2028.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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