Por que nem saída de Textor evitou que Uefa tirasse o Crystal Palace da Liga Europa?
Clube de Londres foi "rebaixado" à Conference League mesmo depois da conquista do título inédito da Copa da Inglaterra sobre o Manchester City
O Crystal Palace não irá disputar a Liga Europa mesmo após fazer história com seu primeiro título da Copa da Inglaterra. E nem mesmo a saída de John Textor conseguiu reverter este cenário.
A Uefa decidiu nesta sexta-feira (11) que o clube será “rebaixado” para jogar a Conference League em 2025/26 por entender que há um conflito de interesse com o Lyon, equipe francesa da qual Textor é dono.
A entidade não permite a participação simultânea de clubes de um mesmo proprietário em suas competições. O Crystal Palace promete recorrer da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), a instância máxima legal.
O que chama a atenção na decisão da Uefa é que John Textor não é mais um dos donos do Palace. O estadunidense vendeu a totalidade de seus 43% de ações do clube ao conterrâneo Woody Johnson, dono da franquia de futebol americano dos New York Jets na NFL.

Por que Palace não jogará a Liga Europa mesmo sem Textor?
Para entender o veto ao Crystal Palace é preciso entender também os movimentos feitos por Textor nos últimos dias.
Além de vender suas ações do clube inglês a Woody Johnson, o empresário também renunciou ao cargo de CEO do Lyon recentemente.
Sem Textor no comando, o clube francês conseguiu reverter o rebaixamento na Liga Francesa por conta de problemas financeiros. Com isso, o Lyon não só se manteve na elite francesa, como recuperou sua vaga na Liga Europa.
E é justamente esta decisão que afeta o Crystal Palace. O clube até argumentou que Textor era dono de apenas 43% de suas ações e que ele já não estava mais no poder tanto dos Eagles, quanto do Lyon.
O problema todo está no prazo em que estas decisões de Textor foram tomadas.
O regulamento da Uefa exige que toda e qualquer questão de “conflito de interesse” precisava ser resolvida até o dia 1º de março. À época, Textor ainda era dono de 43% do Crystal Palace e também CEO do Lyon.
Por isso, a vaga na Liga Europa fica com a equipe mais bem colocada em sua respectiva liga. O Palace acabou a Premier League em 12º, e o Lyon foi sexto no Francês.
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Por que City e Girona podem, e o Palace, não?
Para permitir que dois clubes com donos em comum disputem suas competições, a Uefa exige que as ações de um dos times sejam colocadas em um blind trust — um tipo de estrutura em que uma terceira parte independente passa a gerir o clube temporariamente, sem influência dos acionistas originais.
Foi esse o caminho adotado por Manchester City e Girona na última temporada da Champions, e por Manchester United e Nice, na Liga Europa.
O Palace, no entanto, não cumpriu o prazo-limite de 1º de março para realizar o procedimento, o que deixa a Uefa sem margem para conceder isenção.
E quem fica com a vaga do Palace?
O regulamento da Uefa prevê que a vaga seja destinada à equipe imediatamente melhor colocada na liga local. Neste caso, a vaga do Crystal Palace deve ficar com o Nottingham Forest.



